Abigai

Outubro 23 2012

Na quarta-feira passada, levamos o G. à consulta de pediatria de desenvolvimento no Hospital S. João.

Confesso que, apesar da espera e da confusão de um hospital geral, saio sempre destas consultas com um sorriso nos lábios, muito mais confiante e segura das minhas decisões, e convicta de caminhar no bom sentido rumo a uma boa e acertada educação.

O G. encolhe-se todo a ouvir os sermões da pediatra, sempre pronto a responder como aliás faz em casa, mas capaz de segurar a língua!

A médica transmite confiança, segurança e muita sabedoria. Sem nunca melindrar aconselha e apoia. Nós sentimo-lo. O G. sente-o. E isso faz um bem à alma tremendo!

Entregou-nos um relatório para entregar na escola - mais um! -, e alertou-nos para esta nova fase que agora começa: a pré-adolescência. Sabemos que é uma fase difícil, e que o pior irá chegar dentro de uns 2 ou 3 anos (o G. ainda é muito imaturo para a idade cronológica, daí o espaço que ainda temos para nos prepararmos...). Já não tem sido muito fácil, mas por enquanto ainda o seguramos!

E como todos os anos por esta altura, aproveitamos para preencher o requerimento do complemento de abono por deficiência. Pois é! Deficiência!

O G. não é deficiente, apenas tem PHDA. Conheço crianças deficientes, uma em particular, irmão do meu afilhado, deficiente profundo. A mãe recebe o mesmo complemento que recebo pelo G. O mesmo!

Haverá comparação possível?

Não vou recusar os míseros € 59,00 que recebo, é pouco mas dá muito jeito! Não chega para a medicação e as consultas de psicologia, é verdade, mas ajuda. O que não compreendo é porque o valor é fixo, igual para todos, variando apenas consoante a idade. Isso, não consigo compreender. Não vou questionar o que eu recebo, é pouco mas estamos a falar de PHDA e não paralisia cerebral. O que está errado a meu ver, não será o que recebo mas o que outros, com deficiências diferentes, mais profundas, recebem. Não devia este complemento ser pago em função da deficiência, em função das necessidade pedagógica ou terapêuticas? Ou serei eu que estou a delirar?

Além disso, pergunto: se a segurança social considera a PHDA como deficiência permanente, porque o ministério da educação não a vê como tal? Porque será necessário lutar em todos os inícios de anos lectivos para ter apoios? Será que os ministérios não se entendem entre eles? Ou terão sequer algum tipo de comunicação entre eles? A pediatra de desenvolvimento entregou-me um relatório (saliente que não pedi nada!) extremamente completo desta vez, que enquadra o G. no âmbito da Lei 3/2008 e ainda sugere apoio na leitura dos enunciados, etc...

Confesso que me questiono ainda se devo entregar este relatório... Já sei que me vou meter mais uma vez em trabalhos...

Chegar à escola com um relatório do Hospital, supostamente de médicos habilitados e que sabem avaliar a hiperactividade, as necessidades de uma crianças hiperactivas, as suas limitações, incapacidades, dificuldades, mas também as suas capacidades de aprendizagem e/ou cognitivas, os seus pontos fortes, etc..., relatório esse que fala precisamente de incapacidades cognitivas que necessitam de uma abordagem diferenciada, entregá-lo à escola é como um murro no estômago... geralmente professores e/ou psicólogos educacionais levam isso como se de uma exigência se tratasse, como se apontássemos o dedo para eles e lhes disséssemos que não estão a fazer o trabalho que era suposto fazerem. Sentem-se ultrapassados e questionados quando na realidade, este relatório, passado por quem tem acompanhado a evolução, as conquistas e as batalhas perdidas, não é mais do que um alerta para uma problemática que pode ser ultrapassada, desde que todos se juntem e trabalhem no mesmo sentido.

Talvez tenha alguma sorte este ano, os professores parecem-me para já, muito mais abertos e empenhados. Sei que a psicólogo educacional da escola já está ao serviço, mas por enquanto ainda não viu o G. Por enquanto vou aguardar. Sei que tem muitas crianças para acompanhar e que não faz milagres, a escola tem crianças que precisam de mais apoio do que o G., não ponho isso em causa, mas o G. também precisa...

