Abigai

Março 20 2013

 

 

Cá estou eu de volta... e para descansar e agradecer todos que ficaram de certa forma preocupados com o estado de espírito patente no último post, saliento: "bem" de volta e pronta para enfrentar mais adversidades...

Não vou negar que estava ligeiramente em baixo, contudo, não deixei de referir que sou uma optimista nata! E como tal, regresso com muitas mudanças...

Como já era de prever pela referência que fiz anteriormente aos recentes problemas laborais, estou com salários em atraso desde Janeiro e a aguardar a conclusão do processo de despedimento colectivo em curso na empresa onde exerço e no qual fui englobada. Estou há cerca de 5 semanas em casa, uma vez que o local onde prestava serviço já fechou portas. Obviamente estou preocupada com os vencimentos em atraso e com o facto de ainda não estar oficialmente desempregada, pois só então irei passar a receber o subsídio de desemprego.

Contudo - e mais uma vez, lá vem o meu optimismo -, não estou há 5 semanas de férias. Decidi aproveitar a sugestão do nosso sábio primeiro ministro e, sendo o desemprego uma oportunidade, decidi dar uma volta à minha vida. Não que já não tivesse pensado nisso - até porque, tendo em conta a minha patologia, é de prever que um dia tenha que deixar de trabalhar -, mas planeava tomar esta iniciativa dentro de uns anitos e não agora.

O meu trabalho consiste em projectar móveis e decoração em foto-realismo tridimensional. Há uns anos, fiquei com uma licença do software que utilizo, como forma de pagamento de outros salários em atraso, numa outra empresa... até parece que a precariedade me persegue! Trata-se de um software caríssimo, que não faz milagres mas que não anda longe disso. Desde então, tenho utilizado essa licença para elaborar alguns projectos por minha conta, poucos pela falta de tempo que sobra a quem trabalha a tempo inteiro, mas tem sido um complemento mensal simpático.

Uma vez que estava em casa, resolvi procurar mais cliente. Pensei muito, planeei criar uma página na internet, enviar e-mails a empresa para apresentar e oferecer os meus serviços, até iniciei um projecto completo de raiz a partir de um loft totalmente idealizado, projectado, mobilado e decorado... Mas não passaram de planos! Não tive nem tempo nem oportunidade!

Quero crer que este incansável optimismo consegue captar e atrair suficiente energia positiva para que tudo possa acontecer... Sem procurá-los - até porque ainda estou numa fase de transição -, os clientes surgiram, encontraram-me e de um momento para o outro, fiquei sem tempo!

Sei que ser freelancer é incerto, tenho consciência que não terei o mesmo vencimento que tinha, ainda tenho também muito que planear e organizar - ser trabalhador independente também fica caro! -, contudo, de uma coisa eu não tenho qualquer dúvida: posso até ter que apertar o cinto e ter que adquirir novos hábitos de consumo, mas maior qualidade de vida tenho a certeza que não irei encontrar. Trabalhar em casa, ao ritmo que mais me convier, ter mais tempo para a casa e para o G., para preparar as refeições e acompanhar os estudos, é realmente fabuloso...

 

 

 

publicado por Abigai às 02:45

Janeiro 31 2012

Atormentada pela decisão que tomei por ti e quando começava a acreditar que te encaminhavas para o melhor desfecho possível, voltamos à estaca zero, ao ponto de partida...

Neste momento angustiante, lembrei-me deste livro...

"Este livro é um livro de vida (...). É um livro para reflectir, pensar e mesmo confrontar. É um livro onde todos estamos ligados."

E confesso... como gostava de ver a vida e a morte com são encaradas neste livro de Carlos Almeida.

Na contracapa do livro está um poema de Henry Scott Holland, o mesmo com o qual concluí este romance e após o qual ainda podemos ler:

"Afinal a vida e a morte moram juntas, lado a lado, na península dos corpos. A vida e a morte são a maior das fronteiras de nós mesmos."

 

A morte nada é.

Eu apenas estou do outro lado

Eu sou eu, tu és tu.

Aquilo que éramos um para o outro

Continuamos a ser.

Chama-me com sempre me chamaste.

Fala-me como sempre me falaste.

Não mudes o tom da tua voz,

Nem faças um ar solene ou triste.

Continua a rir daquilo que juntos nos fazia rir.

Brinca, sorri, pensa em mim,

Reza por mim.

Que o meu nome seja pronunciado em casa

Com sempre foi;

Sem qualquer ênfase,

Sem qualquer sombra.

A vida significa o que sempre significou.

Ela é aquilo que sempre foi.

O 'fio' não foi cortado.

Porque é que eu, estando longe do teu olhar,

Estaria longe do teu pensamento?

