Abigai

Outubro 31 2011

Curiosamente, hoje, ainda estava a acabar de ler este post e tocou o telefone.

Era a directora de turma do G. a contactar-me no seguimento da conversa que tivemos na passada terça-feira.

Falou com o G. relativamente aos elementos que lhe transmiti, os medos, as inseguranças e a falta de atenção e empenho nas aulas, e ligou-me para dar-me o feedback da conversa.

Desde que o G. ingressou na escola, tem tido aparentemente e a julgar pelas notícias que têm sido divulgadas imensa sorte com os professores.

No 1º ano teve uma professora que além de ser professora era também psicóloga e tinha trabalhado nos último 10 anos com alunos do ensino especial. Foi um pouco graças a ela que o G. foi diagnosticado, pois, apesar de sentir e no fundo saber que algo estava errado com o G., resistia e recusava a ideia de poder ser hiperactivo. A compreensão desta professora, também mãe de um miúdo com Asperger, ajudou-me a ultrapassar esta fase e partir para o diagnóstico.

No 2º ano o G., já diagnosticado e medicado, mudou de escola e, inicialmente, tive alguma dificuldade com a professora que não acreditava que o G. fosse hiperactivo, talvez pelo facto de estar controlado, mas, com o tempo foi percebendo e entendendo as dificuldades que tinha. Aos poucos verificou as limitações e lacunas que tinha, pediu ajuda ao agrupamento, arranjou-lhe uma professora de apoio individualizado 3 vezes por semana para ajudar o G. a aprender a ler - só conseguiu aprender a ler quase no final do 2º ano -, e sinalizou-o no agrupamento encaminhando-o para a psicólogo educacional que já no 3º ano começou a ter consultas com ele semanalmente.

Mais tarde ingressou no 5º ano, na sede de agrupamento, que supostamente tinha o processo dele e deveria estar a par das dificuldades e do diagnóstico. Por falta de organização ou incompetência dos órgãos administrativos, a directora de turma não tinha conhecimento que o G. estava sinalizado com dificuldades de aprendizagem e hiperactividade, nem tão pouco sabia que nesses último 2 anos usufruía do apoio da psicóloga do agrupamento. Os primeiros tempos foram difíceis mas depois de tudo esclarecido, deparei-me com uma professora dedicada, interessada e preocupada.

Antes mesmo do ínicio do 6º ano, ainda no período de férias, quando soube que a psicóloga ainda não tinha sido contratada por faltas de verbas e que não havia indicações de vir a sê-lo, a directora de turma entrou em contacto comigo para me explicar o que estava a acontecer e para alertar-me com tempo caso tivesse possibilidades de arranjar fora um psicólogo para o G.

Hoje ligou-me para dar-me o feedback da conversa que teve o G. e aproveitei para falar-lhe de um problema que surgiu na passada 6ª feira na aula de EVT em que o G. foi castigado sem perceber - ou não quer dizer -, porquê.

Sei que vai averiguar o que se passou e que me irá informar.

Felizmente, posso dizer que não será por falta de empenho ou interesse dos professores que o G. irá ter mais ou menos dificuldades, pelo menos no que diz respeito à directora de turma, o que é bom.

Sei que o caminho é muito acidentado e vai levar tempo a chegar à meta, mas sei também que alguns obstáculo foram eliminados logo à partido.

Supostamente, a Educação é mesma para todos. A julgar pelas notícias, parece-me que não será bem assim...

 

publicado por Abigai às 15:23

Junho 01 2011

 

Como os tempos mudam...

Com 10 anos, eu era uma criança inocente, brincava com bonecas, sonhava com príncipes encantados.

Não havia todas estas novas tecnologias que existem hoje, não havia computadores nem telemóveis, não pensávamos sequer em namorar.

As meninas brincavam com outras meninas e os rapazes jogavam futebol no recreio.

 

Hoje, tudo é diferente.

As crianças têm telemóvel, consolas de jogos, computador com internet e acesso a toda uma informação que no meu tempo não tínhamos.

 

E agora, o meu G., o meu pequeno G., com 10 anos, pouca maturidade mas extremamente popular pelos seus disparates e energia, de estatura baixa para a idade, magrinho que se farta mas com uma carinha de anjo sempre alegre, está a levar as coisas muito a sério!

