Abigai

Novembro 16 2011

 

 

Revolta. É revolta que sinto hoje.
De há uns dias para cá, têm vindo muitos recados na caderneta do G., queixas relativas à sua falta de atenção nas aulas, - algo que me parece realmente estranho vindo de uma criança com PHDA! -, e também sobre a falta de conhecimentos.
Estranho!
Eu que pensava que o G. era um menino exemplar, repleto de sabedoria e sem qualquer tipo de dificuldades!
À professora de Matemática resolvi responder. Queixou-se que o G. não sabe a tabuada, não sabe fazer contas e não presta atenção.
Pois bem, pelos vistos é sabido mas alguns professores não sabem:

 

"É difícil separar os problemas de atenção dos problemas de memória. Se não somos capazes de estar atentos a uma informação, dificilmente conseguimos apreendê-la, integrá-la e armazená-la. Normalmente estas crianças têm uma boa memória a longo prazo mas a sua memória a curto prazo e a memória de trabalho deixam muito a desejar. Recordam-se do que aconteceu há um ano, mas têm muita dificuldade em reproduzir o que se lhes acabou de explicar."
(...)
"Memória de trabalho. Refere-se à capacidade de reter vários tipos de informação ao mesmo tempo. Se não somos capazes de representar mentalmente vários números, não podemos fazer cálculos mentais. Se queremos compreender o que lemos, temos que ser capazes de recordar as palavras do princípio de um parágrafo quando chegamos ao fim."
(...)
"Matemática. (...) Muitas crianças têm também uma discalculia - custa-lhes entender o tamanho relativo das figuras, aprender as tabuadas, recordar sequências de dígitos, entender o significado dos sinais e compreender conceitos matemáticos avançados."

 

Logo no dia seguinte, recebo mais um recado, desta vez da professora de apoio de Lingua Portuguesa que dizia mais ou menos assim: "o G. não presta atenção à aula, distrai-se e fala. Vou dar mais uma oportunidade, a continuar assim deixa de frequentar o apoio. Compreendo o problema de concentração, mas há limites."
Esta foi a gota!
Há limites sim! Há limites para a falta de informação dos professores - para não dizer ignorância -, há limites para a incapacidade das escolas em cumprir com as suas funções e obrigações de integrar todas as crianças, em proporcionar recursos pedagógicos para crianças com dificuldades específicas de aprendizagem. Há limites para tanta incompetência, ou não é esta uma escola inclusiva?
É este o futuro que queremos para as nossas crianças? Ensiná-las a marginalizar, a excluir aqueles que não se enquadram na norma?
O que devo dizer? Como resolver os problemas de atenção do G.?
Já sei! Vou começar a bater-lhe, talvez passe a comportar-se melhor, ou porque não, amarrá-lo à cadeira? Não... talvez fechá-lo numa sala sozinho durante o tempo lectivo para não incomodar ninguém?
Vou ter que sugerir estas soluções à escola, talvez resolva o problema....

 

O G. está medicado com metilfenidato. O G. tem terapia psicológica semanalmente, - e só eu sei o quanto me custa pagar as consultas! O G. vai regularmente às consultas de desenvolvimento no Hospital S. João. O G. foi sinalizado à escola. Entreguei na escola todos os relatórios médicos do hospital, do diagnóstico de dislexia, do psicólogo, etc.. O G. está num centro de estudos para reforçar conhecimentos.
Acho que estou a cumprir com a minha parte de educadora.
E o que faz a escola?
Não contrata a psicóloga educacional que o acompanhava desde que foi sinalizado, nem outra qualquer. Não proporciona qualquer tipo de avaliação diferenciada. Não reforça positivamente qualquer esforço demonstrado. Não! A escola reprimenda. A escola ameaça excluí-lo do apoio!

 

“O princípio fundamental das escolas inclusivas consiste em todos os alunos aprenderem juntos, sempre que possível, independentemente das dificuldades e das diferenças que apresentem. Estas escolas devem reconhecer e satisfazer as necessidades diversas dos seus alunos, adaptando-se aos vários estilos e ritmos de aprendizagem, de modo a garantir um bom nível de educação para todos, através de currículos adequados, de uma boa organização escolar, de estratégias pedagógicas, de utilização de recursos e de uma cooperação com as várias comunidades. É preciso, portanto, um conjunto de apoios e serviços para satisfazer as necessidades especiais dentro da escola.”
“…as escolas devem acolher todas as crianças, independentemente das suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras. Devem incluir as crianças deficientes ou sobredotadas, as crianças de rua, e as que trabalham, as de populações nómadas ou remontas; as de minorias étnicas e linguísticas e as que pertencem a áreas ou grupos desfavorecidos ou marginalizados.”

