Abigai

Janeiro 14 2010

Vivemos tempos difíceis e conturbados, muito desemprego, muitas dificuldades, muitos temas no ar...

Quanto ao desemprego, serei provavelmente em breve - e assim o espero - mais uma a somar à longa lista de desempregados.

Triste é dizer "assim o espero". Comecei a trabalhar há 16 anos, nunca faltei sem necessidade absoluta, nunca estive de baixa a não ser quando fui submetida a uma cirurgia e até encurtei a minha licença de maternidade!

Trabalhar é uma paixão, adoro a minha profissão, mas neste momento, preferia estar desempregada, não por preguiça, não para ser sustentada pelo Estado, não!

Nunca pensei dizer isso um dia!

Mas na verdade, quando se está numa pequena empresa falida cujo gerente e único dono foi (fugiu?) para o Brasil sem deixar representande e sem data de regresso, quando estamos abandonados sem previsão de recebimento, com fornecedores à porta e sem perspectivas de venda, etc..., desanimamos e chegamos à conclusão que pouco mais há a fazer senão esperar e desejar fechar definitivamente a porta!

Mas como ficar desempregado se a empresa nem fecha, nem despede?

Segundo o ministério do trabalho, posso suspender o meu contrato de trabalho e receber pela Segurança Social. Para isso, basta enviar uma carta registada à empresa a informar que devido às remunerações em atraso fica o contrato suspenso.

Mas para quê enviar uma carta se na empresa não há quem a receba?

Ser um bom empresário não será também saber admitir quando chegou a hora de fechar? Assumir as suas responsabilidades e no mínimo, permitir aos colaboradores terem uma vida mais digna e partir para outra?

Porquê insistir em manter aberta uma empresa insolvente há mais de um ano e que além de não ter dinheiro para pagar aos funcionário, também não consegue pagar aos fornecedores e por conseguinte, não consegue satisfazer as encomendas dos clientes?

Infelizmente, e apesar de conhecer este tal empresário há 16 anos, só agora é que percebi o quanto fui ingénua estes anos todos, pensava que era uma pessoa trabalhadora e dedicada que se tinha envolvido com os sócios errados. Assim, acreditei que a empresa onde eu tinha iniciado a minha actividade profissional tinha fechado, não por culpa dele mas por causa dos sócios. Há 6 anos atrás e por me ter desentendido com os sócios deixei essa empresa mas passado 3 anos, e uma vez que o patrão que eu julgava bom ía lançar-se numa nova empresa, resolvi apoiá-lo e ajudá-lo.

Agora percebo que afinal, de bom empresário, não tem nada. Iniciar actividade com um capital social, na prática negativo e ir, a pouco e pouco, retirando dinheiro da empresa, de facto, não se pode chamar de boa gestão.

E pensar que fui conivente com esta má gestão, que o apoiei, que confiei, deixa-me completamente à beira do abismo! É claro que só agora percebo isso, tinha uma confiança cega e pensava conhecê-lo. Agora, só espero resolver a minha situação e também a dos meus colegas e tudo fazer para que não saia impune.

Como é possível pensar que uma empresa serve para financiar o empresário? Não será antes o empresário que deve financiar a empresa? Como é possível roubar a sua própria empresa, não será isso roubar-se a si-próprio?

Não consigo mesmo entender esta forma de pensar e estar na vida!!!

 

 

publicado por Abigai às 09:00

Olá querida!
como entendo bem este teu desabafo...ainda há pouco passei por uma situação em tudo semelhante! só não estava a trabalhar na empresa há tanto tempo (embora tu tenhas acompanhado o tal patrão em duas...) Pena que muitos empresários prefiram enganar-se a eles próprios e aos seus funcionários, a arregaçar as mangas e lutar pelo futuro de todos! O meu ex patrão fez a mesma coisa, deixou-nos abandonando a gerência a um sócio (que nem sócio era..) e à ex mulher que era mais doida que ele! no nosso caso, partimos (8 de nós) para uma rescisão de contrato e pedido de insolvência.
O pedido foi aceite pelo tribunal em setembro passado, estamos agora à espera do fundo de garantia salarial, único meio de conseguirmos reaver agum dos salários em atraso! mas foi muito melhor assim - estou a terminar o CAP (o curso acaba esta semana, tenho o exame na quinta-feira) e cheia de ideias quanto a novas possibilidades, pelo menos não me sinto num impasse!
beijinhos e força, vais ver que a tua situação se vai compor!
energia-a-mais a 18 de Janeiro de 2010 às 13:54

Olá Teresa, vejo que es uma mulher de armas, sempre pronta para a luta!
No meu caso, nem sei muito bem o que fazer nem como. A empresa não tem qualquer gerência nem representante, não sabemos a quem enviar cartas de rescisão de contrato, somos apenas 4 e de qualquer das formas, embora sem nunca termos uma certeza de quando vamos receber o nosso ordenado, a verdade é que vai pagando, sempre tarde, mas não podemos sequer queixarmo-nos de que temos salários em atraso.
Sei que é apenas um arrastar do problema, só está a protelar o inevitável, e pouco podemos fazer, daí também a minha angústia.
Podia procurar trabalho e ir embora, mas era fazer um favor ao patrão. Se eu for embora e como sou eu que estou à frente do gabinete técnico e comercial, terá sempre uma desculpa para fechar, dizer que abandonei o barco, e confesso que não lhe queria dar este prazer!
Como trataste do pedido de insolvência?
Obrigada pelo apoio.
Beijinhos,
Anabela
Abigai a 21 de Janeiro de 2010 às 10:54

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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