Abigai

Janeiro 31 2012

Atormentada pela decisão que tomei por ti e quando começava a acreditar que te encaminhavas para o melhor desfecho possível, voltamos à estaca zero, ao ponto de partida...

Neste momento angustiante, lembrei-me deste livro...

"Este livro é um livro de vida (...). É um livro para reflectir, pensar e mesmo confrontar. É um livro onde todos estamos ligados."

E confesso... como gostava de ver a vida e a morte com são encaradas neste livro de Carlos Almeida.

Na contracapa do livro está um poema de Henry Scott Holland, o mesmo com o qual concluí este romance e após o qual ainda podemos ler:

"Afinal a vida e a morte moram juntas, lado a lado, na península dos corpos. A vida e a morte são a maior das fronteiras de nós mesmos."

 

A morte nada é.

Eu apenas estou do outro lado

Eu sou eu, tu és tu.

Aquilo que éramos um para o outro

Continuamos a ser.

Chama-me com sempre me chamaste.

Fala-me como sempre me falaste.

Não mudes o tom da tua voz,

Nem faças um ar solene ou triste.

Continua a rir daquilo que juntos nos fazia rir.

Brinca, sorri, pensa em mim,

Reza por mim.

Que o meu nome seja pronunciado em casa

Com sempre foi;

Sem qualquer ênfase,

Sem qualquer sombra.

A vida significa o que sempre significou.

Ela é aquilo que sempre foi.

O 'fio' não foi cortado.

Porque é que eu, estando longe do teu olhar,

Estaria longe do teu pensamento?

Espero-te, não estou muito longe,

Somente do outro lado do caminho.

Como vês, tudo está bem.

Henry Scott Holland

 

Uma vida em suspenso, atormentada, angustiada, este sofrimento, o teu sofrimento.... agora mais sereno, inconsciente, silencioso...

 

publicado por Abigai às 12:35

Janeiro 28 2012

Há palavras de ternura, palavras de amor, de carinho.

Há palavras de consolo, palavras de alegria.

Há palavras de receio, de medo, palavras de temor.

Há palavras de rancor, de ódio, palavras de repulsa.

Há palavras de amizade, de empatia, de afecto, palavras que aliviam.

Há palavras de esperança, de fé, palavras de verdade.

Há palavras de sabedoria, sentidas e de sofrimento.

 

Há também palavras que rasgam, estilhaçam, quebram, doem, palavras que matam...

 

E agora fiquei assim... sem palavras....

 

publicado por Abigai às 09:49

Janeiro 27 2012

Sei que não é muito, mas é um começo.

Sei que ainda nada está decidido, mas quero acreditar que existe um futuro.

 

Ontem já estavas mais reactiva, mais desperta.

Juraria que tentaste falar, acredito que querias falar, comunicar...

Que dizer? Que lamento?

Claro que lamento... Lamento ter sido necessário chegar a tanto, lamento não te ter perguntado se assim querias... E se tivesses recusado? O que teria acontecido? Não teria força suficiente para ir contra a tua vontade, mas também não seria capaz de nada fazer...

Sinto-me atormentada...

Não sei como irás encarar esta nova realidade.

 

Sei que sempre foste forte e corajosa, que sempre encaraste de frente todas as adversidades e desafios.

Acredito que serás capaz de enfrentar mais este, acredito que terás força e tenacidade.

E o que mais resta, senão acreditar?

 

publicado por Abigai às 10:09

Janeiro 25 2012

Como num simples e fraco abrir de olhos tudo muda...

Ontem abriste os olhos para mim... Um olhar disperso, é certo, um olhar vazio mas sem sinais de agonia, um simples olhar inexpressivo, mas um olhar...

Um simples olhar, uma euforia descontrolada...

Como um simples gesto ao qual geralmente não prestamos atenção, em determinadas situações, pode mudar tudo...

Um simples olhar, uma importância vital, uma esperança reforçada...

 

publicado por Abigai às 10:20

Janeiro 23 2012

 

Da minha infância, lembro-me de te ouvir cantar...
Cantavas para espantar os teus males, cantavas agora e depois, cantavas...
Lembro-me de fazer asneiras, de desobedecer... e de te ouvir cantar. Lembro-me que te perguntava se cantavas de bem ou de mal.
Lembro-me das roupas que fazias para mim, lembro-me de sentir-me vaidosa com as lindas fatiotas que costuravas, lembro-me até dos professores elogiarem as minhas vestimentas...
Lembro-me de te ver sempre igual, para mim nunca envelheceste... lembro-me que foste sempre andando.
Lembro-me da tua força, da tua coragem face às adversidades, da tua vontade e tenacidade.
Lembro-me que sempre estiveste ao meu lado, mesmo quando eu perdia a razão.
Lembro-me de tudo.
Lembro-me que sempre admirei a forma como enfrentaste os teus males, as tuas dores, a forma como lutaste contra este fraco destino de sofrimento e lembro-me de dizer com muita frequência que não tenho esta tua força. E sei que não tenho.
Hoje, perante este presente que nunca esperei, perante esta espera insustentável e desesperante, peço-te perdão.
Sinto-me egoísta por ter desejado uma cura que talvez não passe de mais um sacrifício para ti, de mais sofrimento...
Talvez nunca me perdoes, mas naquele momento, não fui capaz de fechar a página e dizer-te adeus, simplesmente não fui capaz, não naquele dia...

Por isso peço: perdoa-me...

 

publicado por Abigai às 11:20

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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