 

 

publicado por Abigai às 15:12

Dezembro 10 2011

Prometi aqui falar da resposta da professora de apoio de Língua Portuguesa, é verdade...
Confesso que não gostei nem um pouco, mas como gosto sempre de um bom desafio, esta foi o incentivo que talvez me faltava para deixar bem claro à directora de turma que, além de bem informada sobre a legislação e os direitos do G., não estava minimamente disposta a "deixar andar"...
Reuni com a directora de turma há quase 15 dias depois de estudar o Projecto Educativo e Curricular do Agrupamento, o Regulamento Interno e o Despacho Normativo nº50/2005 pelo qual o G. supostamente estava abrangido. Solicitei o acesso ao processo individual do G., algo que deixou a directora de turma algo perplexa - na verdade, não sei bem porquê, pois é um directo que me assiste! -, e questionei-a sobre o que estava a ser feito relativamente às conclusões da avaliação feita em 2009 ao G. e que o colocava ao abrigo do despacho normativo nº50/2005.
Não irei entrar em grandes pormenores porque este assunto ainda não está concluído e está neste momento a decorrer nova avaliação por parte do Serviço de Psicologia e Orientação do agrupamento, mas a conclusão que tirei deste encontro foi desconcertante. Apesar de todas as conversas e reuniões tidas com a Directora de Turma, parece-me claro que nunca analisou convenientemente o processo do G., a expressão dela ao ver comigo os pareceres, os relatórios da SPO, das professoras de apoio ainda no 1º ciclo, as avaliações externas da dislexia, etc., não deixou margem para dúvidas. No entanto, mostrou-se interessada em ajudar, já requereu nova avaliação e no dia seguinte o G. iniciou apoio individualizados a Língua Portuguesa e a Matemática, algo que o G. classifica de muito melhor e interessante. Vou dar o benefício da dúvida mais uma vez e esperar o fim desta nova avaliação para tirar nova conclusão...

 

E agora, aproxima-se o Natal... O G. tem que estar sempre ocupado, não quero que passe os fins de semana a jogar PlayStation embora não o proíba, não quero que esteja sempre a estudar pois tem que ter tempo também para ser criança, mas também não posso deixar de arranjar estratégias diferentes para aprender brincando. Assim, aos domingos, como quem não quer nada, vejo desenhos animados com ele, histórias curtas da minha infância, do Marco ou da Heidi, e depois o G. faz-me o resumo. Compreendo melhor agora porque tem tantas dificuldades. Coisas simples e que gosta como desenhos animados, são difíceis de entender para ele. Além de não compreender totalmente a história tem uma dificuldade enorme em expressar o que entendeu e colocá-lo no papel... O G. tem algo de muito bom: é dedicado e empenhado. Por enquanto. Já foi mais! Começa a ter vontade de desistir e por isso, decidi não estudar com ele pelos livros ao fim de semana, temos que desenvolver a compreensão e a expressão escrita, mas não com livros, por isso se tiverem mais alguma sugestão, agradeço....
E como não convém que o G. perceba que estes jogos são estudo, não podemos ficar só por aí e decidimos em conjunto, fazermos nós próprios as decorações do nosso pinheiro de Natal.
Pois é! Fizemos fitas, bolas, um Pai Natal, estrelas e muitas outras decorações. Quando digo fizemos, é obvio que o G. também fez, mas querer que um hiperactivo se dedique a trabalhos manuais por mais de 10 minutos é utópico, não? Claro que o grosso do trabalho foi meu, mas o resultado final não foi mau, o que acham?

publicado por Abigai às 12:42

Novembro 16 2011

 

 

Revolta. É revolta que sinto hoje.
De há uns dias para cá, têm vindo muitos recados na caderneta do G., queixas relativas à sua falta de atenção nas aulas, - algo que me parece realmente estranho vindo de uma criança com PHDA! -, e também sobre a falta de conhecimentos.
Estranho!
Eu que pensava que o G. era um menino exemplar, repleto de sabedoria e sem qualquer tipo de dificuldades!
À professora de Matemática resolvi responder. Queixou-se que o G. não sabe a tabuada, não sabe fazer contas e não presta atenção.
Pois bem, pelos vistos é sabido mas alguns professores não sabem:

 

"É difícil separar os problemas de atenção dos problemas de memória. Se não somos capazes de estar atentos a uma informação, dificilmente conseguimos apreendê-la, integrá-la e armazená-la. Normalmente estas crianças têm uma boa memória a longo prazo mas a sua memória a curto prazo e a memória de trabalho deixam muito a desejar. Recordam-se do que aconteceu há um ano, mas têm muita dificuldade em reproduzir o que se lhes acabou de explicar."
(...)
"Memória de trabalho. Refere-se à capacidade de reter vários tipos de informação ao mesmo tempo. Se não somos capazes de representar mentalmente vários números, não podemos fazer cálculos mentais. Se queremos compreender o que lemos, temos que ser capazes de recordar as palavras do princípio de um parágrafo quando chegamos ao fim."
(...)
"Matemática. (...) Muitas crianças têm também uma discalculia - custa-lhes entender o tamanho relativo das figuras, aprender as tabuadas, recordar sequências de dígitos, entender o significado dos sinais e compreender conceitos matemáticos avançados."

