Abigai

Outubro 23 2012

Na quarta-feira passada, levamos o G. à consulta de pediatria de desenvolvimento no Hospital S. João.

Confesso que, apesar da espera e da confusão de um hospital geral, saio sempre destas consultas com um sorriso nos lábios, muito mais confiante e segura das minhas decisões, e convicta de caminhar no bom sentido rumo a uma boa e acertada educação.

O G. encolhe-se todo a ouvir os sermões da pediatra, sempre pronto a responder como aliás faz em casa, mas capaz de segurar a língua!

A médica transmite confiança, segurança e muita sabedoria. Sem nunca melindrar aconselha e apoia. Nós sentimo-lo. O G. sente-o. E isso faz um bem à alma tremendo!

Entregou-nos um relatório para entregar na escola - mais um! -, e alertou-nos para esta nova fase que agora começa: a pré-adolescência. Sabemos que é uma fase difícil, e que o pior irá chegar dentro de uns 2 ou 3 anos (o G. ainda é muito imaturo para a idade cronológica, daí o espaço que ainda temos para nos prepararmos...). Já não tem sido muito fácil, mas por enquanto ainda o seguramos!

E como todos os anos por esta altura, aproveitamos para preencher o requerimento do complemento de abono por deficiência. Pois é! Deficiência!

O G. não é deficiente, apenas tem PHDA. Conheço crianças deficientes, uma em particular, irmão do meu afilhado, deficiente profundo. A mãe recebe o mesmo complemento que recebo pelo G. O mesmo!

Haverá comparação possível?

Não vou recusar os míseros € 59,00 que recebo, é pouco mas dá muito jeito! Não chega para a medicação e as consultas de psicologia, é verdade, mas ajuda. O que não compreendo é porque o valor é fixo, igual para todos, variando apenas consoante a idade. Isso, não consigo compreender. Não vou questionar o que eu recebo, é pouco mas estamos a falar de PHDA e não paralisia cerebral. O que está errado a meu ver, não será o que recebo mas o que outros, com deficiências diferentes, mais profundas, recebem. Não devia este complemento ser pago em função da deficiência, em função das necessidade pedagógica ou terapêuticas? Ou serei eu que estou a delirar?

Além disso, pergunto: se a segurança social considera a PHDA como deficiência permanente, porque o ministério da educação não a vê como tal? Porque será necessário lutar em todos os inícios de anos lectivos para ter apoios? Será que os ministérios não se entendem entre eles? Ou terão sequer algum tipo de comunicação entre eles? A pediatra de desenvolvimento entregou-me um relatório (saliente que não pedi nada!) extremamente completo desta vez, que enquadra o G. no âmbito da Lei 3/2008 e ainda sugere apoio na leitura dos enunciados, etc...

Confesso que me questiono ainda se devo entregar este relatório... Já sei que me vou meter mais uma vez em trabalhos...

Chegar à escola com um relatório do Hospital, supostamente de médicos habilitados e que sabem avaliar a hiperactividade, as necessidades de uma crianças hiperactivas, as suas limitações, incapacidades, dificuldades, mas também as suas capacidades de aprendizagem e/ou cognitivas, os seus pontos fortes, etc..., relatório esse que fala precisamente de incapacidades cognitivas que necessitam de uma abordagem diferenciada, entregá-lo à escola é como um murro no estômago... geralmente professores e/ou psicólogos educacionais levam isso como se de uma exigência se tratasse, como se apontássemos o dedo para eles e lhes disséssemos que não estão a fazer o trabalho que era suposto fazerem. Sentem-se ultrapassados e questionados quando na realidade, este relatório, passado por quem tem acompanhado a evolução, as conquistas e as batalhas perdidas, não é mais do que um alerta para uma problemática que pode ser ultrapassada, desde que todos se juntem e trabalhem no mesmo sentido.

Talvez tenha alguma sorte este ano, os professores parecem-me para já, muito mais abertos e empenhados. Sei que a psicólogo educacional da escola já está ao serviço, mas por enquanto ainda não viu o G. Por enquanto vou aguardar. Sei que tem muitas crianças para acompanhar e que não faz milagres, a escola tem crianças que precisam de mais apoio do que o G., não ponho isso em causa, mas o G. também precisa...

