Abigai

Junho 20 2011

O G. anda completamente perdido...

 

Surge uma paixão quando de repente o coração bate de forma diferente na presença de outra pessoa. Não se escolhe uma paixão. Ela chega e toma conta de todo o ser. Surge uma forte combinação química, mas exite um limite de tempo para se viver uma grande paixão.

A professora Cindy Hazan, da Universidade Cornell de Nova Iorque, diz: "os seres humanos são biologicamente programados para se sentirem apaixonados durante 18 a 30 meses". Ela entrevistou e testou 5.000 pessoas de 37 culturas diferentes e descobriu que a paixão possui um "tempo de vida" longo o suficiente para que o casal se conheça

A pesquisadora identificou algumas substâncias responsáveis pelo amor-paixão: dopamina, feniletilamina e ocitocina. Estes produtos químicos são todos relativamente comuns no corpo humano, mas são encontrados juntos apenas durante as fases iniciais do namoro. Ainda assim, com o tempo, o organismo torna-se resistente aos seus efeitos e toda a "loucura" da paixão desvanece gradualmente, A fase de atracção não dura para sempre.

Se se sente nas nuvens, conta horas e minutos para ver alguém, é certo que foi fisgado pela paixão. Em qualquer etapa da vida o indivíduo pode ser atingido por este sentimento. Com o passar do tempo a paixão termina ou transforma-se em amor, ternura, companheirismo e às vezes amizade.

Os homens parecem ser mais susceptíveis à acção dessas substâncias. Eles apaixonam-se mais rápida e facilmente que as mulheres.

 

Pois.... será?

O G. anda precisamente nesta fase! Completamente apaixonado pela B., tem tido atitudes estranhas e feito coisas nunca antes vistas!

Habitualmente, almoça no ATL à excepção das 2ª e 6ª feiras em que, por causas das aulas de apoio a Português e Matemáticas, tem que ficar na escola. Assim, só adquiro senhas de almoço na escola para esses dias. Nos restantes dias da semana, a carrinha do ATL vai buscá-lo a ele e muitos outros para irem almoçar e depois regressa pela mesma via para as aulas da tarde.

Na passada 3ª feira recebi um telefonema da responsável do ATL a questionar se estava previsto o G. almoçar na escola, isso porque a funcionária que o foi buscar ligou para ela a dizer que o G. não estava com os colegas e que estes disseram que ele tinha ido directo para o refeitório da escola.

Como as funcionárias do ATL não estão autorizadas a entrar na escola, nada puderam fazer pois o G. nem ao portão da escola se dirigiu para dar qualquer satisfação, e daí ligaram-me.

Pois bem, o G. resolveu ficar a almoçar na escola por conta própria e adquiriu a senha.

Porquê?

Para poder almoçar com a namorada, com quem nunca almoça porque não anda no ATL com ele e nos poucos dias em que ele fica na escola, ela almoça em casa!

Chega-me a casa todos os dias com os braço e mãos pintados com corações, com dizeres do género "Amo-te B" "B. és linda", etc.

Escreve as mesmas palavras nos cadernos, nos livros e até no quadro de controlo da escovagem dos dentes que tem na parede da casa de banho!

Já não larga o Facebook, fala com a B., comenta com colegas os beijos que vai dando, enfim... inúmeras coisas impensáveis para mim nessa idade.

Nesta fase anda preocupadíssimo com o aproximar do final do ano lectivo, a B. não anda no ATL e ele não sabe como vai conseguir estar com ela nas férias, até porque a mãe da B. não permite que ela namore e como tal, vai ser "difícil convidá-la, ir a casa dela ou combinar uma saída..."

E eu de boca aberta a olhar para ele, sem resposta para tanta argumentação....

Se tiver que esperar 18 meses para que esta fase passe, estou bem tramada! Nunca pensei ter que me preocupar com os namoricos do G. aos 10 anos! Com vai ser aos 13 ou 14? Qualquer dia está a pedir-me para passar a noite fora, não?  

 

 

 

Mudando de assunto mas ainda dentro da mesma temática, o novo membro da família, o Nemo, coelhinho anão angorá, foi passar o fim-de-semana fora connosco, em casa dos familiares que o ofereceram ao G. e também donos dos pais do Nemo e da irmã Ticha.

