Abigai

Setembro 16 2011

 

 

Pois é....

Já era de prever mas não pensei que fosse já no primeiro dia de aulas!

 

Ontem, quando olhei para o horário fiquei apavorada.

Nos cinco dias de aulas, três têm apenas um intervalo de uma hora para o almoço.

Conclusão: o G. tem que ficar a almoçar na escola pois não dá tempo para o ATL ir buscá-lo, almoçar, e levá-lo de volta para as aulas da tarde.

 

E hoje, foi um desses dias.

Por volta das 13h00 recebo uma chamada da mãe do R., amigo do G. O R. ligou à mãe, preocupado, porque o G. ia ficar sem almoçar por não ter adquirido a senha de almoço atempadamente.

O G., apesar de hiperactivo, é muito tímido, tem muitos medos, receios e acanha-se na hora de pedir ajuda ou ter que falar com alguém que não seja mãe, pai ou amigos.

Não foi capaz de ir à secretaria pedir ajuda, nem a nenhum auxiliar, nem tão pouco a nenhum colega. O buffet ainda estava fechado, as máquinas alimentares da escola ainda não tinham sido carregadas.

Valeu-lhe o R. que lhe deu uma maçã e se preocupou ligando à mãe a contar o sucedido.

Ainda deu tempo ao pai de chegar à escola antes do primeiro tempo da tarde e levar-lhe um lanche.

 

Um lanche não é uma refeição! Deu para remediar, mas a continuar assim, voltamos à perda da peso como aconteceu o ano passado, às reacções agressivas, à queda da auto-estima, etc.

No ATL tem sempre supervisão e não o deixam ficar sem almoço, sabem que é medicado e que o apetite é pouco e por isso são também mais vigilantes. Na escola ninguém se preocupa... Se não tiver apetite, não come e ponto final, quem vai reparar?

Só tenho que agradecer ao R. e esperar que continue amigo do G., atento e preocupado.

publicado por Abigai às 14:29

Setembro 08 2011

 

Estamos finalmente a chegar ao final deste longo período de férias escolares....

Triste é dizer finalmente!

Pois é... contrariamente ao que dizia aqui, resolvi interromper a medicação do G. no período de férias.

Para ele, passaram num ápice, para mim foram intermináveis!

Na passada segunda-feira retomou a rotina diária de toma da medicação e ida para o ATL, afim de preparar-se para o ano lectivo que aí vem.

A recusa foi imediata e previsível mas até nem correu muito mal!

Nesse mesmo dia fomos à consulta de desenvolvimento no Hospital S. João. Ninguém diria que o G. estava medicado, se não o tivesse visto tomar o comprimido teria jurado que me tinha enganado fingindo tomá-lo, mas não... eu vi mesmo!

A energia estava em alta, o apetite também... às 11h00 da manhã dizia-se esfomeado e comeu um menu completo do McDonald's, coisa que até há bem pouco tempo não queria pois não considerava isso “comida”! Confesso que fiquei espantada a olhar para ele e a perguntar-me se tinha falhado algum episódio....

Pois bem, segundo a médica o G. precisa de apoio psicológico com maior frequência, de preferência semanalmente. A cada dia que passa está mais inseguro, com mais medos e ansiedade.

No primeiro dia de ATL estava com medo de entrar... “e se não estiverem agora na sala do costume?”, “e se eu não os encontrar?”, e se se se.... dizia ele. Anda naquele ATL há 5 anos, conhece toda a gente, tem lá imensos amigos e mesmo assim, como já não ia lá há 1 mês estava com medo e envergonhado. Não é lá muito normal pois não?

Já não é capaz de sair da nossa beira sozinho, nem sequer para ir para o próprio quarto, tem medo até de se deslocar em casa, temos que o acompanhar constantemente e sinceramente está a tornar-se totalmente insustentável.

O início do ano lectivo está a aproximar-se a passos grandes e a ansiedade vai aumentando, tem medo de já não saber onde estão as salas de aulas, dos amigos já não se interessarem por ele, etc...

Fica angustiado por anticipação, o que não ajuda.