 

 

publicado por Abigai às 15:12

Novembro 16 2011

 

 

Revolta. É revolta que sinto hoje.
De há uns dias para cá, têm vindo muitos recados na caderneta do G., queixas relativas à sua falta de atenção nas aulas, - algo que me parece realmente estranho vindo de uma criança com PHDA! -, e também sobre a falta de conhecimentos.
Estranho!
Eu que pensava que o G. era um menino exemplar, repleto de sabedoria e sem qualquer tipo de dificuldades!
À professora de Matemática resolvi responder. Queixou-se que o G. não sabe a tabuada, não sabe fazer contas e não presta atenção.
Pois bem, pelos vistos é sabido mas alguns professores não sabem:

 

"É difícil separar os problemas de atenção dos problemas de memória. Se não somos capazes de estar atentos a uma informação, dificilmente conseguimos apreendê-la, integrá-la e armazená-la. Normalmente estas crianças têm uma boa memória a longo prazo mas a sua memória a curto prazo e a memória de trabalho deixam muito a desejar. Recordam-se do que aconteceu há um ano, mas têm muita dificuldade em reproduzir o que se lhes acabou de explicar."
(...)
"Memória de trabalho. Refere-se à capacidade de reter vários tipos de informação ao mesmo tempo. Se não somos capazes de representar mentalmente vários números, não podemos fazer cálculos mentais. Se queremos compreender o que lemos, temos que ser capazes de recordar as palavras do princípio de um parágrafo quando chegamos ao fim."
(...)
"Matemática. (...) Muitas crianças têm também uma discalculia - custa-lhes entender o tamanho relativo das figuras, aprender as tabuadas, recordar sequências de dígitos, entender o significado dos sinais e compreender conceitos matemáticos avançados."

 

Logo no dia seguinte, recebo mais um recado, desta vez da professora de apoio de Lingua Portuguesa que dizia mais ou menos assim: "o G. não presta atenção à aula, distrai-se e fala. Vou dar mais uma oportunidade, a continuar assim deixa de frequentar o apoio. Compreendo o problema de concentração, mas há limites."
Esta foi a gota!
Há limites sim! Há limites para a falta de informação dos professores - para não dizer ignorância -, há limites para a incapacidade das escolas em cumprir com as suas funções e obrigações de integrar todas as crianças, em proporcionar recursos pedagógicos para crianças com dificuldades específicas de aprendizagem. Há limites para tanta incompetência, ou não é esta uma escola inclusiva?
É este o futuro que queremos para as nossas crianças? Ensiná-las a marginalizar, a excluir aqueles que não se enquadram na norma?
O que devo dizer? Como resolver os problemas de atenção do G.?
Já sei! Vou começar a bater-lhe, talvez passe a comportar-se melhor, ou porque não, amarrá-lo à cadeira? Não... talvez fechá-lo numa sala sozinho durante o tempo lectivo para não incomodar ninguém?
Vou ter que sugerir estas soluções à escola, talvez resolva o problema....

 

O G. está medicado com metilfenidato. O G. tem terapia psicológica semanalmente, - e só eu sei o quanto me custa pagar as consultas! O G. vai regularmente às consultas de desenvolvimento no Hospital S. João. O G. foi sinalizado à escola. Entreguei na escola todos os relatórios médicos do hospital, do diagnóstico de dislexia, do psicólogo, etc.. O G. está num centro de estudos para reforçar conhecimentos.
Acho que estou a cumprir com a minha parte de educadora.
E o que faz a escola?
Não contrata a psicóloga educacional que o acompanhava desde que foi sinalizado, nem outra qualquer. Não proporciona qualquer tipo de avaliação diferenciada. Não reforça positivamente qualquer esforço demonstrado. Não! A escola reprimenda. A escola ameaça excluí-lo do apoio!