 

Logo no dia seguinte, recebo mais um recado, desta vez da professora de apoio de Lingua Portuguesa que dizia mais ou menos assim: "o G. não presta atenção à aula, distrai-se e fala. Vou dar mais uma oportunidade, a continuar assim deixa de frequentar o apoio. Compreendo o problema de concentração, mas há limites."
Esta foi a gota!
Há limites sim! Há limites para a falta de informação dos professores - para não dizer ignorância -, há limites para a incapacidade das escolas em cumprir com as suas funções e obrigações de integrar todas as crianças, em proporcionar recursos pedagógicos para crianças com dificuldades específicas de aprendizagem. Há limites para tanta incompetência, ou não é esta uma escola inclusiva?
É este o futuro que queremos para as nossas crianças? Ensiná-las a marginalizar, a excluir aqueles que não se enquadram na norma?
O que devo dizer? Como resolver os problemas de atenção do G.?
Já sei! Vou começar a bater-lhe, talvez passe a comportar-se melhor, ou porque não, amarrá-lo à cadeira? Não... talvez fechá-lo numa sala sozinho durante o tempo lectivo para não incomodar ninguém?
Vou ter que sugerir estas soluções à escola, talvez resolva o problema....

 

O G. está medicado com metilfenidato. O G. tem terapia psicológica semanalmente, - e só eu sei o quanto me custa pagar as consultas! O G. vai regularmente às consultas de desenvolvimento no Hospital S. João. O G. foi sinalizado à escola. Entreguei na escola todos os relatórios médicos do hospital, do diagnóstico de dislexia, do psicólogo, etc.. O G. está num centro de estudos para reforçar conhecimentos.
Acho que estou a cumprir com a minha parte de educadora.
E o que faz a escola?
Não contrata a psicóloga educacional que o acompanhava desde que foi sinalizado, nem outra qualquer. Não proporciona qualquer tipo de avaliação diferenciada. Não reforça positivamente qualquer esforço demonstrado. Não! A escola reprimenda. A escola ameaça excluí-lo do apoio!

 

“O princípio fundamental das escolas inclusivas consiste em todos os alunos aprenderem juntos, sempre que possível, independentemente das dificuldades e das diferenças que apresentem. Estas escolas devem reconhecer e satisfazer as necessidades diversas dos seus alunos, adaptando-se aos vários estilos e ritmos de aprendizagem, de modo a garantir um bom nível de educação para todos, através de currículos adequados, de uma boa organização escolar, de estratégias pedagógicas, de utilização de recursos e de uma cooperação com as várias comunidades. É preciso, portanto, um conjunto de apoios e serviços para satisfazer as necessidades especiais dentro da escola.”
“…as escolas devem acolher todas as crianças, independentemente das suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras. Devem incluir as crianças deficientes ou sobredotadas, as crianças de rua, e as que trabalham, as de populações nómadas ou remontas; as de minorias étnicas e linguísticas e as que pertencem a áreas ou grupos desfavorecidos ou marginalizados.”

UNESCO (1994) Declaração de Salamanca e Enquadramento da Acção na Área das Necessidades Educativas Especiais, Lisboa: Instituto de Inovação Educacional

publicado por Abigai às 11:28

Outubro 31 2011

Curiosamente, hoje, ainda estava a acabar de ler este post e tocou o telefone.

Era a directora de turma do G. a contactar-me no seguimento da conversa que tivemos na passada terça-feira.

Falou com o G. relativamente aos elementos que lhe transmiti, os medos, as inseguranças e a falta de atenção e empenho nas aulas, e ligou-me para dar-me o feedback da conversa.

Desde que o G. ingressou na escola, tem tido aparentemente e a julgar pelas notícias que têm sido divulgadas imensa sorte com os professores.

No 1º ano teve uma professora que além de ser professora era também psicóloga e tinha trabalhado nos último 10 anos com alunos do ensino especial. Foi um pouco graças a ela que o G. foi diagnosticado, pois, apesar de sentir e no fundo saber que algo estava errado com o G., resistia e recusava a ideia de poder ser hiperactivo. A compreensão desta professora, também mãe de um miúdo com Asperger, ajudou-me a ultrapassar esta fase e partir para o diagnóstico.