Espero-te, não estou muito longe,

Somente do outro lado do caminho.

Como vês, tudo está bem.

Henry Scott Holland

 

Uma vida em suspenso, atormentada, angustiada, este sofrimento, o teu sofrimento.... agora mais sereno, inconsciente, silencioso...

 

publicado por Abigai às 12:35

Janeiro 27 2012

Sei que não é muito, mas é um começo.

Sei que ainda nada está decidido, mas quero acreditar que existe um futuro.

 

Ontem já estavas mais reactiva, mais desperta.

Juraria que tentaste falar, acredito que querias falar, comunicar...

Que dizer? Que lamento?

Claro que lamento... Lamento ter sido necessário chegar a tanto, lamento não te ter perguntado se assim querias... E se tivesses recusado? O que teria acontecido? Não teria força suficiente para ir contra a tua vontade, mas também não seria capaz de nada fazer...

Sinto-me atormentada...

Não sei como irás encarar esta nova realidade.

 

Sei que sempre foste forte e corajosa, que sempre encaraste de frente todas as adversidades e desafios.

Acredito que serás capaz de enfrentar mais este, acredito que terás força e tenacidade.

E o que mais resta, senão acreditar?

 

publicado por Abigai às 10:09

Janeiro 25 2012

Como num simples e fraco abrir de olhos tudo muda...

Ontem abriste os olhos para mim... Um olhar disperso, é certo, um olhar vazio mas sem sinais de agonia, um simples olhar inexpressivo, mas um olhar...

Um simples olhar, uma euforia descontrolada...

Como um simples gesto ao qual geralmente não prestamos atenção, em determinadas situações, pode mudar tudo...

Um simples olhar, uma importância vital, uma esperança reforçada...

 

publicado por Abigai às 10:20

Janeiro 23 2012

 

Da minha infância, lembro-me de te ouvir cantar...
Cantavas para espantar os teus males, cantavas agora e depois, cantavas...
Lembro-me de fazer asneiras, de desobedecer... e de te ouvir cantar. Lembro-me que te perguntava se cantavas de bem ou de mal.
Lembro-me das roupas que fazias para mim, lembro-me de sentir-me vaidosa com as lindas fatiotas que costuravas, lembro-me até dos professores elogiarem as minhas vestimentas...
Lembro-me de te ver sempre igual, para mim nunca envelheceste... lembro-me que foste sempre andando.
Lembro-me da tua força, da tua coragem face às adversidades, da tua vontade e tenacidade.
Lembro-me que sempre estiveste ao meu lado, mesmo quando eu perdia a razão.
Lembro-me de tudo.
Lembro-me que sempre admirei a forma como enfrentaste os teus males, as tuas dores, a forma como lutaste contra este fraco destino de sofrimento e lembro-me de dizer com muita frequência que não tenho esta tua força. E sei que não tenho.
Hoje, perante este presente que nunca esperei, perante esta espera insustentável e desesperante, peço-te perdão.
Sinto-me egoísta por ter desejado uma cura que talvez não passe de mais um sacrifício para ti, de mais sofrimento...
Talvez nunca me perdoes, mas naquele momento, não fui capaz de fechar a página e dizer-te adeus, simplesmente não fui capaz, não naquele dia...

Por isso peço: perdoa-me...

 

publicado por Abigai às 11:20

Outubro 20 2011

aqui falei sobre auto-estima, confiança e motivação.
Qualquer pessoa, seja ou não hiperactiva, necessita sentir-se reconhecida.
O reconhecimento das qualidades, sejam elas físicas, pessoais ou profissionais, permitem reforçar a auto-estima, tão importante para enfrentarmos a vida.
Há dias, quando vi o Abigai nos destaques do sapo, senti uma pitada de orgulho... Porquê? Simples, é uma forma de reconhecimento!
 

O G. é muito negativo, tem tendência a achar-se incapaz, inferior, nas palavras dele muitas vezes "burro", e fica paralisado ao mínimo obstáculo.
Acredito que a terapia que iniciou no passado sábado ajude a ultrapassar estes bloqueios que tanto o inibam de "viver".
É um menino muito esforçado na escola, está constantemente preocupado com os trabalhos de casa, com as regras e com tudo o que os professores poderão dizer, pensar ou fazer.
É com frequência chamado a atenção pelo professores porque demora muito a passar o que está escrito no quadro, porque tem que estudar mais, porque tem que se esforçar mais, etc...
À excepção feita da directora de turma e também professora de História, não se sente reconhecido, não sente que o esforço compensa, e por vezes noto nele a vontade de desistir.
Quando à noite revejo com ele os cadernos, os trabalhos de casa ou insisto com ele para em primeiro lugar colocar as obrigações e só depois o lazer, responde-me torto, refila, exalta-se e não há dia nenhum que não acabe com discussões, lições de moral e por vezes choros compulsivos.
 

