Abigai

Setembro 16 2010

Na passada quinta-feira decorreu a apresentação à nova escola do G.

Foi bom, quer para os pais quer para as crianças. Houve uma pequena sessão de esclarecimentos sobre o funcionamento da escola, primeiro com todos os alunos do 5º ano e pais, depois turma a turma com a professora directora de turma também com pais e alunos. A seguir, a professora fez uma visita guiada aos alunos que voltaram encantados com a nova escola e seu funcionamento.

No dia seguinte, houve mais uma apresentação, só com os alunos, onde mais uma vez foi-lhes dado a conhecer as regras de funcionamento e comportamento adequado, etc....

O G. ficou encantado, tudo levava a crer que iria correr bem.

Adorou sentir-se mais crescido, de cartão em punho e logo na sexta-feira estreou-o para comprar o lanche. Só para experimentar, porque isso de comprar lanches todos os dias não me parece boa ideia... além de não comprar o mais adequado, fica caro, e prefiro que leve de casa algo mais nutritivo e saber o que come.

Mas isso tudo e, apesar de ter corrido aparentemente muito bem, foi só apresentação... O pior estava ainda para vir!

 

Destes primeiros dias....

 

Segunda-feira, primeiro dia.

De manhã correu tudo muito bem, estava ansioso por voltar à escola. Além de gostar muito da escola, gosta dos amigos.

Não iria ter aulas de manha, apenas de tarde, e, como tal, levei-o para o ATL que, depois do almoço se encarregaria de o levar à escola.

Até aí tudo muito bem, tomou a medicação sem grandes problemas... alias penso que este problema está definitivamente resolvido, assim parece!

Depois de o deixar lá, fui para o emprego "descansada"? Nem por isso...

Pelo que vi no dia da apresentação, as regras de funcionamento, de bom comportamento, dos miúdos todos aparentemente mais maturos, as diferentes salas, a dimensão da escola, os curtos intervalos, o cartão de acesso e pagamento, etc... fiquei preocupada. Fiz os possíveis para não deixar transparecer a minha preocupação e esperei para ver o que dava.

Pois bem... quando cheguei a casa ao final do dia, o olhar do G. não me deixou dúvidas: algo tinha corrido mal!

Logo no primeiro dia, teve aula de educação física. O professor explicou as regras da disciplina - levar fato de treino ou calção num saco, sapatilhas para trocar lá, tomar banho no final da aula, ter um loquete para guardar o material nos cacifos, etc... - e entregou uma ficha para ser preenchida pelo alunos. Além do G. ter ficado preocupado com tantas e tantas regras, entrou em pânico com o preenchimento da ficha.

Tinha de preencher a morada, os contactos dos pais, etc - na verdade não vi a ficha pelo que não sei exactamente do que se tratava -, e, não soube responder a tudo nem percebeu bem o que lhe era solicitado.

Apesar de todos os nossos esforços ao longo destes anos, o G. ainda não consegue dizer com clareza o nome da rua onde vive, nem o nº da porta, e muito menos os contactos telefónicos dos pais.

Sendo ele também muito retraído e tímido, também não se sentiu capaz de falar com o professor e dizer que não sabia. Fez o que soube, deixou muitos espaços por preencher e quando chegou a casa nesse dia, estava tão angustiado que nem conseguiu jantar!

Pelo que percebi, os professores, de um modo geral, ainda não sabem, além da directora de turma, que o G. está sinalizado com dificuldades de aprendizagem. Sei que ainda há dias começou, que tenho que dar tempo também aos professores, mas na verdade, está a começar mal, sobretudo para o G. que se sente totalmente perdido.

No dia seguinte, teve apresentação de Inglês e foi de mal a pior. Nestes últimos 4 anos de primária, o G. não frequentou qualquer actividade extra-curricular - já tinha muito com que se preocupar, não precisava de mais -, e como tal, não teve Inglês.

Nunca imaginei que numa primeira aula, a professora fosse logo falar em Inglês com os alunos, mas foi assim que aconteceu. Além de falar em Inglês, incompreensível para o G. e outros colegas - uma minoria -, escreveu sumário e uma série de frases e palavras no quadro para os miúdos passarem para o caderno.

Mais uma vez, o G. não foi capaz de fazer perguntas e passou como entendeu, cheio de erros, confundindo letras e palavras. A maioria dos erros fui capaz de corrigir, alguns nem eu percebi!

E assim passou-se mais uma noite de choro, de desespero, de agonia...

 

O G. está a iniciar este 5º ano cheio de receios, com fraca auto-estima e dito por ele: "mãe... eu sei que não vou conseguir, sou burro!"

Tentei falar com a psicóloga educacional que o acompanhou no 4º ano e que, supostamente iria continuar este ano, com mais apoio ainda porque agora, o G. está na sede do agrupamento, onde a psicóloga está. Pois... tentei!

Fiquei a saber que a colocação da psicóloga é por concurso, que não está nos quadros e nesta fase, ainda aguardam os resultados do concurso para saber quem vem. Poderá ser a mesma psicóloga - disseram-me contar com isso -, mas pode ser outra qualquer.

