Abigai

Outubro 17 2011

Este fim-de-semana foi bem preenchido...
Sábado, acompanhei o G. à primeira consulta com o psicólogo.
Escolher um psicólogo não é tarefa fácil. O pediatra do G. há alguns anos atrás, aquando da necessidade de diagnosticar o que se passava com ele, aconselhou-nos um de que gostei imenso, que acompanhou muito bem o G. e o encaminhou para a consulta de desenvolvimento do Hospital S. João no Porto, mas que, além de não ser muito compatível em termos de localização, também não o era em termos de horários.
O G. está agora no 6º ano e tem um horário bastante preenchido. A médica da consulta de desenvolvimento recomendou-lhe terapia semanal e não esporádica.
Havia que encontrar forma de não perturbar o horário escolar do G. assim como também o meu, que a nível profissional é também ele muito preenchido. Além disso, faltar semanalmente ao trabalho para acompanhar o G. poderia tornar-se insustentável, até porque apenas iniciei esta actividade há 5 meses e não ficaria muito bem na fotografia.
Assim, e por indicação da mãe de um miúdo também hiperactivo que frequenta o mesmo ATL do G., encontrei a solução ideal. Esse rapaz, já com 17 anos, actualmente tem consulta de 15 em 15 dias. A mãe está muito satisfeita e confessa que a terapia que o filho faz há já alguns anos com este psicólogo tem feito "milagres".
É um psicólogo como outro qualquer - bom ou mau só o tempo o dirá, mas confesso ter ficado muito bem impressionada com a conversa que tivemos e a empatia que logo se gerou entre ele e o G., mas que dá consultas aos sábados de tarde, num local pouco habitual.
Tem um consultório num ginásio onde também é professor de boxe! Além de ter conseguido consultas num horário que não afecta em nada a vida escolar do G., o local é aprazível tornando a espera menos aborrecida! Eu trabalho ao sábado à tarde, o meu marido trabalha por turnos e por conseguinte nem sempre está disponível, mas sendo um sábado à tarde, até a avó o pode levar e uma vez que a consulta é com o G. e só esporadicamente o psicólogo irá convocar os pais, não vai afectar muito a minha vida profissional. Além disso, faz desconto aos sócios do ginásio, o que poderá ser benéfico quer para a nossa carteira, quer para a nossa saúde... enquanto se espera, podemos sempre fazer uns exercícios!
A consulta correu muito bem. Foi ainda a primeira, pelo que é ainda difícil dizer se vai surtir efeitos ou não, mas deu para ver que o G. gostou muito do psicólogo e sentiu-se em confiança, e isso é bom. Gostei da conversa, dos conselhos, da abordagem. A partir de agora vai consultar o G. uma vez por semana, reduzindo gradualmente quando achar que já não se justifica a frequência inicial. O G. ficou apenas cerca de 20 minutos sozinho com ele, sendo a primeira consulta, grande parte do tempo foi também comigo, pelo que ainda é cedo, quer para ver resultados no G., quer para o médico pronunciar-se sobre as frustrações, ansiedades ou fobias do G. Vai ser também uma forma de confirmar, com um especialista diferente, se o diagnóstico do G. está ou não correcto. O médico, não querendo desconfiar dos relatórios que lhe entreguei, avisou-me logo que iria também ele fazer o seu diagnóstico, até porque é essencial para ajudar o G.
Ajudar... assim o espero.
Como tive que faltar ao trabalho para levar o G. à consulta, aproveitei a oportunidade para me fazer de convidada do meu patrão, no Montijo! Assim, após a consulta rumamos ao Montijo, uma viagem de 3 horas, cansativa mas bem humorada. O G. passou o tempo todo a cantar, a falar, a gritar também, mas boa disposição, não faltou.
Quando chegamos, fomos directos à pensão que o meu patrão reservou para nós e aí é que o G. começou a "passar-se". Nunca tinha passado nenhuma noite fora a não ser em casa de familiares ou amigos. Era um mundo novo para ele. E era apenas uma pensão, nada de luxuoso ou extravagante, mas para ele fantástico.
Um quarto simples, com 3 camas, casa de banho, varanda e TV. "Ao mãe... temos que fazer as camas de manhã?... não!... a sério?... eles fazem?" Tanta inocência! Estava completamente aturdido com tanta novidade.
Fomos jantar com os colegas das outras lojas que eu ainda não conhecia e com o patrão, obviamente... e o G. estava maravilhado com tudo. A seguir ao jantar ainda fomos a um bar e aí é que começou a aquecer... "Ao mãe... isto é que é a "night"?... que fixe!... e olha, aquelas meninas? Que saias curtas! Têm as pernas completamente à mostra! Que fixe, mãe!"
E eu a pensar baixinho... saias? que saias?
Portou-se lindamente e aguentou-se até às 2 da manhã sem se queixar! As 7h30 do dia seguinte, já nos estava a tirar da cama porque o dia começa cedo e há muito que ver e fazer!
Quando descemos para tomar pequeno almoço, foi mais uma vez um espanto para o G. Ser servido e poder escolher foi para ele algo realmente fantástico e maravilhoso. Quando o empregado lhe perguntou se preferia leite achocolatado, olhou para mim dubitativo e perguntou "posso mãe?... não pagas mais?". O espanto dele era imenso, ter a mesa posta, o leite, pão, uns pacotes de manteiga, queijo, doce de morango, à discrição, sem ter que pedir, sem ter que pagar mais por isso... E não era um hotel, apenas uma pequena pensão!
Agora, quero mesmo levá-lo um dia destes a um hotel para que veja não só a diferença, mas também para eu ver o espanto dele, a alegria.
Após visitarmos a fábrica na manhã de Domingo e darmos por concluída a visita de trabalho, rumamos ao Parque das Nações, para almoçar e passear.
Foi um dia muito bem passado, cansativo porque ainda nos esperava uma viagem de 3 horas de regresso a casa, mas valeu bem à pena, nem que seja só pela felicidade chapada no rosto do meu G., felicidade, alegria, espanto e satisfação.
Temos mesmo que fazer isso mais vezes, mas talvez mais perto também!