 

Como contava neste post, a 23 de Março, o G. começou a namorar com a B. Ainda ontem me repetiu a data salientando que já namora há mais de 2 meses, o que indica que memorizou o dia!

Ao que parece, o namoro está muito sério...

Ontem, a B. entregou-lhe uma carta de amor, muito bonita, muito bem escrita, cheia de coraçõezinhos - sim, porque o G. faz questão de contar tudo à mãe e entregou-me a carta para eu ler! - deu-lhe ainda uma pulseira feita com muito amor - diga-se também muito bonita, a moça até tem jeito! -, e ainda um porta-chaves, também ele feito por ela.

Era só love naquela carta, promessas de amor eterno e lamentos por não estar 24 horas por dia com ele. Até dos beijos falava! Mas em relação a isso, não vou revelar mais nada!

Depois existe o Facebook...

Pelo menos, fica mais barato do que no meu tempo, quando tinha que usar o telefone e ouvia o meu pai reclamar por estar demasiado tempo a namorar ao telefone! Mas naquele tempo, não tinha 10 anos, devia ter uns 19 ou 20!

Agora as ferramentas são outras: telemóvel, mensagens escritas, facebook, etc.... tudo serve para namorar e não só, até é útil para confiar-se aos amigos do que faz com a namorada! Eu até fiquei gaga ontem quando me apercebi que, no facebook, o G. perguntava a um amigo se já tinha beijado a namorada na boca, é que ele já o tinha feito com a B. e até é muito fixe...

 

Será que estou a ficar velha, desactualizada e retrógrada? Ou também acham que isto de namorar aos 10 anos, andar aos beijos, confiar-se aos amigos na internet e até dizer que não consegue dormir porque só pensa na B., é um pouco precoce?

 

publicado por Abigai às 17:55

Março 30 2011

 

A cada dia que passa mais me surpreendo com o meu G.

Agora tem "estilo"!

 

"Sabes mamã, as meninas não querem saber só da cara, o estilo também conta para ser namorado"

 

De véspera escolhe a roupa com todo o cuidado, as calças têm que ser "à men", a camisola tem que condizer e de preferência ser folgada, as sapatilhas têm que ser com cordão, mas sem apertá-las, estes ficam por dentro, tem que usar lenço ou cachecol, e os adereço como por exemplo pulseiras em cordão ou pele, são fundamentais!

 

"Namora" desde a semana passada com a B.

Ontem, pela primeira vez, abraçaram-se!

Quando cheguei a casa estava em pulgas para me contar como foi o abraço, com ar tímido e acanhado. Lá lhe disse que não precisa de ficar embasbacado, pode falar à vontade connosco sobre o que se passa ou faz com a namorada, desde que haja respeito e sinceridade, os pais compreendem...

Confessou depois que tem pouco tempo para estar com a B., o que o entristece, ele almoça no ATL excepto às segundas e sextas, ela almoça na escola excepto às segundas e sextas. Andam desencontrados. Na sala de aulas, está sentado junto à A., e nos intervalos sente-se no dever de estar com os amigos... complicada a vida de pré-adolescente, não?

Os amigos gozam-no se deixar de estar com eles para estar com a namorada, supostamente fez dele lamechas!

E depois existe a A., a colega que fica junto dele na sala de aulas.

A A. é uma miuda muito meiga, simpática e atenciosa com o G. Sempre o ajudou muito nos estudo e por isso foi colocada na mesma mesa, é muito estudiosa e explica ao G. o que ele não entende. Ajuda-o nos trabalhos de casa pois anda no mesmo ATL, e quando o G. não sabe explicar os trabalhos que tem que fazer, é com ela que eu falo para percebê-los.

A A. perdeu o avô o ano passado, tinha uma relação muito próxima com ele e sente muitas saudades. Fala com frequência disso com o G. e existe muita complicidade com ele. Além disso, o único contacto de miudas memorizado no telemóvel do G. é precisamente o da A., e esta envia-lhe muitos SMS's!

A título de brincadeira, costumava dizer ao G. que a A. estava apaixonada por ele. o G. ficava danado comigo, dizia que não e por vezes até ficava ofendido por insinuarmos tal coisa.

Pois bem, ele agora está preocupado que seja verdade.

Ontem, a A. chorou ao ver o G. abraçar a B.

O G. perguntou-lhe o que se passava e ela desculpou-se dizendo que estava a pensar no avô, mas o G. ficou desconfiado e hoje de manhã disse-me que seria muito melhor que ela lhe dissesse a verdade, não a quer magoar.