 

“O princípio fundamental das escolas inclusivas consiste em todos os alunos aprenderem juntos, sempre que possível, independentemente das dificuldades e das diferenças que apresentem. Estas escolas devem reconhecer e satisfazer as necessidades diversas dos seus alunos, adaptando-se aos vários estilos e ritmos de aprendizagem, de modo a garantir um bom nível de educação para todos, através de currículos adequados, de uma boa organização escolar, de estratégias pedagógicas, de utilização de recursos e de uma cooperação com as várias comunidades. É preciso, portanto, um conjunto de apoios e serviços para satisfazer as necessidades especiais dentro da escola.”
“…as escolas devem acolher todas as crianças, independentemente das suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras. Devem incluir as crianças deficientes ou sobredotadas, as crianças de rua, e as que trabalham, as de populações nómadas ou remontas; as de minorias étnicas e linguísticas e as que pertencem a áreas ou grupos desfavorecidos ou marginalizados.”

UNESCO (1994) Declaração de Salamanca e Enquadramento da Acção na Área das Necessidades Educativas Especiais, Lisboa: Instituto de Inovação Educacional

publicado por Abigai às 11:28

Outubro 31 2011

Curiosamente, hoje, ainda estava a acabar de ler este post e tocou o telefone.

Era a directora de turma do G. a contactar-me no seguimento da conversa que tivemos na passada terça-feira.

Falou com o G. relativamente aos elementos que lhe transmiti, os medos, as inseguranças e a falta de atenção e empenho nas aulas, e ligou-me para dar-me o feedback da conversa.

Desde que o G. ingressou na escola, tem tido aparentemente e a julgar pelas notícias que têm sido divulgadas imensa sorte com os professores.

No 1º ano teve uma professora que além de ser professora era também psicóloga e tinha trabalhado nos último 10 anos com alunos do ensino especial. Foi um pouco graças a ela que o G. foi diagnosticado, pois, apesar de sentir e no fundo saber que algo estava errado com o G., resistia e recusava a ideia de poder ser hiperactivo. A compreensão desta professora, também mãe de um miúdo com Asperger, ajudou-me a ultrapassar esta fase e partir para o diagnóstico.

No 2º ano o G., já diagnosticado e medicado, mudou de escola e, inicialmente, tive alguma dificuldade com a professora que não acreditava que o G. fosse hiperactivo, talvez pelo facto de estar controlado, mas, com o tempo foi percebendo e entendendo as dificuldades que tinha. Aos poucos verificou as limitações e lacunas que tinha, pediu ajuda ao agrupamento, arranjou-lhe uma professora de apoio individualizado 3 vezes por semana para ajudar o G. a aprender a ler - só conseguiu aprender a ler quase no final do 2º ano -, e sinalizou-o no agrupamento encaminhando-o para a psicólogo educacional que já no 3º ano começou a ter consultas com ele semanalmente.

Mais tarde ingressou no 5º ano, na sede de agrupamento, que supostamente tinha o processo dele e deveria estar a par das dificuldades e do diagnóstico. Por falta de organização ou incompetência dos órgãos administrativos, a directora de turma não tinha conhecimento que o G. estava sinalizado com dificuldades de aprendizagem e hiperactividade, nem tão pouco sabia que nesses último 2 anos usufruía do apoio da psicóloga do agrupamento. Os primeiros tempos foram difíceis mas depois de tudo esclarecido, deparei-me com uma professora dedicada, interessada e preocupada.

Antes mesmo do ínicio do 6º ano, ainda no período de férias, quando soube que a psicóloga ainda não tinha sido contratada por faltas de verbas e que não havia indicações de vir a sê-lo, a directora de turma entrou em contacto comigo para me explicar o que estava a acontecer e para alertar-me com tempo caso tivesse possibilidades de arranjar fora um psicólogo para o G.

Hoje ligou-me para dar-me o feedback da conversa que teve o G. e aproveitei para falar-lhe de um problema que surgiu na passada 6ª feira na aula de EVT em que o G. foi castigado sem perceber - ou não quer dizer -, porquê.

Sei que vai averiguar o que se passou e que me irá informar.

Felizmente, posso dizer que não será por falta de empenho ou interesse dos professores que o G. irá ter mais ou menos dificuldades, pelo menos no que diz respeito à directora de turma, o que é bom.

Sei que o caminho é muito acidentado e vai levar tempo a chegar à meta, mas sei também que alguns obstáculo foram eliminados logo à partido.