Passou a noite com a Ticha e, de regresso a casa no Domingo à noite, ficou amuado. Já não reage à nossa vóz, já nem os nossos mimos quer, ficou sem dúvida apanhadinho pela Ticha, como podemos ver nesta foto. A miuda de olhos vermelhos parece ter deixado saudades...

 

Nestes últimos dias, parece que o amor anda mesmo no ar....

 

In Activa

Imagem retirada da Internet

Foto de Ticha e Nemo a 19-06-2011

publicado por Abigai às 14:49

Maio 30 2011

 

 

Estou sentada a olhar para o monitor, impávida e serena como raramente me sinto.

Penso na vida, nos sonhos realizados e nos que faltam ainda realizar.

Penso na minha família, no meu filho, na vida atarefada e agitada que levamos, nas horas contadas, nas correria, enfim... na vida a cem, ao bom sabor do G.

Penso no futuro, ou será o presente?

Penso nesta doença que me aflige e atormenta. Não que as dores estejam presentes e me lembrem do que aí vem. Felizmente o tratamento iniciado há pouco mais de um mês tem surtido efeito e a maior parte do dia é passada sem dores. Mas as dores não são tudo, há ainda muito para além delas. A cada dia que passa sinto que a rigidez aumenta, os movimentos são mais lentos, mas empenados, mais pesados. As noites são sempre difíceis e por mais que tente esquecer o que se avizinha, elas encarregam-se de me lembrar que o pior ainda está para vir.

E penso....

Penso na minha mãe, no peso que carrega diariamente, nas dificuldades de locomoção que a perseguem, mas também na força de vontade que tem, na resistência à adversidade, na capacidade que tem em aguentar as dores e seguir em frente, conseguindo ainda fazer as lidas da casa, arranjando até afazeres desnecessário, talvez uma forma de ocupar o tempo e não pensar...

Penso na minha obsessão pelo trabalho, e percebo.

Percebo que aqui, frente a este monitor, longe de mim e da vida, sinto-me alguém, sinto-me capaz.

Penso que não aguentaria o que a minha mãe aguenta, que não suportaria sentir-me um peso para os outros, sentir-me dependente.

É frequente a minha mãe deixar entender que se sente um 'estorvo', que 'só dá trabalho'. Nessas alturas aborreço-me com ela e tento que entenda que não me custa nada, que tudo o que faço, todos os 'sacrifícios' ou 'escolhas' que tive que fazer para ficar junto dela não são nada comparado com o amor que sinto. Não sinto de maneira alguma estas opções como um frete, como uma obrigação. É claro que por vezes incomodo-me com certas 'exigências' que faz, é certo que não temos os mesmos princípios no que diz respeito à manutenção do lar e que tenho que ceder em algumas coisas, não vou dizer que é tudo 'cor-de-rosa', a convivência de várias pessoas no mesmo espaço leva sempre a alguns conflitos, só temos que saber lidar com eles, fazer algumas concessões e seguir em frente. Mas no geral, tem sido um prazer estar com ela, 'cuidar' dela, não que precise de um apoio constante, ainda é perfeitamente independente, mas precisa de ajuda em algumas tarefas uma vez que tem algumas limitações motoras. Sei que pode deitar-se sozinha, mas também sei que se a ajudar, será menos penoso, então espero o fim das novelas na TV e acompanho-a até à cama, é um miminho que me faz bem, é algo que irá ficar mais tarde, que me irá trazer também algum consolo, é um momento nosso, um momento de partilha e amor.

Quantas vezes me aconchegou na cama quando eu era pequena? Muitas, sem dúvida... Agora é a minha vez e acreditem, é uma sensação muito boa.

Apesar de ser um prazer para mim estar presente e, apesar de não o verbalizar, percebo que se sente um peso na minha vida. Não o é, garanto.

Atormenta-me pensar que um dia irei sentir isso. Não devia, eu sei, estou agora deste lado e não sinto este apoio que dou como uma obrigação, como um peso, então porque receio sê-lo no futuro?

Estou sentada a olhar para o monitor e penso...

Penso porque não estou ocupada. Pensar complica tudo...

Iniciei há pouco uma nova carreira profissional, um novo projecto ainda pouco divulgado e acontece ter momentos mortos, sem nada com que me ocupar.