 

Nunca pensei que aos 10 anos a vida amorosa pudesse ser tão complicada...

 

 

publicado por Abigai às 13:38

Dezembro 27 2010

 

Há dias acabei de ler este livro Sinto Muito de Nuno Lobo Antunes.

Não vou falar do livro, confesso que me decepcionou um pouco, não que não o considere bom ou que não tenha gostado, mas tinha uma ideia diferente em relação a ele.

Contudo, encontrei pelo meio uma crónica que me chamou muito atenção intitulada No mundo das crianças a preguiça não existe.

Aplica-se a todas as crianças e não apenas às crianças hiperactivas. Tocou-me muito porque descreve muito o que sinto em relação ao G. e às dificuldades que ele enfrenta diariamente.

Por isso, transcrevo aqui esta crónica que na minha modesta opinião, deveria ser lida por todos os professores, educadores e também pais.

 

A Inês tem sete anos e é encantadora. No quadro branco pintou uma paisagem ingénua, por onde passeia a sua infância. Num traço hesitante surgiram montes e casas e, por cima, um sol que, por se sentir sozinho, pediu a umas nuvens que lhe fizessem companhia. Quando acabou, a artista interrogou-me sem palavras, pedindo aprovação para um desenho colorido com o brilho do olhar, a vivacidade da expressão e a facilidade do sorriso. Como se pode julgar o que é maior do que nós?

Não foi fácil entender o motivo da consulta. Dentro da sala de aula - explicava a mãe - a Inês sofre uma metamorfose ao revés. A borboleta esfusiante transforma-se num bichinho amedrontado, que se esconde atrás dos colegas, na esperança de não ser notado. Tudo o que tem a ver com a escola, mesmo o mais simples exercício, a leitura ou escrita de um monossílabo, assemelha-se a um difícil número de trapézio, donde antevê, como eminente, uma queda aparatosa, ponto de exclamação numa arena sem rede. No entanto, mal toca a campainha para o «recreio», está de volta a alegria de viver que enche de cor, o nada de um quadro branco. Pouco a pouco, a Inês deixou de acreditar que era capaz e, na certeza da sua incompetência, sentiu-se culpada e má, menina que não presta, para quem as letras e os números têm segredos indecifráveis, enigmas que os colegas resolvem na ligeireza de um «abre-te Sésamo», tesouros que lhe estão vedados. Porém, estou certo que lê, como ninguém, a inquietação, (e angústia), que o olhar da mãe não consegue disfarçar.

Todos os meses percorro as escolas do país, levando um Evangelho de ideias simples, princípios em que acredito. As crianças nascem para ser felizes. O seu cérebro tem um potencial fantástico de curiosidade, espanto, encantamento pela descoberta. Até à entrada na escola, isto é evidente para todos os pais, que inevitavelmente se apaixonam por aquele brilhozinho nos olhos, o riso sem disfarce, a alegria sem nuvens. O dito inesperado, a observação certeira, a coerência com o universo. Porém, à entrada na escola, para muitos, tudo se transforma. De repente, o mundo mudou. O afecto ou o sorriso dos adultos parece depender da facilidade com que se resolvem novos quebra-cabeças, que envolvem gatafunhos a que os «crescidos» chamam letras e números. Se, para alguns, a navegação dessas águas é fácil e fonte de encorajamento e satisfação, para outros, é um cabo das Tormentas, sem Boa Esperança à vista. As crianças entristecem, prisioneiras de um aquário onde muitos olhos observam os seus resultados, realizações, derrotas. A autoconfiança esvai-se lentamente, a ida para a escola torna-se uma punição. As outras crianças, muitas vezes imitando os adultos, fazem troça de uma resposta errada, de uma leitura hesitante, de um ditado com erros, que é exibido, como edital, perante a turma. És preguiçoso - dizem uns - és um distraído - dizem outros. A insinuação da inferioridade vai-se tornando progressivamente mais clara, até atingir, por vezes, a afirmação pura e simples de que se é «burro». Em casa, tentando ajudar, a mãe senta-se com o seu filho, durante horas intermináveis, na realização dos trabalhos de casa. Tempo de frustração intensa, que muitas vezes acaba com lágrimas de uns e de outros. O mundo, para a criança, tornou-se hostil. Para os pais a perplexidade: como explicar que aquela criança tão «viva» e «esperta», se mostre incompetente quando posta à prova no mundo das letras e dos números. Como explicar que o que parece ter aprendido hoje, seja de pronto esquecido amanhã? Porquê hoje responder bem às questões colocadas em casa, mas chegado o dia do teste, tudo pareça ter-se dissolvido num mar de ignorância. Como explicar o contraste entre a dificuldade de concentração nas aulas e as horas esquecidas em frente a um jogo de computador, numa vigilância de sentinela? E o «click» de que os amigos falam e não chega? E a imaturidade que a psicóloga diagnosticou e não mais se resolve? A explicação surge em regra responsabilizando a criança: é distraída, preguiçosa, desinteressada. O discurso não deixa dúvidas, a culpa é da criança: «Porque não pões os olhos na tua irmã? Porque não és como o teu colega Luís? Sabes os sacrifícios que os pais fazem para te educar... porque não lhes dás essa alegria?» E a criança esforça-se mais uma vez, e mais uma vez falha, até à conclusão inevitável: não presta! E se não presta e não é capaz, porquê tentar? Algumas descobrem a saída que os poderá tornar populares: ser o «palhaço» da aula, o mais aventureiro, o que desafia a autoridade. Na infância e na adolescência...