Supostamente, a Educação é mesma para todos. A julgar pelas notícias, parece-me que não será bem assim...

 

publicado por Abigai às 15:23

Dezembro 27 2010

 

Há dias acabei de ler este livro Sinto Muito de Nuno Lobo Antunes.

Não vou falar do livro, confesso que me decepcionou um pouco, não que não o considere bom ou que não tenha gostado, mas tinha uma ideia diferente em relação a ele.

Contudo, encontrei pelo meio uma crónica que me chamou muito atenção intitulada No mundo das crianças a preguiça não existe.

Aplica-se a todas as crianças e não apenas às crianças hiperactivas. Tocou-me muito porque descreve muito o que sinto em relação ao G. e às dificuldades que ele enfrenta diariamente.

Por isso, transcrevo aqui esta crónica que na minha modesta opinião, deveria ser lida por todos os professores, educadores e também pais.

 

A Inês tem sete anos e é encantadora. No quadro branco pintou uma paisagem ingénua, por onde passeia a sua infância. Num traço hesitante surgiram montes e casas e, por cima, um sol que, por se sentir sozinho, pediu a umas nuvens que lhe fizessem companhia. Quando acabou, a artista interrogou-me sem palavras, pedindo aprovação para um desenho colorido com o brilho do olhar, a vivacidade da expressão e a facilidade do sorriso. Como se pode julgar o que é maior do que nós?

Não foi fácil entender o motivo da consulta. Dentro da sala de aula - explicava a mãe - a Inês sofre uma metamorfose ao revés. A borboleta esfusiante transforma-se num bichinho amedrontado, que se esconde atrás dos colegas, na esperança de não ser notado. Tudo o que tem a ver com a escola, mesmo o mais simples exercício, a leitura ou escrita de um monossílabo, assemelha-se a um difícil número de trapézio, donde antevê, como eminente, uma queda aparatosa, ponto de exclamação numa arena sem rede. No entanto, mal toca a campainha para o «recreio», está de volta a alegria de viver que enche de cor, o nada de um quadro branco. Pouco a pouco, a Inês deixou de acreditar que era capaz e, na certeza da sua incompetência, sentiu-se culpada e má, menina que não presta, para quem as letras e os números têm segredos indecifráveis, enigmas que os colegas resolvem na ligeireza de um «abre-te Sésamo», tesouros que lhe estão vedados. Porém, estou certo que lê, como ninguém, a inquietação, (e angústia), que o olhar da mãe não consegue disfarçar.

Todos os meses percorro as escolas do país, levando um Evangelho de ideias simples, princípios em que acredito. As crianças nascem para ser felizes. O seu cérebro tem um potencial fantástico de curiosidade, espanto, encantamento pela descoberta. Até à entrada na escola, isto é evidente para todos os pais, que inevitavelmente se apaixonam por aquele brilhozinho nos olhos, o riso sem disfarce, a alegria sem nuvens. O dito inesperado, a observação certeira, a coerência com o universo. Porém, à entrada na escola, para muitos, tudo se transforma. De repente, o mundo mudou. O afecto ou o sorriso dos adultos parece depender da facilidade com que se resolvem novos quebra-cabeças, que envolvem gatafunhos a que os «crescidos» chamam letras e números. Se, para alguns, a navegação dessas águas é fácil e fonte de encorajamento e satisfação, para outros, é um cabo das Tormentas, sem Boa Esperança à vista. As crianças entristecem, prisioneiras de um aquário onde muitos olhos observam os seus resultados, realizações, derrotas. A autoconfiança esvai-se lentamente, a ida para a escola torna-se uma punição. As outras crianças, muitas vezes imitando os adultos, fazem troça de uma resposta errada, de uma leitura hesitante, de um ditado com erros, que é exibido, como edital, perante a turma. És preguiçoso - dizem uns - és um distraído - dizem outros. A insinuação da inferioridade vai-se tornando progressivamente mais clara, até atingir, por vezes, a afirmação pura e simples de que se é «burro». Em casa, tentando ajudar, a mãe senta-se com o seu filho, durante horas intermináveis, na realização dos trabalhos de casa. Tempo de frustração intensa, que muitas vezes acaba com lágrimas de uns e de outros. O mundo, para a criança, tornou-se hostil. Para os pais a perplexidade: como explicar que aquela criança tão «viva» e «esperta», se mostre incompetente quando posta à prova no mundo das letras e dos números. Como explicar que o que parece ter aprendido hoje, seja de pronto esquecido amanhã? Porquê hoje responder bem às questões colocadas em casa, mas chegado o dia do teste, tudo pareça ter-se dissolvido num mar de ignorância. Como explicar o contraste entre a dificuldade de concentração nas aulas e as horas esquecidas em frente a um jogo de computador, numa vigilância de sentinela? E o «click» de que os amigos falam e não chega? E a imaturidade que a psicóloga diagnosticou e não mais se resolve? A explicação surge em regra responsabilizando a criança: é distraída, preguiçosa, desinteressada. O discurso não deixa dúvidas, a culpa é da criança: «Porque não pões os olhos na tua irmã? Porque não és como o teu colega Luís? Sabes os sacrifícios que os pais fazem para te educar... porque não lhes dás essa alegria?» E a criança esforça-se mais uma vez, e mais uma vez falha, até à conclusão inevitável: não presta! E se não presta e não é capaz, porquê tentar? Algumas descobrem a saída que os poderá tornar populares: ser o «palhaço» da aula, o mais aventureiro, o que desafia a autoridade. Na infância e na adolescência...