Tento sempre reforçar a auto-estima do G. enaltecendo o esforço que faz, fazendo-lhe ver que por muito que parece injusto, uma criança com as dificuldades que tem precisa de estudar mais do que os colegas, que desde que se empenhe nunca irei ficar triste se trouxer notas baixas, mas remar contra a maré é difícil, cansativo e pouco compensatório.
Bastava que se sentisse reconhecido para não desanimar, para não desistir...
Será assim tão difícil um professor ver e compreender o esforço de uma criança com imensas dificuldade mas que leva sempre os trabalhos feitos, tem os cadernos impecáveis e, apesar de sinalizado com hiperactividade e défice de atenção, comporta-se bem na sala de aulas? Uma criança que mesmo não sabendo responder às perguntas dos testes não deixa um espaço em branco?
Será assim tão difícil um professor dar uma palavra de reconhecimento a uma criança tão necessitada de apoio, não de apoio escolar mas de uma simples palavra?
É claro que o facto de ter muitos medos e receios, de ser envergonhado e tímido, não ajuda.
É incapaz de perguntar a um professor o significado de uma palavra, de uma pergunta e tendo défice de compreensão, são muitas as vezes que responde ao lado da pergunta. Por um lado receia perguntar por timidez, por outro tem medo que o professor implique ou reaja mal por perguntar, para já não falar do pavor que tem em ser "gozado" pelos colegas. A aceitação dos outros é tão importantes nestas crianças.
 

Quero acreditar que consiga ultrapassar esta fase com a ajuda da terapia e do psicólogo mas temo que, sem a ajuda, disponibilidade e boa vontade dos professores, seja um esforço em vão.

publicado por Abigai às 15:17

Setembro 02 2011

 

 

A maior descoberta da minha geração é que qualquer ser humano pode mudar de vida, mudando de atitude”

William James (1842-1910)

 

Sou de natureza muito optimista. Tento sempre ver o lado bom de cada coisa ou situação.

Existe sempre um lado positivo. O negativismo irrita-me e acredito que se procurarmos ter confiança em nós e nas nossas capacidade, conseguimos mais cedo ou mais tarde alcançar e atingir os nossos objectivos.

 

Auto-estima*

s.f.

Apreço ou valorização que uma pessoa confere a si própria, permitindo-lhe confiança nos próprios actos e pensamentos.

 

Confiança*

s.f.

1. Confiança proveniente da convicção no próprio valor.

2. Fé que se deposita em alguém

3. Esperança firme.

.

 

Ter boa auto-estima é importante mas não será suficiente, precisamos também de motivação.

Sem motivação é difícil obter bons resultados, seja em que actividade for.

Por outro lado, sem auto-estima e sem auto-confiança, sentimo-nos constantemente perseguidos pela dúvida, pela insegurança e pela incerteza.

Há uns bons anos atrás, apesar de saber-me competente profissionalmente, não tinha essa segurança que hoje tenho. Estava na mesma empresa há 10 anos e, embora apresentasse bons resultados, raramente sentia-me recompensada ou reconhecida por isso, até que um dia, no meio de um grande reboliço e mudanças no seio da empresa, um novo colega fez-me ver que tinha capacidades para ir muito mais além. O reconhecimento dele fez subir a minha auto-estima e a confiança que deposito hoje em mim e nas minhas competência.

Nessa mesma altura, assisti a uma formação sobre motivação e houve algo no discurso do formador que ficou bem gravado na minha memória e que, confesso, pratico diariamente.

Dizia ele que a receita para o sucesso se resumia a, de manhã ao levantar, olharmos para o espelho e dizer para nós próprios “sou bom, sou mesmo muito bom e hoje vou ter um dia fantástico”.

Se não gostarmos de nós próprios, quem gostará? Que imagem iremos projectar no ambiente em que nos inserimos? Auto-estima não é apenas a avaliação subjectiva que fazemos de nós próprios, positiva ou negativa, mas também a imagem pessoal e irá sem dúvida reflectir-se na forma como a “vendemos”.

Cabe a cada um de nós encontrar os mecanismos necessários para ultrapassar os sentimentos negativos que temos em relação a nós próprios de forma a alcançar a segurança necessária para atingir os nossos objectivos, ser positivos e projectar o nosso optimismo.

 

Segurança*

s.f.

.

6. Sentimento de força interior ou de crença em si-mesmo. = Certeza, confiança, firmeza.

.