O meu credo é simples:

- Não existem crianças preguiçosas, mas sim crianças cansadas do insucesso.

- O insucesso cria um círculo vicioso que gera mais insucesso, descrença, frustração.

- Os bons resultados, pelo contrário, aumentam a motivação, a confiança, o êxito.

- As crianças não acordam de manhã com intenção de falhar, errar, criar angústia em pais e professores. Se isso acontece, é porque a vida escolar nada lhes trouxe que as faça felizes ou confiantes.

A minha ideia mais simples, e porventura a mais importante, é que no mundo das crianças a preguiça não existe.

 

Revejo nestas palavras o percurso do meu G. Tem encontrado professores interessados mas infelizmente nem todos o são e com alguma frequência, são necessárias reuniões com a directora de turma para minimizar os problemas.

As dificuldades de comunicação com a professora de Inglês geraram muitos problemas para o G. que até febre fazia nos dias em que tinha essa aula. Não sei se por ter havido muitas queixas relativamente à disciplina, se por coincidência, mas o primeiro teste foi extremamente fácil e praticamente uma cópia do manual escolar, o que permitiu ao G. ter um "Bom". Levantou-lhe a auto-estima e pôs por enquanto um ponto final às noites mal dormidas, às febres e aos pesadelos, mas será que não vai voltar ao mesmo quando a poeira assentar?

 

 

publicado por Abigai às 21:03

Novembro 05 2010

 

Educar é difícil.

Educar quando os filhos passam mais tempo fora de casa é mais difícil ainda.

Com os pais a trabalhar durante o dia, as crianças passam a maior parte do tempo com outros educadores ou crianças e, sob a influência e/ou exemplo destes torna-se complicado encontrar um ponto de equilíbrio, evitar conflitos de ideias e até mesmo incutir valores.

Fui educada num país onde a intolerância e o racismo são marcantes e, apesar de integrar-me perfeitamente e aparentemente não destoar, sempre senti orgulho em afirmar-me portuguesa, o que, em algumas ocasiões, trouxe-me alguns dissabores.

Não fui vítima de racismo mas senti por diversas ocasiões o que é ser alvo de preconceito e intolerância. Existe uma tendência em generalizar o que se vê em determinado grupo ou nacionalidade. Lembro-me de, em conversas com colegas de escola sobre profissões, ver daqueles sorrisos trocistas que, julgando saber responder a tudo, diziam ah… deve ser trolha o teu pai, não? Nessas alturas, dava-me um prazer indescritível mostrar os brincos que usava ou os anéis ou as pulseiras e dizer não… o meu pai é ourives, foi ele que fez estas jóias, gostam? E anos mais tarde, quando o meu pai foi condecorado com a medalha de honra do trabalho, o gozo foi maior ainda.

Por isso e muito mais ainda, tento a todo o custo incutir valores ao G. que para mim são importantíssimos: tolerância, respeito, compreensão, aceitação, indulgência, etc.

