Abigai

Março 29 2011

 

 

Ontem fui a mais uma consulta de Reumatologia.

A conversa foi a do costume...

A todas as minha queixas o médico respondia o mesmo de sempre.

Normal. É tudo normal!

Saí de lá com a frustração de sempre, sem saber muito bem o que pensar.

Talvez o defeito seja meu, pensava. Talvez esteja na especialidade errada, talvez precise mais de um psiquiatra do que de um reumatologista. Se é tudo normal, porquê tanta dor?

Único conselho: tomar os comprimidos milagroso - um analgésico que combina o poder do paracetamol com um opiáceo -, diariamente, ao almoço, para evitar passar noites em branco.

E eu que evitava tomá-los por pertencerem à família dos narcóticos!

 

Depois de passar a fase da frustração e da revolta por sentir-me incompreendida, passei à fase de reflexão.

Realmente, pensando bem, cheguei à conclusão que o defeito é mesmo meu. Estou à procura de respostas onde elas não existem, de soluções onde não as há.

Sei do que sofro, sei que não vou ter melhoras, sei que a ideia é atrasar a evolução da doença. E de facto, tendo em conta esta patologia, as minhas queixas são normais.

Não sei do que estava à espera. Ou melhor, sei, mas não faz sentido.

Acho que estou a passar pelo mesmo dilema que vivi quando tive que medicar o G. Saber que a medicação que pode aliviar as dores pertence ao grupo dos narcóticos perturba-me e achava que podia passar sem ela.

Mas na verdade, o que é que pretendo do meu médico? Que me ajude a não ter dores, não é? Cura, sei que não me pode dar.

Então porque não seguir o seu conselho e passar a tomar a medicação diariamente?

Esta é a resolução do dia, a ver vamos se resulta ou não.

Sem dores, com certeza que até hei-de esquecer a doença.

 

 

publicado por Abigai às 13:24

Quando estamos doentes queremos é que alguém nos cure, mesmo que saibamos que essa cura não existe, o que procuramos quando vamos a um médico é que eles nos diga que há um milagre e que os medicamentos que nos vai dar nos vão curar.

Eu percebo que tenhas ficado desiludida, é humano... não tem nada de mau... quem sabe e um dia esse milagre não acontece mesmo... entretanto, ainda bem que pelo menos existe algo que se não cura, pelo menos alivia.

Muita força para ti
Jorge
Jorge Soares a 29 de Março de 2011 às 15:56

É verdade, Jorge... a tendência é procurar respostas e curas, mas nem sempre conseguimos a que queremos.
Agora sim, conformei-me... e sem dores é mais fácil enfrentar a vida, mas infelizmente sei que dentro de alguns anos, não serão apenas as dores a atormentar-me...
Abraço,
Anabela
Abigai a 30 de Março de 2011 às 16:02

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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