O meu credo é simples:

- Não existem crianças preguiçosas, mas sim crianças cansadas do insucesso.

- O insucesso cria um círculo vicioso que gera mais insucesso, descrença, frustração.

- Os bons resultados, pelo contrário, aumentam a motivação, a confiança, o êxito.

- As crianças não acordam de manhã com intenção de falhar, errar, criar angústia em pais e professores. Se isso acontece, é porque a vida escolar nada lhes trouxe que as faça felizes ou confiantes.

A minha ideia mais simples, e porventura a mais importante, é que no mundo das crianças a preguiça não existe.

 

Revejo nestas palavras o percurso do meu G. Tem encontrado professores interessados mas infelizmente nem todos o são e com alguma frequência, são necessárias reuniões com a directora de turma para minimizar os problemas.

As dificuldades de comunicação com a professora de Inglês geraram muitos problemas para o G. que até febre fazia nos dias em que tinha essa aula. Não sei se por ter havido muitas queixas relativamente à disciplina, se por coincidência, mas o primeiro teste foi extremamente fácil e praticamente uma cópia do manual escolar, o que permitiu ao G. ter um "Bom". Levantou-lhe a auto-estima e pôs por enquanto um ponto final às noites mal dormidas, às febres e aos pesadelos, mas será que não vai voltar ao mesmo quando a poeira assentar?

 

 

publicado por Abigai às 21:03

Outubro 14 2010

Supostamente a escola é um local de aprendizagem e de educação.

Supostamente a escola é um local seguro para as nossas crianças.

Supostamente a escola tem o dever de ajudar os alunos com dificuldades de aprendizagem.

 

Supostamente porque na prática não é bem assim.

 

A primeira reunião com a directora de turma decorreu há uma semana. Iniciou às 18h30 e já passavam das 22h45 quando sai da escola!

Foi tudo uma grande desilusão para mim.

Tinha esta escola como uma boa escola com unidade de apoio a alunos com multideficiência e apoio especializado para a educação a alunos com perturbação do espectro do Autismo, o que me levava a pensar que o G. estava no estabelecimento certo e seria bem acompanhado.

No ano anterior visitava esta escola uma vez por semana, era atendido pela psicóloga educacional na unidade de apoio a alunos com dificuldades de aprendizagem e muito sinceramente, parecia-me tudo muito organizado, bem estruturado e sem qualquer sombras de dúvidas, ajudou muito o G.

Nunca me passou pela cabeça que esta escola, sede de agrupamento, pudesse ter tantos problemas.

Quando chove, mete água... Não tem auxiliares suficientes e são as crianças que acompanham os colegas com dificuldades ou deficientes.