Agora deixou-me a mim angustiada à espera do horário para tentar marcar consultas sem interferir nas aulas... mas ainda vou ter que aguardar pelos horários das aulas de apoio!

E ainda nem começou....

 

publicado por Abigai às 11:02

Outubro 14 2010

Supostamente a escola é um local de aprendizagem e de educação.

Supostamente a escola é um local seguro para as nossas crianças.

Supostamente a escola tem o dever de ajudar os alunos com dificuldades de aprendizagem.

 

Supostamente porque na prática não é bem assim.

 

A primeira reunião com a directora de turma decorreu há uma semana. Iniciou às 18h30 e já passavam das 22h45 quando sai da escola!

Foi tudo uma grande desilusão para mim.

Tinha esta escola como uma boa escola com unidade de apoio a alunos com multideficiência e apoio especializado para a educação a alunos com perturbação do espectro do Autismo, o que me levava a pensar que o G. estava no estabelecimento certo e seria bem acompanhado.

No ano anterior visitava esta escola uma vez por semana, era atendido pela psicóloga educacional na unidade de apoio a alunos com dificuldades de aprendizagem e muito sinceramente, parecia-me tudo muito organizado, bem estruturado e sem qualquer sombras de dúvidas, ajudou muito o G.

Nunca me passou pela cabeça que esta escola, sede de agrupamento, pudesse ter tantos problemas.

Quando chove, mete água... Não tem auxiliares suficientes e são as crianças que acompanham os colegas com dificuldades ou deficientes.

Acho bem incutir algum sentido de responsabilidade e sensibilizar as crianças no sentido de ajudar e apoiar os menos favorecidos ou deficientes. Sem dúvida que é importante e pode ser fundamental para um futuro mais tolerante, mas não me parece que serem únicos responsáveis pela segurança e apoio a estes crianças seja o correcto. Não deveria haver algum auxiliar, algum funcionário que se preocupasse em saber se esta ou aquela criança que se perde porque tem por exemplo Síndrome de Asperger, está na sala correcta?

Só na turma dele são 3 crianças com Síndrome de Asperger.

 

Além disso, a segurança das crianças deixa muito a desejar.

A escola tem porteiro, supostamente não se entra de qualquer maneira. As crianças utilizam um cartão de acesso e de pagamento para evitar que tenham que andar com dinheiro, e para confirmar as autorizações de saída.

Fomos recebidos no dia da apresentação pela Polícia Segura.

Tudo levava a crer que havia segurança e que podíamos deixar as crianças na escola sem preocupações.

Mas não!

Há cerca de 15 dias, umas 5 ou 6 crianças da turma do G. foram ameaçadas por adolescentes aparentemente estranhos à escola, com navalhas. A polícia foi chamada, os miúdos não foram caços, ninguém sabe quem são, de onde vieram nem por onde entraram.

E, segundo conta o G., já não é a primeira vez. Denominam-se de Gang dos Palhaços, ou algo do género, e ameação os mais novos com navalhas e promessas de recortar-lhes o rosto.

O Conselho Directivo diz estar a investigar, a verdade é que nem os pais nem as crianças se sentem seguros.

A Polícia Segura, em vez de estar na escola, anda a rua a multar os pais que estacionam nas proximidades para acompanhar os filhos até ao portão.

Acham isso normal?

 

Estamos já a meio de Outubro, as aulas já iniciaram há um mês e a psicólogo educacional ainda não foi contratada. Afinal, é um agrupamento com ensino especial! Já não deveria estar em condições de atender os que precisam de ajuda?

O G. foi proposto para aulas de apoio a Português e a Matemática, disciplinas nucleares para as quais é imprescindível a aprovação para transitar para o ano seguinte. Até aí tudo muito bem e dei de imediato o meu acordo. Logo na segunda semana de aulas, o G. iniciou o apoio a Português e ficou encantado, sente-se muito apoiado pela professora, são apenas 3 alunos numa hora de estudo e sente-se a evoluir.