 

O segredo do sucesso está na nossa capacidade de enfrentar os obstáculos, com firmeza, confiança, dedicação e motivação, na nossa auto-estima e na certeza que podemos ir sempre mais além, sem medos. Não podemos concluir ser incapaz sem tentar, devemos colocar os nossos receios de lado e trabalhar no sentido de alcançar os nossos objectivos, sejam eles quais forem, e não falo em ser melhor ou superior aos outros, porque obviamente não seremos todos génios e haverá sempre alguém com mais capacidades intelectuais.

Auto-estima, motivação e sucesso não tem a ver com inteligência mas com sentirmo-nos bem connosco, não termos medo de arriscar e sermos felizes.

 

* dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Imagem tirada da Internet

 

publicado por Abigai às 12:41

Outubro 25 2010

Acreditar que com paciência e insistência tudo é possível.

Acreditar que com perseverança e persistência se consegue chegar onde outros chegam.

 

 

Sim, acreditar é necessário e premeia quem com firmeza se empenha.

O G. fez o primeiro teste a Português a semana passada.

Como à sexta-feira tem aula de apoio de Português, a professora fez o favor de lhe entregar o teste e a nota.

Chegou a casa maravilhado, felicíssimo com a nota que obteve e fez a alegria dos pais. Obteve um satisfaz pouco, o que significa que teve entre 50 e 59%. Para muitos seria uma má nota, para nós é excelente. Pela primeira vez há já muito tempo, o G. chegou a casa com uma positiva a Português, prova que o esforço compensa.

 

Foi para o G. uma grande conquista: a primeira batalha está ganha mas tem perfeita consciência que ainda falta muito para vencer esta longa guerra do conhecimento.

 

Mas também aí se vê como tudo pode ser relativizado.

No fim-de-semana, a avó veio almoçar connosco, como faz todos os domingos. Está perfeitamente a par das dificuldades do G., mas, tal como o G. e o pai dele antes, é muito distraída e esquece-se facilmente das coisas. Alias, vendo bem e recuando no passado, diria que a hiperactividade dos meus homens vem dela. Pelo convívio, pelo feitio, pelas características todas, diria que também ela é hiperactiva... dizem que é hereditário, pela minha experiência, estou disposta a apostar que sim!

Quando chegou a casa, o G. foi imediatamente mostrar-lhe o teste, cheio de orgulho pela nota que obteve e o desgosto dele não podia ter sido maior: a avó mostrou-se logo desapontada por achar a nota muito fraquinha... esquecendo-se que, tendo em conta as dificuldades do G., o resultado até foi muito bom e um incentivo.

 

De facto, para qualquer um, este resultado, embora positivo, seria fraco.

Para o G. foi muito bom.

Para nós, pais, foi fantástico ver a sua satisfação, a sua alegria.

Agora, é só seguir este ritmo e continuar com o bom trabalho.

 

publicado por Abigai às 19:17

Maio 26 2010

Voar

 

Eu queria ser astronauta
O meu país não deixou
Depois quis ir jogar á bola
A minha mãe não deixou
Tive vontade de voltar á escola
Mas o doutor não deixou
Fechei os olhos e tentei dormir
Aquela dor não deixou


Ó meu anjo da guarda
Faz-me voltar a sonhar
Faz-me ser astronauta e voar

O meu quarto é o meu mundo
O ecrã é a janela
Não choro em frente á minha mãe
Eu que gosto tanto dela
Mas esta dor não quer desaparecer
Vai-me levar com ela

Ó meu anjo da guarda
Faz-me voltar a sonhar
Faz-me ser astronauta e voar

Acordar, meter os pés no chão
Levantar e dar o que tens para dar
Voltar a rir, voltar a andar
Voltar, voltar
Voltarei
Voltarei

 

Ouvir esta canção dos Xutos & Pontapés lembra-me algo tão importante e muitas vezes esquecido e que confesso descorar ultimamente: sonhar.

Sonhar é fundamental para enfrentarmos a vida, sentirmo-nos motivados para a vida, ter perspectivas de futuro de forma a encarar com entusiasmo e optimismo a nossa caminhada.

O que nos motiva?

O que nos leva a ser tenaz, vencer obstáculos, e a não desistir ao primeiro fracasso?

Acreditar que tudo o que sonhamos está ao nosso alcance.

As pedras encontradas pelo caminho, as portas que se fecharam, as oportunidades que se perdem, as decisões mal tomadas, não podem servir de desculpas, de “muletas” para deixar de alimentar os nossos sonhos, pelo contrário, devem servir para fortalecer a nossa determinação em concretizá-los.

 

E agora para descontrair...

 

publicado por Abigai às 11:55

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
mais sobre mim
Março 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
21
22
23

24
25
26
27
29
30

31


Posts mais comentados
Visitas
pesquisar
 
Facebook
Portal dos Sites
blogs SAPO