Fiquei satisfeita por saber que tinha crianças deficientes na turma dele, a convivência com realidades diferentes, com dificuldades diferentes, haveria de ajudar a entender o que é aceitar, compreender e respeitar da mesma maneira, quer se seja branco, preto, baixo, alto, gordo, magro, portador de deficiência ou não. Pelo menos assim pensava…

Quanto mais o G. cresce, mais dificuldades sinto. Conheço a maioria das mães dos colegas dele, embora pouco conviva com elas. Não aparentam ser intolerantes ou preconceituosas nem tão pouco elitistas. A verdade é que ultimamente, o G. tem tido algumas conversas para mim irritantes sobre os colegas deficientes e, inevitavelmente, pergunto-me de onde virão tais influências. Da minha parte, estou convicta que não.

Dos colegas não sei. Mas se é dos colegas, não deveriam os pais destes ensiná-los a serem compreensivos com quem tem certas e determinadas dificuldades mas que não deixam de ser crianças como eles, com direitos e deveres, com necessidades de convívio, de carinhos, de atenção. E quem fala de deficientes, fala de outras etnias, nacionalidades, crenças, etc…

O G. é hiperactivo. Tem dificuldades de aprendizagem e é bastante imaturo para a idade. Mais do ninguém deveria entender que não se pode discriminar. Sei que ainda é muito novo, que é difícil para ele colocar-se no lugar do outro, que é complicado fazer o paralelismo com a situação dele e com experiências que tem vivido, também elas de discriminação, mas, para mim, esta semana tem sido esgotante.

Não é esta a educação que lhe dou, não são estes os valores que quero para ele.

Pela falta de maturidade que tem, tem tendência em repetir os argumentos dos colegas, sei que nem tudo vem da sua cabeça, mas, será que de tanto ouvir dizer que os colegas deficientes são chatos, só fazem asneiras e não deixam estudar, não se calam e só sabem dizer palavrões e se calhar era melhor nem estarem aqui, não acabará por pensar assim mesmo?

Será que o pouco tempo que passa em casa como os pais é suficiente para aceitar as diferenças e ser tolerante e respeitador?

 

 

Imagem tirada da internet

publicado por Abigai às 22:55

Outubro 14 2010

Supostamente a escola é um local de aprendizagem e de educação.

Supostamente a escola é um local seguro para as nossas crianças.

Supostamente a escola tem o dever de ajudar os alunos com dificuldades de aprendizagem.

 

Supostamente porque na prática não é bem assim.

 

A primeira reunião com a directora de turma decorreu há uma semana. Iniciou às 18h30 e já passavam das 22h45 quando sai da escola!

Foi tudo uma grande desilusão para mim.

Tinha esta escola como uma boa escola com unidade de apoio a alunos com multideficiência e apoio especializado para a educação a alunos com perturbação do espectro do Autismo, o que me levava a pensar que o G. estava no estabelecimento certo e seria bem acompanhado.

No ano anterior visitava esta escola uma vez por semana, era atendido pela psicóloga educacional na unidade de apoio a alunos com dificuldades de aprendizagem e muito sinceramente, parecia-me tudo muito organizado, bem estruturado e sem qualquer sombras de dúvidas, ajudou muito o G.

Nunca me passou pela cabeça que esta escola, sede de agrupamento, pudesse ter tantos problemas.

Quando chove, mete água... Não tem auxiliares suficientes e são as crianças que acompanham os colegas com dificuldades ou deficientes.

Acho bem incutir algum sentido de responsabilidade e sensibilizar as crianças no sentido de ajudar e apoiar os menos favorecidos ou deficientes. Sem dúvida que é importante e pode ser fundamental para um futuro mais tolerante, mas não me parece que serem únicos responsáveis pela segurança e apoio a estes crianças seja o correcto. Não deveria haver algum auxiliar, algum funcionário que se preocupasse em saber se esta ou aquela criança que se perde porque tem por exemplo Síndrome de Asperger, está na sala correcta?

Só na turma dele são 3 crianças com Síndrome de Asperger.

 

Além disso, a segurança das crianças deixa muito a desejar.

A escola tem porteiro, supostamente não se entra de qualquer maneira. As crianças utilizam um cartão de acesso e de pagamento para evitar que tenham que andar com dinheiro, e para confirmar as autorizações de saída.

Fomos recebidos no dia da apresentação pela Polícia Segura.

Tudo levava a crer que havia segurança e que podíamos deixar as crianças na escola sem preocupações.

Mas não!