UNESCO (1994) Declaração de Salamanca e Enquadramento da Acção na Área das Necessidades Educativas Especiais, Lisboa: Instituto de Inovação Educacional

publicado por Abigai às 11:28

Anabela
Sugiro-te que traste tudo directamnet com a DT. Caso não resolva, pede para falar com a Diretora da escola (eu já o fiz!).
Sugiro tambem que peces ao psicologo que segue o G. que se desloque a escola para falar com as professoras. O N. tem uma professora especilizada em ensino especial, que lhe da apoio 2 vezes por semana, e que intervem junto dos outros professores qunado e necessario.
Ja tentaste falar com a equipa de ensino especial da escola do G ? Que respsoat te dão para as tuas preocupações??

Por exemplo, o N. tem imensas dificuldades no ingles. Chegou ao teste e bloqeuou e não fez nada. A professora do ensino especial interveio e combinou que le iria repetir o teste com o suporte dela.

Patricia
Patricia a 16 de Novembro de 2011 às 23:18

Olá Patrícia, é com a DT que tenho falado, mostra-se sempre muito compreensiva mas não vejo qualquer resultado. Mas garanto que se nada se resolver e não obtiver um pedido de desculpas da prof. de apoio, levo a caderneta à DREN... ameaçar com a exclusão do G. é inadmissível e ainda o faz por escrito!
O G. tinha apoio da psicóloga educacional, a equipa de ensino especial entendeu desde o início que as dificuldades do G., não se enquadravam no âmbito do ensino especial mas sim das dificuldades específicas de aprendizagem que estão a cargo da psicóloga e não das professoras do ensino especial que se encarregam das NEE's. Acontece que a escola alega não ter verbas para contratar a psicóloga! Dizem que talvez em Janeiro mas por enquanto não há e como tal, o G. tem apenas apoio e não um verdadeiro acompanhamento.
O psicólogo do G. ficou indignado quando lhe mostrei a caderneta e ficou de redigir um relatório e um parecer para entregar à escola, mas não acredito que surta efeita, há anos que entrego relatórios e pareceres e nada muda...
Beijinhos, Anabela
Abigai a 21 de Novembro de 2011 às 18:35

E o que marca a diferença entre dificuldades específicas de aprendizagem e necessidades educativas especiais ??

Mas, olha Anabela, eu acho que talvez devesses pedir para rever isso. Porque talvez o G. benificiasse de ser abrangido pelo artigo das necessidades educativas especiais. Pois isso alem de prever um acompanhamento especifico...terá influência na sua progressão na escola.

O meu N. por causa disso, teve direito a ficar numa turma só com 20 alunos. E serem 20 ou 28 faz toda a diferença!
Por exemplo a Professora do ensino especial determinou que por enquanto o N. não benificiaria de ter apoio de Portugues, pois ele precisava de um apoio diferenciado e não mais do mesmo. Assim tem apoio de dislexia e não apoio de Portugues.
Patricia a 22 de Novembro de 2011 às 14:03

Olá Patrícia, a diferença é que o G. é abrangido pelo despacho normativo nº50/2005 e não pelo decreto de lei nº3/2008 e isso faz toda a diferença... Mas sim, vou exigir que isso seja revisto, até porque deveria ter acompanhamento do serviço de psicologia e orientação do agrupamento e não o é por falta de contatação de psicologos supostamento por não haver verbas.
O G. está numa turma reduzida de 19 alunos mas nem mesmo assim tem uma aprendizagem de maior aproximação!
Já estou a tratar de revolucionar tudo naquela escola, já pedi esclarecimentos à DREN e o caso não vai ficar por aqui, isso garanto-te!
Beijinhos,
Anabela
Abigai a 23 de Novembro de 2011 às 14:16

É triste, já não basta termos que lidar com a doença dos nossos filhos, também temos que educar a escola e os professores... é muito triste que assim seja, porque não é assim que se constrói o futuro das crianças.

Jorge
Jorge Soares a 16 de Novembro de 2011 às 23:52

É verdade, Jorge, é triste... e confesso não gostar de generalisar mas começo a achar que os professores são todos iguais, farto-me de ouvir relatos destes e chego à conclusão que é mesmo uma classe de ignorantes por convicção e opção no que diz respeito às dificuldades específicas de aprendizagem... não é de certeza por falta de informação, esta está espalhada por tudo quanto é canto e fornecida gratuitamente, acho que é mesmo uma questão de vontade e sobretudo a ideia errada e inraizada de que a hiperactividade não passa de uma desculpa para a falta de educação.
Abraço, Anabela
Abigai a 21 de Novembro de 2011 às 18:49

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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