No 2º ano o G., já diagnosticado e medicado, mudou de escola e, inicialmente, tive alguma dificuldade com a professora que não acreditava que o G. fosse hiperactivo, talvez pelo facto de estar controlado, mas, com o tempo foi percebendo e entendendo as dificuldades que tinha. Aos poucos verificou as limitações e lacunas que tinha, pediu ajuda ao agrupamento, arranjou-lhe uma professora de apoio individualizado 3 vezes por semana para ajudar o G. a aprender a ler - só conseguiu aprender a ler quase no final do 2º ano -, e sinalizou-o no agrupamento encaminhando-o para a psicólogo educacional que já no 3º ano começou a ter consultas com ele semanalmente.

Mais tarde ingressou no 5º ano, na sede de agrupamento, que supostamente tinha o processo dele e deveria estar a par das dificuldades e do diagnóstico. Por falta de organização ou incompetência dos órgãos administrativos, a directora de turma não tinha conhecimento que o G. estava sinalizado com dificuldades de aprendizagem e hiperactividade, nem tão pouco sabia que nesses último 2 anos usufruía do apoio da psicóloga do agrupamento. Os primeiros tempos foram difíceis mas depois de tudo esclarecido, deparei-me com uma professora dedicada, interessada e preocupada.

Antes mesmo do ínicio do 6º ano, ainda no período de férias, quando soube que a psicóloga ainda não tinha sido contratada por faltas de verbas e que não havia indicações de vir a sê-lo, a directora de turma entrou em contacto comigo para me explicar o que estava a acontecer e para alertar-me com tempo caso tivesse possibilidades de arranjar fora um psicólogo para o G.

Hoje ligou-me para dar-me o feedback da conversa que teve o G. e aproveitei para falar-lhe de um problema que surgiu na passada 6ª feira na aula de EVT em que o G. foi castigado sem perceber - ou não quer dizer -, porquê.

Sei que vai averiguar o que se passou e que me irá informar.

Felizmente, posso dizer que não será por falta de empenho ou interesse dos professores que o G. irá ter mais ou menos dificuldades, pelo menos no que diz respeito à directora de turma, o que é bom.

Sei que o caminho é muito acidentado e vai levar tempo a chegar à meta, mas sei também que alguns obstáculo foram eliminados logo à partido.

Supostamente, a Educação é mesma para todos. A julgar pelas notícias, parece-me que não será bem assim...

 

publicado por Abigai às 15:23

Outubro 20 2011

aqui falei sobre auto-estima, confiança e motivação.
Qualquer pessoa, seja ou não hiperactiva, necessita sentir-se reconhecida.
O reconhecimento das qualidades, sejam elas físicas, pessoais ou profissionais, permitem reforçar a auto-estima, tão importante para enfrentarmos a vida.
Há dias, quando vi o Abigai nos destaques do sapo, senti uma pitada de orgulho... Porquê? Simples, é uma forma de reconhecimento!
 

O G. é muito negativo, tem tendência a achar-se incapaz, inferior, nas palavras dele muitas vezes "burro", e fica paralisado ao mínimo obstáculo.
Acredito que a terapia que iniciou no passado sábado ajude a ultrapassar estes bloqueios que tanto o inibam de "viver".
É um menino muito esforçado na escola, está constantemente preocupado com os trabalhos de casa, com as regras e com tudo o que os professores poderão dizer, pensar ou fazer.
É com frequência chamado a atenção pelo professores porque demora muito a passar o que está escrito no quadro, porque tem que estudar mais, porque tem que se esforçar mais, etc...
À excepção feita da directora de turma e também professora de História, não se sente reconhecido, não sente que o esforço compensa, e por vezes noto nele a vontade de desistir.
Quando à noite revejo com ele os cadernos, os trabalhos de casa ou insisto com ele para em primeiro lugar colocar as obrigações e só depois o lazer, responde-me torto, refila, exalta-se e não há dia nenhum que não acabe com discussões, lições de moral e por vezes choros compulsivos.
 

Tento sempre reforçar a auto-estima do G. enaltecendo o esforço que faz, fazendo-lhe ver que por muito que parece injusto, uma criança com as dificuldades que tem precisa de estudar mais do que os colegas, que desde que se empenhe nunca irei ficar triste se trouxer notas baixas, mas remar contra a maré é difícil, cansativo e pouco compensatório.
Bastava que se sentisse reconhecido para não desanimar, para não desistir...
Será assim tão difícil um professor ver e compreender o esforço de uma criança com imensas dificuldade mas que leva sempre os trabalhos feitos, tem os cadernos impecáveis e, apesar de sinalizado com hiperactividade e défice de atenção, comporta-se bem na sala de aulas? Uma criança que mesmo não sabendo responder às perguntas dos testes não deixa um espaço em branco?
Será assim tão difícil um professor dar uma palavra de reconhecimento a uma criança tão necessitada de apoio, não de apoio escolar mas de uma simples palavra?
É claro que o facto de ter muitos medos e receios, de ser envergonhado e tímido, não ajuda.
É incapaz de perguntar a um professor o significado de uma palavra, de uma pergunta e tendo défice de compreensão, são muitas as vezes que responde ao lado da pergunta. Por um lado receia perguntar por timidez, por outro tem medo que o professor implique ou reaja mal por perguntar, para já não falar do pavor que tem em ser "gozado" pelos colegas. A aceitação dos outros é tão importantes nestas crianças.
 