Acho bem incutir algum sentido de responsabilidade e sensibilizar as crianças no sentido de ajudar e apoiar os menos favorecidos ou deficientes. Sem dúvida que é importante e pode ser fundamental para um futuro mais tolerante, mas não me parece que serem únicos responsáveis pela segurança e apoio a estes crianças seja o correcto. Não deveria haver algum auxiliar, algum funcionário que se preocupasse em saber se esta ou aquela criança que se perde porque tem por exemplo Síndrome de Asperger, está na sala correcta?

Só na turma dele são 3 crianças com Síndrome de Asperger.

 

Além disso, a segurança das crianças deixa muito a desejar.

A escola tem porteiro, supostamente não se entra de qualquer maneira. As crianças utilizam um cartão de acesso e de pagamento para evitar que tenham que andar com dinheiro, e para confirmar as autorizações de saída.

Fomos recebidos no dia da apresentação pela Polícia Segura.

Tudo levava a crer que havia segurança e que podíamos deixar as crianças na escola sem preocupações.

Mas não!

Há cerca de 15 dias, umas 5 ou 6 crianças da turma do G. foram ameaçadas por adolescentes aparentemente estranhos à escola, com navalhas. A polícia foi chamada, os miúdos não foram caços, ninguém sabe quem são, de onde vieram nem por onde entraram.

E, segundo conta o G., já não é a primeira vez. Denominam-se de Gang dos Palhaços, ou algo do género, e ameação os mais novos com navalhas e promessas de recortar-lhes o rosto.

O Conselho Directivo diz estar a investigar, a verdade é que nem os pais nem as crianças se sentem seguros.

A Polícia Segura, em vez de estar na escola, anda a rua a multar os pais que estacionam nas proximidades para acompanhar os filhos até ao portão.

Acham isso normal?

 

Estamos já a meio de Outubro, as aulas já iniciaram há um mês e a psicólogo educacional ainda não foi contratada. Afinal, é um agrupamento com ensino especial! Já não deveria estar em condições de atender os que precisam de ajuda?

O G. foi proposto para aulas de apoio a Português e a Matemática, disciplinas nucleares para as quais é imprescindível a aprovação para transitar para o ano seguinte. Até aí tudo muito bem e dei de imediato o meu acordo. Logo na segunda semana de aulas, o G. iniciou o apoio a Português e ficou encantado, sente-se muito apoiado pela professora, são apenas 3 alunos numa hora de estudo e sente-se a evoluir.

O grande problema é a matemática. A professora sabe mandar recados para casa a dizer que o G. tem que estudar mais os sólidos, consegue insistir tanto com ele nas aulas ao ponto de o deixar a chorar por não saber responder, etc., o que não consegue é encaixar aulas de apoio num horário em que o G. possa assistir! Pois é, marcaram as aulas de apoio de matemática num horário em que tem ciências da natureza e admiram-se de a encarregada de educação do G. que tanto necessita de apoio não ter autorizado a frequências das ditas aulas de apoio!

Já falei com a professora directora de turma, já exigi aulas de apoio a matemática. O G. está sinalizado, está proposto para aulas de apoio, tem esse direito e não vou prescindir dele. Se a prof. da turma não tem disponibilidade, que arranjem outro prof.! Sei e compreendo que a situação ideal é ter apoio com a prof. dele, mas por incompatibilidade de horário, têm que arranjar solução, não?

 

Haveria muito mais a dizer, mas parece-me que este post já vai longo...

O G. já se sente muito mais ambientado, tem me feito ver que eu preocupo-me demais, sem dúvida. De dia para dia parece mais crescido, já não tem problemas com nada. Tem que almoçar na escola à sexta-feira por causa das aulas de apoio a Português e, neste momento, tira a senha de forma autónoma, com o cartão de pagamento da escola, almoça, apresenta-se na sala de apoio a horas, usa relógio para não se atrasar, enfim, adaptou-se muito melhor do que eu pensava ser possível.

As dificuldades de aprendizagem têm-se acentuado muito, a matéria é mais complexa, sente-se perdido e incapaz.

A falta de apoio não vem ajudar à festa.

Mas tem demonstrado muita vontade, chega a casa senta-se, pega nos livros e estuda. Tem-me deixado de boca aberta!

Pena é ele não sentir o esforço a dar frutos!

