Abigai

Março 16 2010

Hoje, ao ler este post e este, recordei os tempos em que as minhas noites eram de desespero devido aos terrores nocturnos do G., e como agora, por vezes, até se tornam divertidas com os seus episódios de sonambulismo.

 

Os terrores nocturnos, muito diferentes dos pesadelos, são uma alteração do sono frequente em crianças, em que há um despertar abrupto e acompanhado de sinais de ansiedade intensa, geralmente nas primeiras horas de sono.

A criança acorda em sobressalto, uma ou duas horas depois de ter adormecido, com um grito de pânico a que se segue um período em que manifesta grande ansiedade, com o olhar fixo, sudação, respiração rápida, aceleração dos batimentos cardíacos e movimentos descoordenados. A agitação dura alguns minutos e não cede às tentativas de conforto por parte dos pais.

No terror nocturno, a criança grita – muitas vezes um autêntico grito de terror, mas ao contrário do pesadelo, em que o próprio está assustado, quem fica mais receoso, neste caso, são os pais -, senta-se, está agitada, parece estar a lutar contra monstros ou «possuída», às vezes quase alucinada. Mas não está acordada, como nos pesadelos.
Quando o episódio termina, a criança volta a adormecer e não se recorda do que se passou, quer seja acordada a seguir, quer na manhã seguinte.
 

O G. passou por uma longa fase de terrores nocturnos, ver um filho a gritar, assustado, a espernear, a bater nas paredes, é simplesmente assustador, e não poder fazer nada para o reconfortar ou aliviar, leva-nos a um sentimento de impotência desesperador.

Até aos 7 anos o G. teve regularmente terrores nocturnos.

As nossas noites eram de desespero e não raras foram as vezes em que me sentei no chão, junto à caminha dele, a chorar...

Aos poucos os episódios foram diminuindo até que cessaram por completo dando lugar a episódios de sonambulismo, menos assustadores e por vezes até divertidos.

A primeira vez foi curiosa porque não percebi de imediato que ele estava a dormir, deambulando pela casa resmungando comigo num monólogo incompreensível.

 

É mais frequente entre as crianças e, tal como os pesadelos, são parassónias, fenómenos que ocorrem durante o sono e que não o interrompem.

O sonambulismo acompanha-se de movimentos na cama, falar nocturno, deambulação mais ou menos complexa e não é isento de riscos, havendo histórias de indivíduos que sofrem acidentes durante estes episódios.

Durante um episódio de sonambulismo o estado de alerta fica reduzido e verifica-se uma ausência relativa de resposta à comunicação com os outros: um "olhar vazio".
Normalmente ocorrem no primeiro terço do período de tempo de sono (durante o sono profundo), é difícil acordar o sonâmbulo e este pode até ter uma reacção violenta.
Já acordado é muito provável que o sonâmbulo não tenha memória do que sucedeu.

Durante o episódio é comum que a criança fale ou pronuncie algumas palavras incompreensíveis, murmurando, resmungando ou dizendo palavras que normalmente não utiliza.
Durante os "passeios" nocturnos involuntários, a criança pode limitar-se a dar algumas voltas no interior do seu quarto ou a levantar-se e ficar sentada na cama olhando em seu redor, com expressão de admiração ou de surpresa.
No entanto, os episódios também podem ser mais perturbantes: a criança pode começar a correr e a gritar. 

 

Acontece regularmente com o G., sobretudo quando o dia foi mais agitado.

Segundo a pedopsiquiatra que o acompanha, é frequente em crianças hiperactivas, sendo que os episódios tendem a desaparecer com o tempo podendo contudo prolongarem-se até à adolescência.

Em suma, ainda tenho alguns anos de diversão nocturna pela frente.

 

publicado por Abigai às 14:51

Eu fui sonâmbula em criança, mas isso foi passando com a idade... Não me parece que seja o caso da Laura, mas estou alerta em relação a essa possibilidade. Volto a reforçar a minh admiração e respeito pelas mães de crianças hiperactivas, é preciso muito amor, dedicação e conhecimento profundo da situação para enfrentar tudo da melhor maneira.
beijos e mil sorrisos
:o)))
mil sorrisos a 16 de Março de 2010 às 16:07

Por vezes é de facto difícil ser mãe de um menino hiperactivo, mas existem casos muito mais complicados do que o Gabriel, com paciência e perceverância até se lida mais ao menos bem com ele.
Mas os episódios de terrores nocturnos ou sonambulismo não são exclusivos da hiperactividade e são no meu entender muito mais difíceis, além do sentimento de impotência dos pais, o descanso tão necessário é comprometido.
Bjs,
Anabela
Abigai a 16 de Março de 2010 às 16:42

Olá
Foi importante passar por aqui, porque fiquei a saber uma coisa que desconhecia. Nunca tinha ouvido falar de terrores nocturnos e do se sofre com isso, apenas conhecia o sonambulismo.
Penso que com a tua determinação, porque já reparei que a tens, estás a superar e a saber lidar da melhor forma com a situação. Quando se entende o porquê dos problemas e se tem orientação médica nesse sentido, torna-se mais fácil gerir o problema.
Espero e desejo que o teu G. possa rapidamente dormir tranquilo.
Bom fim de semana
Beijos
Manu
Existe um Olhar a 19 de Março de 2010 às 20:13

Olá Manu, determinação, realmente não me falta, mas por vezes o cansaço vence-me! O G. nunca se recorda destes episódios, imagino que não deve contudo descansar o suficiente, mas felizmente não se apercebe de nada.
Com o tempo têm vindo a ser menos frequentes e espero que assim continue até acabar de vez... A ver vamos.
Beijinhos,
Anabela
Abigai a 22 de Março de 2010 às 10:29

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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