O grande problema é a matemática. A professora sabe mandar recados para casa a dizer que o G. tem que estudar mais os sólidos, consegue insistir tanto com ele nas aulas ao ponto de o deixar a chorar por não saber responder, etc., o que não consegue é encaixar aulas de apoio num horário em que o G. possa assistir! Pois é, marcaram as aulas de apoio de matemática num horário em que tem ciências da natureza e admiram-se de a encarregada de educação do G. que tanto necessita de apoio não ter autorizado a frequências das ditas aulas de apoio!

Já falei com a professora directora de turma, já exigi aulas de apoio a matemática. O G. está sinalizado, está proposto para aulas de apoio, tem esse direito e não vou prescindir dele. Se a prof. da turma não tem disponibilidade, que arranjem outro prof.! Sei e compreendo que a situação ideal é ter apoio com a prof. dele, mas por incompatibilidade de horário, têm que arranjar solução, não?

 

Haveria muito mais a dizer, mas parece-me que este post já vai longo...

O G. já se sente muito mais ambientado, tem me feito ver que eu preocupo-me demais, sem dúvida. De dia para dia parece mais crescido, já não tem problemas com nada. Tem que almoçar na escola à sexta-feira por causa das aulas de apoio a Português e, neste momento, tira a senha de forma autónoma, com o cartão de pagamento da escola, almoça, apresenta-se na sala de apoio a horas, usa relógio para não se atrasar, enfim, adaptou-se muito melhor do que eu pensava ser possível.

As dificuldades de aprendizagem têm-se acentuado muito, a matéria é mais complexa, sente-se perdido e incapaz.

A falta de apoio não vem ajudar à festa.

Mas tem demonstrado muita vontade, chega a casa senta-se, pega nos livros e estuda. Tem-me deixado de boca aberta!

Pena é ele não sentir o esforço a dar frutos!

 

 

publicado por Abigai às 17:44

Maio 28 2010

Aos 10 anos de idade, qualquer criança deve ter autonomia suficiente para cuidar da sua higiene pessoal, vestir-se, despir-se, etc.

Deve saber quando e como escovar os dentes, ter capacidade para lavar e secar as mãos, atar os sapatos, lavar-se sozinha, assim como usar a casa de banho de forma autónoma sem esperar ordem ou ajuda dos pais.

Quando esta autonomia não chega na devida altura e a criança se sente incapaz de realizar estas tarefas sem ajuda, além de fragilizar a auto-estima da criança, dificulta a sua relação com a família que vê frequentemente nesta dificuldade ou recusa, preguiça ou falta de responsabilidade.

 

O G. como a maioria das crianças hiperactivas apresenta muitas dificuldades na execução destas simples tarefas.

Constantemente é necessário relembrar a necessidade de lavar os dentes, tomar banho, lavar as mãos, ir à casa de banho e vestir.

A hora do banho é um momento de enorme tensão entre nós, é a altura do dia em que a simples e calma conversa para o chamar à razão, não é suficiente.

Actualmente e quase a completar 10 anos de idade, só quando sente a água a escorrer-lhe pelas costas abaixo, é que a calma regressa e até acontece reclamar por não poder ficar mais tempo sob o chuveiro, à excepção feita da lavagem do cabelo sempre litigiosa.

Mas nem sempre foi assim.

 

O banho foi um momento pacífico de puro relaxamento apenas na sua mais tenra infância, quando ainda não se sentava na banheira.

Depois desta curta fase de aparente calma, iniciou-se um longo período difícil, diria mesmo dramático.

Esperneava para não entrar na banheira, atirava com água e brinquedos, batia e gritava que nem criança mal-tratada aquando da lavagem do cabelo, e, em resultado desta gritaria ensurdecedora, ouvia com alguma frequência, da vizinhança, comentários desagradáveis e de suspeição de maus-tratos.

Hoje a gritaria acabou mas a tensão mantém-se e a recusa é diária.

 

Isto é apenas um exemplo, poderia dar muitos mais relacionados com a escovagem dos dentes, a lavagem das mãos, o corte das unhas das mãos e dos pés - estas últimas levavam a gritos inimagináveis dignos de uma autêntica sessão de tortura -, o vestir, o despir ou o calçar.

Mas deixo isto para um próximo post, que este já vai longo...

 

publicado por Abigai às 15:49

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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