Quero acreditar que consiga ultrapassar esta fase com a ajuda da terapia e do psicólogo mas temo que, sem a ajuda, disponibilidade e boa vontade dos professores, seja um esforço em vão.

publicado por Abigai às 15:17

Setembro 14 2011

 

Amanhã é dia de apresentação a este novo ano lectivo.

Amanhã!

Mas hoje, ainda não eram 9h da manhã recebi um telefonema da directora de turma do G., a mesma do ano anterior. Uma chamada de preocupação - o que à partida agradou-me, pelo menos mostrou muito interesse na evolução do G., porque acabava de ser informada que este ano, a escola ainda não tinha autorização nem verbas, para a contratação da psicóloga educacional.

A professora queria saber se o G. tinha algum acompanhamento fora da escola ou, caso não tivesse, se podia tratar de encaminhá-lo para algum psicólogo uma vez que ele tanto precisa e a escola não o irá providenciar, pelo menos no primeiro período.

Ainda não há certezas quanto ao segundo periodo, poderá eventualmente haver contratações em Janeiro, mas por agora, confirma-se que a Dra. M. não estará presente para prestar apoio ao G. ou a qualquer outra criança.

Compreendo a preocupação da professora. O alerta dela foi bem intencionado e mostrou sem dúvida que está atenta e o interesse que tem pelos seus alunos. O G. não é o único menino da turma a beneficiar deste acompanhamento e não será o único prejudicado, o que irá também complicar a tarefa dos demais professores.

Como cheguei a referir aqui já tencionava proporcionar uma terapia mais adaptada às necessidades do G., em complemento ao acompanhamento da psicóloga da escola direccionado para a vertente educacional e de dificuldades de aprendizagem e compreensão.

 

Assim, já estava preparada para assumir um custo adicional, fora da escola.

E o que não fazemos pelos nossos filhos, não é?

Penso conseguir proporcionar ao G. este acompanhamento e se, por ventura, acontecer algum imprevisto financeiro, sei também que terei sempre alguém por perto para ajudar no que for necessário.

Felizmente tenho esta sorte. E os outros meninos cujas famílias não podem suportar estes encargos? O que vai ser deles?

Tenho agora preocupações acrescidas. Além de tentar ultrapassar as dificuldades emocionais do G., a psicóloga que irei contratar terá também que ajudar na parte educacional de desenvolvimento cognitivo.

Por outro lado, avizinham-se tempos iniciais difíceis porque, sempre que o G. se sentia diminuído, frágil ou simplesmente como peixe fora do aquário, recorria à Dra. M., que com muito carinho, compreensão e dedicação, conseguia ajudá-lo a reencontrar o caminho. Além disso, quando o G. não estava bem e não se abria connosco, a Dra. M. conseguia alcançá-lo.

Agora, sem ela por perto, vamos ver como irá correr!

publicado por Abigai às 14:14

Junho 22 2011

 

 

As crianças hiperactivas são frequentemente confundidas com crianças malcriadas. Falar demais, recusar-se a obedecer a ordens, distrair-se com a mínima coisa, apresentar desorganização e esquecer-se dos próprios objectos são sinais de alerta. Contudo, há que ter em atenção que, à semelhança dos adultos, cada criança é única e o seu desenvolvimento está intimamente relacionado com os estímulos que vai recebendo. Assim, por exemplo, se os pais forem pessoas agitadas, imaginativas, com dificuldade de se concentrar, os filhos têm grandes probabilidades de vir a ser como eles. Não obstante, nem sempre a agitação é sinal de patologia.

Estima-se que apenas uma pequeníssima percentagem dos pacientes que chegam aos consultórios necessitam de ajuda farmacológica. De qualquer forma, o diagnóstico, para ser credível, só é feito com base numa análise durante não menos de seis meses, sendo que os sintomas da criança hiperactiva aparecem no máximo até aos sete anos.

