Abigai

Outubro 20 2011

aqui falei sobre auto-estima, confiança e motivação.
Qualquer pessoa, seja ou não hiperactiva, necessita sentir-se reconhecida.
O reconhecimento das qualidades, sejam elas físicas, pessoais ou profissionais, permitem reforçar a auto-estima, tão importante para enfrentarmos a vida.
Há dias, quando vi o Abigai nos destaques do sapo, senti uma pitada de orgulho... Porquê? Simples, é uma forma de reconhecimento!
 

O G. é muito negativo, tem tendência a achar-se incapaz, inferior, nas palavras dele muitas vezes "burro", e fica paralisado ao mínimo obstáculo.
Acredito que a terapia que iniciou no passado sábado ajude a ultrapassar estes bloqueios que tanto o inibam de "viver".
É um menino muito esforçado na escola, está constantemente preocupado com os trabalhos de casa, com as regras e com tudo o que os professores poderão dizer, pensar ou fazer.
É com frequência chamado a atenção pelo professores porque demora muito a passar o que está escrito no quadro, porque tem que estudar mais, porque tem que se esforçar mais, etc...
À excepção feita da directora de turma e também professora de História, não se sente reconhecido, não sente que o esforço compensa, e por vezes noto nele a vontade de desistir.
Quando à noite revejo com ele os cadernos, os trabalhos de casa ou insisto com ele para em primeiro lugar colocar as obrigações e só depois o lazer, responde-me torto, refila, exalta-se e não há dia nenhum que não acabe com discussões, lições de moral e por vezes choros compulsivos.
 

Tento sempre reforçar a auto-estima do G. enaltecendo o esforço que faz, fazendo-lhe ver que por muito que parece injusto, uma criança com as dificuldades que tem precisa de estudar mais do que os colegas, que desde que se empenhe nunca irei ficar triste se trouxer notas baixas, mas remar contra a maré é difícil, cansativo e pouco compensatório.
Bastava que se sentisse reconhecido para não desanimar, para não desistir...
Será assim tão difícil um professor ver e compreender o esforço de uma criança com imensas dificuldade mas que leva sempre os trabalhos feitos, tem os cadernos impecáveis e, apesar de sinalizado com hiperactividade e défice de atenção, comporta-se bem na sala de aulas? Uma criança que mesmo não sabendo responder às perguntas dos testes não deixa um espaço em branco?
Será assim tão difícil um professor dar uma palavra de reconhecimento a uma criança tão necessitada de apoio, não de apoio escolar mas de uma simples palavra?
É claro que o facto de ter muitos medos e receios, de ser envergonhado e tímido, não ajuda.
É incapaz de perguntar a um professor o significado de uma palavra, de uma pergunta e tendo défice de compreensão, são muitas as vezes que responde ao lado da pergunta. Por um lado receia perguntar por timidez, por outro tem medo que o professor implique ou reaja mal por perguntar, para já não falar do pavor que tem em ser "gozado" pelos colegas. A aceitação dos outros é tão importantes nestas crianças.
 

Quero acreditar que consiga ultrapassar esta fase com a ajuda da terapia e do psicólogo mas temo que, sem a ajuda, disponibilidade e boa vontade dos professores, seja um esforço em vão.

publicado por Abigai às 15:17

Leio-te e fico triste. :( Não contigo, mas com a realidade que ambos ( mãe e filho) têm de enfrentar. Infelizmente a maioria das pessoas ( professor ou não) não entende que todos precisamos de reconhecimento. Entendo-te mesmo sem nunca ter passado pelo mesmo. Espero que consigam superar este "problema". O G. merece o melhor. Pena que o mundo de hoje seja demasiado virado para o próprio umbigo, todos deveríamos nos colocar na posição do próximo, para assim compreender e dar valor.

Desejo de tudo bom .
Abraço.
C. a 20 de Outubro de 2011 às 21:48

Olá, é verdade, nem toda a gente entende... ainda ontem fui falar com a directora de turma e a conversa é sempre a mesma... não tenho nada contra a professora, acho-a até muito empenhada e também preocupada, mas enfim... ao que diz os restantes professores entendem e reconhecemo esforço. Não sei onde está o problema, será que reconhecem mas não dizem? Ou será que o G. não o entende desta forma? É complicado e tenho-o sentido mais revoltado, mas agitado...
Beijinhos,
Anabela
Abigai a 26 de Outubro de 2011 às 12:49

Olá Anabela
Tinha-me passado despercebido este teu post...mas curiosamente hoje dei comigo a ler as tuas palavras e não pude deixar de sorrir - cá vai a razão. Na sexta feira passada o Rafa trouxe mais uns recados na caderneta, (vai nos 8 ou 9) porque não levou um TPC para a aula de EVT. Mais um por falta de material (caderno) de EF...Os prof assinalam sempre metódicamente essas faltas, chamando-me a atenção para o facto do meu educando se atrasar repetidas vezes com os trabalhos ou não os levar feitos, ou não terminar as tarefas da sala de aula....Hoje o Rafa soube a primeira nota do seu 5º ano - do teste de inglês - foi o melhor da turma (um Elevado muito perto dos 100%). Ora hoje o Rafa não trouxe na caderneta nenhum recado da prof de inglês alertando-me para o facto do meu educando ter tido a melhor nota da turma - por isso escrevi eu um recado na caderneta: Caros senhores professores agradeço que me informem quando o meu educando faz algo bem feito e tenham o cuidado de assinalarem na caderneta um elogio, como complemento do empenho dele, portador de PHDA, para que se sinta motivado pela escola a fazer sempre melhor. Nem mais! agora quero ver o que respondem - se respondem....mas mesmo que não o façam, na minha próxima conversa com a diretora de turma, vou puxar o assunto.
beijos
energia-a-mais a 1 de Novembro de 2011 às 00:11

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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