É mau, muito mau... É mau porque em vez de viver o momento presente, o dia-a-dia, penso no futuro incerto e imprevisível como o é para todos, mas tenho um exemplo em casa do que pode vir a ser e o que mais queria era fugir dele...

 

Imagem retirada da Internet

publicado por Abigai às 16:26

Março 25 2010

 

 

O meu filho não é vítima de bullying, não tenho a mínima dúvida disso!

 

Tem amigos excepcionais, protectores, sempre atentos ao que se passa com ele, defendendo-o sempre dos que tentam aproveitarem-se da ingenuidade e inocência dele.

 

O G. dá uma importância fenomenal aos afectos descorando os bens materiais, sendo capaz de dar tudo o que tem e o que não tem em troca de uma qualquer demonstração de sentimentos.

 

Na passada segunda-feira fui contactada pelo ATL que frequenta porque o G. não se sentia bem, queixava-se de um aperto no coração e de falta de ar.

O ano passado, foram efectuados vários exames, inclusive um holter de 24 horas, para despistar problemas cardíacos denunciados por uma electro-cardiograma de rotina. Foi vistos pelos melhores cardiologistas pediatricos, foram feitos vários testes e a conclusão deixou-me, felizmente, mais descansada. Tem uma pequena assimetria de uma das válvulas, sem prejuizo do bom funcionamento do coração, não sendo por isso, necessária qualquer limitação na actividade física ou desportiva.

 

O pai foi buscá-lo ao ATL e de facto estava ofegante, o coração batia a uma velocidade impressionante, estava tenso e angustiado e teve dificuldades em subir os degraus quando chegou a casa.

"mais vale morrer do que viver assim"

Ficamos em choque. O que se teria passado para pronunciar tais palavras?

O G. é muito fechado sobre si, mas após muita insistência, muita paciência, acabou por confessar o que o atormentava e de imediato, todos os simptomas desapareceram.

Ainda falei com o pediatra, mas aparentemente não passou de um ataque de ansiedade que passou quando desabafou.

 

Pois é. Imaginamos logo o pior.

Mas o pior para uma criança de 9 anos pode, para nós, não ser nada. E, de facto, o que para nós é apenas uma brincadeira, foi sentida por ele como algo insuportável, angustiante, como uma perda iminente.

O B. é um dos melhores amigos dele, jogam futebol juntos na escola, ajuda-o nos trabalhos de casa no ATL, vem às vezes a casa para brincarem juntos, etc. É um menino da mesma idade mas mais desenvolvido, mais maduro, com excelentes resultados escolares e, sem dúvida, muito amigo do G. De há alguns meses para cá - não consegui saber desde quando - o B., sempre que passa pelo G., dá-lhe um pequeno encontrão para pegar com ele, mas sempre na brincadeira, para mim e sem dúvida para ele, sinal de amizade, mas interpretado pelo G. como "agressão", mantendo contudo as mesmas cumplicidades e actividades.

Além de não ter sido capaz de lidar com a "brincadeira", o G. guardou este sentimento para ele, não disse nada, até que, na passada segunda-feira, não aguentar mais a pressão.

A muito custo contou o que se passava, admitiu brincar o o B. como sempre o fez, que o B. nunca o magoou mas que não aguentava mais os encontrões... "ele já não gosta de mim..." disse ele.

Ou seja, o que para o B. é sinal de cumplicidade, de amizade, para o G. é sinal de perda, perda de um amigo, de um afecto.

Para quem já tem uma baixa auto-estima, o mais pequeno sinal de perda, pode traduzir-se num problema emocional muito grande. O G. tem constantemente a sensação de carregar os problemas do mundo às costas e o facto de não se abrir, de não falar dos seus tormentos, desencadeia um rio de emoções difícil de controlar.

 

Não foi vítima de bullying, não. Foi vítima de uma fraca auto-estima e de não saber interpretar um sinal de afecto.

O que será dele no próximo ano, numa escola maior, com mais crianças e crianças mais velhas?

O que será dele num meio escolar mais complexo?

Hoje, numa escola básica, com a protecção dos colegas, dos funcionários e da professora, não soube gerir os problemas emocionais que o atormentaram, como será mais tarde, como irá reagir?

E nós, pais, iremos perceber a tempo de o ajudar?

 

 

publicado por Abigai às 10:01

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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