 

A agora já somos dois... eu também sinto-me completamente perdida!

Sei muito bem que é cedo para tirar conclusões, mas é ou não é de ficar preocupada com estes primeiros dias?

 

publicado por Abigai às 19:12

Olá

Acho para já que tens que pensar um dia de cada vez... é uma mudança muito grande, tens que lhe dar tempo a se ambientar... ver como as coisas correm, entrar em desespero desde já não te ajuda nada.

Jorge
Jorge Soares a 16 de Setembro de 2010 às 20:12

Olá Jorge,

É exactamente isso que tento fazer e penso não deixar transparecer a minha preocupação, principalmente ao G. Evitamos falar na presença dele, mas a verdade é que tem ido de mal a pior, o G. não conta o que se passa, só chora, e ficamos a saber pelos colegas, ainda ontem, na aula de inglês ficou a chorar.
Sei que é ainda muito cedo, que a adaptação é demorada e difícil, mas é também para nós muito custoso ver um filho a sofrer.

Anabela
Abigai a 17 de Setembro de 2010 às 09:25

Sempre que iniciamos algo de novo nas nossas vidas, mesmo para nós adultos, ficamos sempre com um nó no estômago e alguma apreensão, não é verdade? Agora imagina como se sentirá o teu G.com todos os problemas inerentes ao seu caso.
Permite-me que te diga para tentares não deixar transparecer essa tua ansiedade. As crianças são por norma muito sensíveis e captam com maior facilidade o nosso estado de espírito.
Pensa positivo e vais ver que daqui a uns dias o teu filho ultrapassará barreiras que hoje parecem intransponíveis.

Beijos
Manu
Existe um Olhar a 16 de Setembro de 2010 às 21:25

Olá Manu,

Sim é verdade e penso conseguir não mostrar a minha preocupação, mas tem sido muito difícil. Já esperava isso, estava preparada para isso, mas está a ser muito mais do que pensava. Tem vindo para casa todos os dias a chorar, e tenho muito receio que desista.
Não sou professora, não conheço os melhores ou piores métodos de ensino, é verdade, mas não compreendo como numa primeira aula de inglês se pode fazer perguntas em inglês a um miudo que nunca aprendeu nada dessa lingua, e insistir 5 / 6 vezes e esperar uma resposta... Foi isso que aconteceu ontem, e o G. ficou o resto da aula a chhorar, sem perceber o que a professora queria dele.
Acredito que seja uma forma da professora saber quem tem bases ou não, mas insistir dessa forma não me parece muito pedagógico, irá apenas servir para que ganhe aversão à disciplina, não te parece?
Ainda é cedo e nem quero ainda pensar em ter que falar com os professores, eles próprios também precisam de tempo para conhecer as crianças e saber as dificuldades que têm, mas para o G. está a ser uma tortura e só tenho medo que desista.
Beijinhos,
Anabela
Abigai a 17 de Setembro de 2010 às 09:30

Há que dar tempo para o DT informar os colegas acerca das características do G. . Depois disso estou certa que actuarão de acordo com as suas particularidades... Essencial seria mesmo o acompanhamento pela psicóloga que já o conhece bem, de certeza que ela lhe iria restituir alguma da auto-confiança perdida. Vai correr bem!
beijos e mil sorrisos
:o)))
mil sorrisos a 16 de Setembro de 2010 às 21:50

Olá, é isso mesmo que penso, dar tempo aos professores para saberem com que miudos estão a lidar, mas não seria de prever que já soubessem? O G. está sinalisado há mais de um ano, tem tido acompanhamento precisamente nessa escola, o processo dele está lá e a DT está informada.
Sei que tenho que ser paciente, sei que são mais professores e que é mais difícil, mas custa muito ver um filho tão magoado, tão triste, a chegar a casa todos os dias a chorar.
E claro, se a psicologa estivesse lá, provavelmente seria mais fácil, quer para o G., quer para nós pais, mas enfim... é o ensino que temos, né?
Beijinhos,
Anabela
Abigai a 17 de Setembro de 2010 às 09:34

Ai como te percebo tão bem. E talvez por a minha filha ter entrado o ano passado para o 5º ano, eu tenha a nitida sensação de como a transição é brutal...e de quais as capacidade minimas necessárias para se conseguir sobreviver num 5º ano. No caso da minha filha...na 1ª aula de ingles teve um teste escrito em ingles para averiguar os conhecimentos previos dos alunos.

Por tudo isso, nós travamos uma enorme batalha para o N. repetir o 4º ano, para ter tempo para amadurecer, ter tempo para fazer as Actividades de Enriquecimento Curriculares e assim preparamos mais suavemente a transição para o 5º ano.
Bem, o meu concelho é que não percas tempo, reune-te com a DT, e exige falar com a equipa que vai seguir o G. , exige saber qual o plano de intervenção, para cada disciplina em particular. Pois se não formos nós a lutar pelos nossos meninos...no meio da confusão, ninguem se lembra deles.

Beijinhos
Patricia


patricia a 17 de Setembro de 2010 às 21:43

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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