Há cerca de 15 dias, umas 5 ou 6 crianças da turma do G. foram ameaçadas por adolescentes aparentemente estranhos à escola, com navalhas. A polícia foi chamada, os miúdos não foram caços, ninguém sabe quem são, de onde vieram nem por onde entraram.

E, segundo conta o G., já não é a primeira vez. Denominam-se de Gang dos Palhaços, ou algo do género, e ameação os mais novos com navalhas e promessas de recortar-lhes o rosto.

O Conselho Directivo diz estar a investigar, a verdade é que nem os pais nem as crianças se sentem seguros.

A Polícia Segura, em vez de estar na escola, anda a rua a multar os pais que estacionam nas proximidades para acompanhar os filhos até ao portão.

Acham isso normal?

 

Estamos já a meio de Outubro, as aulas já iniciaram há um mês e a psicólogo educacional ainda não foi contratada. Afinal, é um agrupamento com ensino especial! Já não deveria estar em condições de atender os que precisam de ajuda?

O G. foi proposto para aulas de apoio a Português e a Matemática, disciplinas nucleares para as quais é imprescindível a aprovação para transitar para o ano seguinte. Até aí tudo muito bem e dei de imediato o meu acordo. Logo na segunda semana de aulas, o G. iniciou o apoio a Português e ficou encantado, sente-se muito apoiado pela professora, são apenas 3 alunos numa hora de estudo e sente-se a evoluir.

O grande problema é a matemática. A professora sabe mandar recados para casa a dizer que o G. tem que estudar mais os sólidos, consegue insistir tanto com ele nas aulas ao ponto de o deixar a chorar por não saber responder, etc., o que não consegue é encaixar aulas de apoio num horário em que o G. possa assistir! Pois é, marcaram as aulas de apoio de matemática num horário em que tem ciências da natureza e admiram-se de a encarregada de educação do G. que tanto necessita de apoio não ter autorizado a frequências das ditas aulas de apoio!

Já falei com a professora directora de turma, já exigi aulas de apoio a matemática. O G. está sinalizado, está proposto para aulas de apoio, tem esse direito e não vou prescindir dele. Se a prof. da turma não tem disponibilidade, que arranjem outro prof.! Sei e compreendo que a situação ideal é ter apoio com a prof. dele, mas por incompatibilidade de horário, têm que arranjar solução, não?

 

Haveria muito mais a dizer, mas parece-me que este post já vai longo...

O G. já se sente muito mais ambientado, tem me feito ver que eu preocupo-me demais, sem dúvida. De dia para dia parece mais crescido, já não tem problemas com nada. Tem que almoçar na escola à sexta-feira por causa das aulas de apoio a Português e, neste momento, tira a senha de forma autónoma, com o cartão de pagamento da escola, almoça, apresenta-se na sala de apoio a horas, usa relógio para não se atrasar, enfim, adaptou-se muito melhor do que eu pensava ser possível.

As dificuldades de aprendizagem têm-se acentuado muito, a matéria é mais complexa, sente-se perdido e incapaz.

A falta de apoio não vem ajudar à festa.

Mas tem demonstrado muita vontade, chega a casa senta-se, pega nos livros e estuda. Tem-me deixado de boca aberta!

Pena é ele não sentir o esforço a dar frutos!

 

 

publicado por Abigai às 17:44

Junho 18 2010

 

Decorreu ontem a festa de finalista do G....

Finalista?

Pois é, já quando terminou o infantário e antes de ingressar no 1º ciclo, teve direito a uma festa de finalista com cartola e bengala, como manda a tradição.

Tradição?

Pois é, agora as crianças são finalistas quando terminam o ensino pré-primário e finalistas quando terminam o ensino básico.

É claro que para nós, pais, é giro, é bonito, enche-nos de orgulho, mas não será exagerado?

Ainda agora iniciou a aprendizagem, ainda tem muitos anos pela frente, muitas dificuldades e barreiras a ultrapassar, etc., mas já é finalista!

Não vou dizer que não gostei, é claro que adorei ver a alegria do G. sobretudo no término de um ano difícil, penoso, repleto de obstáculos, o brilho nos seus olhos, o orgulho que transpirava dele...

É claro que gostei.

Mas não me parece muito certo.

Não será desvirtualizar a essência das festas de finalistas universitários?

Os finalistas universitário, usam com o traje académico, no tradicional cortejo da Queima das Fitas, uma cartola e uma bengala com as cores da sua instituição académica como sinal de terem chegado ao fim da vida de estudante.