 

Imagem da internet

publicado por Abigai às 18:35

Janeiro 14 2010

Vivemos tempos difíceis e conturbados, muito desemprego, muitas dificuldades, muitos temas no ar...

Quanto ao desemprego, serei provavelmente em breve - e assim o espero - mais uma a somar à longa lista de desempregados.

Triste é dizer "assim o espero". Comecei a trabalhar há 16 anos, nunca faltei sem necessidade absoluta, nunca estive de baixa a não ser quando fui submetida a uma cirurgia e até encurtei a minha licença de maternidade!

Trabalhar é uma paixão, adoro a minha profissão, mas neste momento, preferia estar desempregada, não por preguiça, não para ser sustentada pelo Estado, não!

Nunca pensei dizer isso um dia!

Mas na verdade, quando se está numa pequena empresa falida cujo gerente e único dono foi (fugiu?) para o Brasil sem deixar representande e sem data de regresso, quando estamos abandonados sem previsão de recebimento, com fornecedores à porta e sem perspectivas de venda, etc..., desanimamos e chegamos à conclusão que pouco mais há a fazer senão esperar e desejar fechar definitivamente a porta!

Mas como ficar desempregado se a empresa nem fecha, nem despede?

Segundo o ministério do trabalho, posso suspender o meu contrato de trabalho e receber pela Segurança Social. Para isso, basta enviar uma carta registada à empresa a informar que devido às remunerações em atraso fica o contrato suspenso.

Mas para quê enviar uma carta se na empresa não há quem a receba?

Ser um bom empresário não será também saber admitir quando chegou a hora de fechar? Assumir as suas responsabilidades e no mínimo, permitir aos colaboradores terem uma vida mais digna e partir para outra?

Porquê insistir em manter aberta uma empresa insolvente há mais de um ano e que além de não ter dinheiro para pagar aos funcionário, também não consegue pagar aos fornecedores e por conseguinte, não consegue satisfazer as encomendas dos clientes?

Infelizmente, e apesar de conhecer este tal empresário há 16 anos, só agora é que percebi o quanto fui ingénua estes anos todos, pensava que era uma pessoa trabalhadora e dedicada que se tinha envolvido com os sócios errados. Assim, acreditei que a empresa onde eu tinha iniciado a minha actividade profissional tinha fechado, não por culpa dele mas por causa dos sócios. Há 6 anos atrás e por me ter desentendido com os sócios deixei essa empresa mas passado 3 anos, e uma vez que o patrão que eu julgava bom ía lançar-se numa nova empresa, resolvi apoiá-lo e ajudá-lo.

Agora percebo que afinal, de bom empresário, não tem nada. Iniciar actividade com um capital social, na prática negativo e ir, a pouco e pouco, retirando dinheiro da empresa, de facto, não se pode chamar de boa gestão.

E pensar que fui conivente com esta má gestão, que o apoiei, que confiei, deixa-me completamente à beira do abismo! É claro que só agora percebo isso, tinha uma confiança cega e pensava conhecê-lo. Agora, só espero resolver a minha situação e também a dos meus colegas e tudo fazer para que não saia impune.

Como é possível pensar que uma empresa serve para financiar o empresário? Não será antes o empresário que deve financiar a empresa? Como é possível roubar a sua própria empresa, não será isso roubar-se a si-próprio?

Não consigo mesmo entender esta forma de pensar e estar na vida!!!

 

 

publicado por Abigai às 09:00

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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