A hiperactividade designa um estado de irrequietude, excitação suprema e infelicidade constantes. A criança não consegue estar com atenção a nada por mais de uns minutos, trepa reiteradamente aos móveis, fala compulsivamente, está sempre a perder os seus pertences e lida muito mal com a frustração. Por outro lado, é-lhe difícil organizar tarefas, e descuida-as com frequência. Como não é capaz de se concentrar, escapam-lhe os pormenores e nem nas brincadeiras se centraliza. Parece não ouvir o que lhe dizem e mostra-se relutante em executar algo que pressuponha um grande esforço intelectual. Uma criança hiperactiva não suporta ter de esperar pela sua vez para jogar ou responder, interrompendo as conversas em que participa. Por isso, e não só, estas crianças são, amiúde, vistas como indiferentes ou egocêntricas, mas o que realmente se passa é que não aprenderam a interagir. Não se trata de uma aptidão inata, porém é possível ensiná-la e trabalhá-la.

A ignorância e a incompreensão face à doença, tornam-na, muitas vezes, um fardo enorme para quem dela sofre e para os mais próximos. E, no entanto, existem pequenos truques que podem melhorar muito a qualidade de vida de todos. As crianças hiperactivas precisam de algo que as faça lembrar o que a sua memória apaga, de repetições sem perder a paciência, de directrizes, de previsões, de limites, de organização. Não ter o quarto repleto de peluches, quadros ou uma infindável panóplia de brinquedos ajuda a criança a não se distrair tanto. Preferir copos e pratos de plástico e prescindir de bibelôs e jarrões de vidro ou louça reduz a irritação ante as consequências (cacos) que os problemas de coordenação motora destes miúdos aportam.

Paralelamente, o sucesso escolar é condicionado pelo lugar onde se sentam estes alunos tão especiais. As janelas e as últimas filas favorecem a desatenção.

Estabelecer regras e colocá-las por escrito, de modo a serem facilmente lidas e relidas, fará com que as crianças hiperactivas se sintam seguras, pois ficam a conhecer as expectativas relativamente a elas. Falar das directrizes que estão escritas e repeti-las colmata a necessidade que os indivíduos com hiperactividade têm de ouvir as coisas mais de uma vez. Convém ainda que as orientações sejam breves e específicas.

Olhar directamente nos olhos é uma acção passível de tirar um hiperactivo do seu devaneio, dar-lhe liberdade para efectuar uma pergunta ou, simplesmente, conferir-lhe uma secreta segurança.

Atribuir a estes pequenos tarefas muito grandes é contraproducente, já que lhes acomete uma sensação de abafamento e de incapacidade para as realizar. Deste modo, é útil dividi-las em subtarefas, suficientemente pequenas para serem cumpridas, de forma a prevenir uma resposta emocional negativa.

As crianças com hiperactividade deliram por novidades. Reagem ao que é novo com entusiasmo, pelo que a inovação constitui um bom auxílio para elas e para quem lida com elas.

Dado que convivem com o fracasso, carecem de tudo de positivo que se lhes puder consagrar. Sublinhar o fracasso é tudo o que elas não precisam. Pelo contrário, é o encorajamento que as faz crescer e são os elogios que as beneficiam. Sem isto, elas retrocedem e esmorecem. Efectivamente, o mais arrasador da hiperactividade não é, geralmente, a enfermidade em si, mas a perda da auto-estima.

Inventar rimas, códigos, dicas e similares pode estimular bastante a memória, aumentando o espaço disponível na mente.

Simplificar é a palavra de ordem no que toca a um hiperactivo: as instruções, as alternativas, a programação.

Palavras mais simples indiciam conteúdos mais simples e, portanto, mais assimiláveis. Uma linguagem de imagem entra melhor do que só palavras e prende mais a atenção, como acontece com as cores.

Dar feedbacks às crianças desenvolve nelas um espírito observador. Estes garotos não têm, geralmente, noção do que dizem ou fazem, a não ser que alguém os advirta para isso. Não têm consciência do seu comportamento. Chamá-los à razão de maneira carinhosa, e através de interpelações acerca dos factos, promove esta introspecção.

Um dos melhores tratamentos para a hiperactividade é o exercício físico, de preferência pesado. A ginástica coadjuva a libertação de energia, fomenta a focalização da atenção e acicata certas hormonas e neurónios. Em acréscimo, é divertido, o que garante a continuidade pela vida fora.

As crianças hiperactivas são imensamente mais hábeis e artísticas do que aparentam. Na verdade, estão cheias de criatividade, espontaneidade, alegria e bom humor. É só descobrir como aproveitar tudo isso…

 

Autor: Maria Bijóias

In Rua Direita

Imagem da Internet

 

publicado por Abigai às 14:19

Maio 21 2011

 

 

 Já passaram algumas semanas desde a entrega da avaliação do G., é verdade, mas na realidade, pouco haverá a dizer, além de tudo o que já tem sido dito.