Mas na verdade, o G., como os seus colegas, ainda tem uma caminhada muito grande pela frente.

Não vou contudo negar que a cerimónia foi muito bonita, bem organizada pela escola e pela professora e até teve direito à presença do presidente da junta de freguesia que entregou os diplomas aos meninos e meninas que tinham na assistência pais e familiares todos babados!

Achei fantástico o Livro de Curso, para mais tarde recordar, com fotos dos colegas, da professora, dedicatórias de todos inclusive dos pais e amigos, um trabalho laborioso totalmente elaborado pela professora, nas suas horas livres, e no qual está bem patente a dedicação e o carinho que sem sombra de dúvida tem pelos "seus meninos", como gosta de dizer.

 

publicado por Abigai às 17:11

Maio 28 2010

Aos 10 anos de idade, qualquer criança deve ter autonomia suficiente para cuidar da sua higiene pessoal, vestir-se, despir-se, etc.

Deve saber quando e como escovar os dentes, ter capacidade para lavar e secar as mãos, atar os sapatos, lavar-se sozinha, assim como usar a casa de banho de forma autónoma sem esperar ordem ou ajuda dos pais.

Quando esta autonomia não chega na devida altura e a criança se sente incapaz de realizar estas tarefas sem ajuda, além de fragilizar a auto-estima da criança, dificulta a sua relação com a família que vê frequentemente nesta dificuldade ou recusa, preguiça ou falta de responsabilidade.

 

O G. como a maioria das crianças hiperactivas apresenta muitas dificuldades na execução destas simples tarefas.

Constantemente é necessário relembrar a necessidade de lavar os dentes, tomar banho, lavar as mãos, ir à casa de banho e vestir.

A hora do banho é um momento de enorme tensão entre nós, é a altura do dia em que a simples e calma conversa para o chamar à razão, não é suficiente.

Actualmente e quase a completar 10 anos de idade, só quando sente a água a escorrer-lhe pelas costas abaixo, é que a calma regressa e até acontece reclamar por não poder ficar mais tempo sob o chuveiro, à excepção feita da lavagem do cabelo sempre litigiosa.

Mas nem sempre foi assim.

 

O banho foi um momento pacífico de puro relaxamento apenas na sua mais tenra infância, quando ainda não se sentava na banheira.

Depois desta curta fase de aparente calma, iniciou-se um longo período difícil, diria mesmo dramático.

Esperneava para não entrar na banheira, atirava com água e brinquedos, batia e gritava que nem criança mal-tratada aquando da lavagem do cabelo, e, em resultado desta gritaria ensurdecedora, ouvia com alguma frequência, da vizinhança, comentários desagradáveis e de suspeição de maus-tratos.

Hoje a gritaria acabou mas a tensão mantém-se e a recusa é diária.

 

Isto é apenas um exemplo, poderia dar muitos mais relacionados com a escovagem dos dentes, a lavagem das mãos, o corte das unhas das mãos e dos pés - estas últimas levavam a gritos inimagináveis dignos de uma autêntica sessão de tortura -, o vestir, o despir ou o calçar.

Mas deixo isto para um próximo post, que este já vai longo...

 

publicado por Abigai às 15:49

Maio 27 2010

Exitem estudos de todos os géneros e feitios, uns mais úteis do que outros, mais ou menos convincentes, de algum interesse ou sem qualquer utilidade, etc.

Na revista Sábado da passada semana deparei-me com um artigo que me deixou perplexa e, passo a citar:

 

Crianças-Pinóquio têm mais sucesso

 

O seu filho mente? Parabéns, as possibilidades de ele se tornar um adulto bem-sucedido são maiores do que as do filho bem-comportado do seu vizinho.

Segundo um estudo do Instituto da Universidade de Toronto, as crianças que aprendem a mentir cedo ficam com o cérebro mais desenvolvido, o que as torna mais habilitadas para potenciais funções de liderança.

Os cientistas descobriram que mentir envolve inúmeros processos cerebrais, assim como a integração de fontes de informação e manipulação de dados, em proveito próprio.

 

Rematando com "A mentira infantil compensa".

 

Pois bem, nem sei que pensar deste estudo.

Será que devíamos incentivar os nossos filhos a mentir?

Não me parece!

 

publicado por Abigai às 17:18

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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