O G. continua a apresentar muitas dificuldades, manteve praticamente as notas do período anterior, excepto a matemática, disciplina na qual apresenta agora uma avaliação negativa.

Como dizia no post o G. estava convencido que, apesar das dificuldades, a professora iria atribuir-lhe uma positiva.

Ficou desiludido, triste e também preocupado.

Eu não.

Esta negativa não irá impedir a passagem para o 6º ano e confesso não saber o que será melhor!

Estivemos reunidos com a psicóloga educacional que lhe presta acompanhamento na escola, com a directora de turma e aguardamos agora agendamento de uma reunião com a professora de matemática.

Os comentário colocados pela professora nos testes, deixam-me bastante perplexa e aborrecida, ao G. deixa um sabor amargo a derrota e a dúvida se vale ou não à pena o esforço que tem feito. Com frequência escreve 'tens que estudar mais', 'não percebeste nada', 'não estudaste',etc..

Acontece que, não sendo eu professora e não estando totalmente a par dos assuntos programáticos da disciplina, tenho forçosamente necessidade de delegar o acompanhamento do estudo a quem o entende.

Ajudo o estudo ou trabalhos de casa ao fim-de-semana mas nos dias úteis, o G. estuda no ATL e, pelo que me apercebi, está muitíssimo bem orientado e acompanhado por professoras competentes.

Seguindo a sugestão da psicóloga, preparei uma pasta com todas as fichas feitas pelo G., todos os apontamentos e exercícios efectuados no ATL e mandei o G. entregar à professora de matemática com um recado na caderneta a solicitar que visse o esforço do G. e, caso não achasse adequadas as fichas elaboradas pelo centro de estudos, que sugerisse outras mais ao encontro do que pretende dele.

A resposta não se fez esperar e além de salientar que não duvida do esforço e empenho do G., sugeriu um encontro. Espero entender-me com ela. Não pretendo que avalie de forma positiva o G. pelo simples facto que estuda e esforça-se. Apenas pretendo que seja justa com ele nas palavras que emprega e não o deite por terra simplesmente porque não consegue. Não podemos ser todos génios, alguns chegam lá, outros não. Contudo, não podemos desprezar e até mesmo rebaixar o que só por si já é difícil e traumáticos, menosprezar um esforço repetido e infelizmente sem grande sucesso, apenas irá levar o G. a desistir de todo este esforço e a concluir que não compensa. Não quero que tenha positivas pelo esforço, mas também não quero que seja rotulado de preguiçoso ou pouco estudioso porque não atinge os objectivos, devia sim ser encorajado a continuar o esforço e para isso, não precisa de uma boa nota, apenas de uma boa palavra.

 

Quanto a mim, iniciei esta semana uma nova fase na minha vida profissional, ainda é cedo para avaliar a decisão tomada, mas tudo indica encaminhar-se para o que esperava. O espaço é bom, as condições são excelentes, a autonomia não podia ser melhor, enfim, parece que desta vez acertei. É claro que ainda só passou uma semana, é claro que não sei se irão cumprir com o acordado, e claro, é um projecto novo, uma aposta nova, e como em tudo o que é inovação, pode não receber do público a resposta esperada ou mais adequada.

 

Esta mudança trouxe também algumas alterações na nossa vida familiar, o tempo agora escasseia, é um trabalho a tempo inteiro, de segunda a sábado, deixa algum espaço para mim por encontrar-me próxima de tudo e ter tempo para compras e passeios no intervalo para o almoço, mas deixa pouco espaço para a vida familiar. Mas como já aqui disse, o trabalho é para mim fundamental para o meu equilíbrio psicológico, para manter a minha sanidade e olhar para a vida com mais optimismo e fair-play!

Com boa vontade e organização, estou convicta que conseguiremos encontrar formas de contornar estes pequenos contratempos!

 

Imagem tirada da Internet

publicado por Abigai às 11:00

Abril 12 2011

 

Para variar.... estou exausta!

O G. voltou a não querer dormir, dormir é perder tempo, há tanto para fazer.... porquê perder tempo na cama?

Está de férias, eléctrico, cheio de energia... e eu, a ficar sem nenhuma!

Ainda no Domingo passado, ouvi familiares a dizer:

"... acho que nunca o vi assim, está mesmo eléctrico..."

Pois... que sorte, eu já o vi, assim e mais ainda!

O que é certo é que eu é que estou exausta... o rapaz tem mais do que fazer do que dormir, está com as baterias hiper carregadas e feliz!

Hoje já o levei para o ATL... medicado, pelo que espero que tenha menos energia logo, a ver vamos!

Ainda não tenho as notas do 2º período, parece-me que serão todas positivas - embora baixas -, não sei muito bem o que pensar, se é bom ou mau. Por exemplo a matemática, teve negativa em todos os testes, mas tem mostrado muita vontade, persistência e estudo, o que levou a professora a dar-lhe um 3. Será bom? Se os resultados das provas foram sempre negativos, ele não atingiu os objectivos, não adquiriu os conhecimento pretendidos. É certo que é muito esforçado e que este esforço deve valer alguma coisa, mas passar sem conhecimentos não me parece o mais adequado.

Não sei mesmo o que pensar!

 

 

publicado por Abigai às 11:38

Março 26 2011

 

 

Ainda na passada terça-feira, o G. estava completamente em baixo. Hoje já parece outro!

E a que deve esta mudança? Pois bem.... a uma miúda!

A semana passada recebi um telefonema da directora de turma do G. muito preocupada com a baixa de resultados nos últimos testes.

Nada que me surpreendesse, pois estava à espera que isto acontecesse. O primeiro período é mais fácil e sabia que quando as coisas começassem a complicar, as dificuldades tomariam as rédeas. E é isto mesmo que está a acontecer.

Só tem positivas a história e ciências da natureza onde apenas decorar matéria é sufuciente. Nas restantes disciplinas em que a compreensão e o raciocínio são fundamentais, os resultados são negativos.

Não desespero com isso, não estou propriamente satisfeita, como é óbvio mas sei que não é por falta de estudo, sei que não é por falta de esforço e dedicação. A matemática por exemplo, o G. impressiona-nos com a sua grande capacidade em elaborar cálculo por vezes complicados, mas quando chega aos testes, o caso complica-se pois antes de fazer qualquer cálculo, tem de perceber qual deles aplicar e, sem perceber o enunciado, é mesmo impossível.

Este é que é o grande problema: a compreensão. Tem também muita dificuldade em adquirir e assimilar vocabulário novo, o que tem afectado muito a disciplina de Português. Além disso, continua uma criança demasiadamente preocupada e angustiada, complicando ainda mais a situação.

Na passada terça-feira, passou o serão a chorar, sem saber explicar muito bem porquê e preocupado por achar que o pai não gostava dele! Cisma em coisas sem nexo, e com muita dificuldade o conseguimos convencer do contrário. Que achasse que a mãe não gostava dele, eu até compreendia - embora não aceitasse, pois é totalmente disparatado - mas o pai? Passam a vida na brincadeira, mais parecem duas crianças do que pai e filho, são iguaizinhos até nos disparates, nas asneiras e no feitio. São ambos impulsivos, fazem e depois pensam, quando ralho com um tenho mesmo é que ralhar com os dois, e mesmo assim, apesar de toda a atenção que o pai lhe dá, mesmo depois de passarem horas às lutas, nos jogos, na brincadeira, o G. achava mesmo que o pai não gostava dele!

E tirar-lhe isso da cabeça? E fazer com que compreendesse que não fazia sentido? Enfim... acabou por passar mas é realmente esgotante ver um filho, ainda tão novo, criar angústias e ficar deprimido desta forma, sem saber muito bem como ajudá-lo, como ajudá-lo a ver que estas cismas não fazem sentido, que está a sofrer sem qualquer necessidade.

Já na quarta-feira, o G. estava mais animado, menos em baixo e preocupado com a roupa que iria vestir no dia seguinte. Pela primeira vez, queria ser ele a escolher a roupa. Acabou por tirar quase todas as camisolas do roupeiro, experimentou todas, até escolher a certa, o mesmo com as calças e até com o casaco... Achei aquela cena toda muito estranha e suspeita e até lhe perguntei a quem queria agradar.... Ele ficou corado e não me deixou dizer nem mais uma palavra - e até tapou-me a boca para eu não me atrever a falar mais. Confesso que fiquei com a pulga atrás da orelha, mas achei imensa graça à situação.

No dia seguinte, confessou que tem uma namorada! A cena repetiu-se e agora tem um cuidado impressionante no que toca à roupa, ao cabelo, a até já quer levar o telemóvel para a escola!

Ontem, às 6h30 da manhã, já estava pronto para seguir para a escola, devia querer ser ele a abrir os portões! Levantou-se às 6h, lavou-se, vestiu-se, preparou os cereais para o pequeno almoço, pôs gel no cabelo (para ficar mais giro, para agradar à miúda!) e depois veio tirar-nos da cama, apressado para sair!

 

 

 

publicado por Abigai às 15:21

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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