 

 

publicado por Abigai às 17:44

Setembro 07 2010

Apesar do regresso às aulas ser apenas na próxima Segunda-feira, Quinta-feira terá lugar a apresentação na nova escola, novo ano e nova aventura escolar do G.

O G. parece preparado para esta nova etapa, está menos ansioso do que eu, muito bem disposto e acima de tudo muito falador e empenhado.

Este fim-de-semana dedicou-se a fazer cópias de um livro do filme Star Wars que devora logo ao pequeno almoço, diz ele que "é para treinar escrever... para estar pronto para a escola"! Mas claro, é sol de pouca dura e passado 5 minutos já nem sabemos onde anda!

 

Passou as férias sem medicação, está com as pilhas a 100, bem recarregadas e pronto para enfrentar tudo o que lhe aparecer pela frente.

Agora e desde que foi ao cinema com o pai ver o Panda Kung Fu, só pensa nisso e quer mesmo que encontre uma escola de Kung Fu, e "se não encontrares pode ser mesmo de karaté, mãe...".

Este - longo para nós, mas não para ele - periodo sem medicação passou-se bem... dependendo do ponto de vista, é claro.

Não posso dizer que fez asneiras, não. De facto, asneiras é coisa que pouco faz. Só não sabe parar! Levanta-se de madrugada, canta, grita, nunca obedece à primeira, anda sempre atrás de alguém ou alguma coisa, vai para um lado, vai para outro, chama, canta e volta a cantar, fala alto e nos momentos mais inconvenientes, não deixa falar, interrompe a torto e a direito, come... isso sim, come muito, está sempre esfomeado e mais do que tudo: fala, fala muito, e nem a dormir se cala.

Em suma, não se portou mal, simplesmente ficamos todos cansados implorando algum silêncio, alguma calmaria.

Lamentavelmente, não faltaram discussões, gritos e alguns castigos, quando se fala muito e não se ouve, quando não se obedece nem à terceira, quando não se sabe parar, é sempre complicado e, por mais que compreenda que não tem culpa, é minha obrigação incutir regras e bons comportamentos.

Além disso, houve algumas brigas, "grandes dramas" e sentimentos de rejeição com os primos franceses que passaram connosco as férias, mas nada que não se resolvesse. Acima de tudo dificuldades de comunicação devido ao entrave da língua, mas na verdade - e isso ainda não entendi muito bem como -, apesar de falarem linguagens diferentes, lá se foram entendendo e na hora da partida e pela primeira vez, vi o G. a chorar de saudades dos primos.

Mas agora, as férias terminaram.

 

Na tentativa de repor as regras e os hábitos dos dias de aulas, resolvi levá-lo já esta semana para o ATL, retomando assim a medicação.

Logo pela manhã, e como sempre falador, o tema principal era a medicação, deixando antever o regresso aos dramas matinais.

Primeiro o pequeno almoço que demorou uma eternidade - uma forma de atrasar a toma da medicação -, depois as conversas intermináveis - e eu sempre a ver quando é que se decidia a tomar a cápsula -, sempre com mais e mais a dizer, a fazer.... e o tempo a passar, até que não tive outra alternativa senão intervir com firmeza e autoridade para que tomasse o medicamento.

Assim fez e sem grande dificuldade. O problema é mesmo psicológico, tem sempre medo de não conseguir engolir e fica tão ansioso que até tem vómitos só de olhar para a cápsula!

Feito isto, saímos em direcção ao ATL e foi então que pelo caminho, vem a insegurança, o medo de falhar e de não ser aceite.

"Ao mãe... já não vou ao ATL há muito tempo, tenho vergonha...?"

"Ao mãe... e se os meus colegas já não gostarem de mim....?"

"Ao mãe... e se eu não conseguir passar de ano....?"

"Ao mãe..."

"Ao mãe..."

"Ao mãe..."

E por aí fora o caminho todo...

 

Lá fui respondendo do melhor que soube, tentando sempre reforçar a sua auto-estima, lembrando que o ano escolar ainda nem tinha começado, que os colegas da turma eram os mesmos, que todos gostavam muito dele, que a psicóloga educacional que o acompanha desde o ano passado vai estar lá, que desde que se esforçasse como sempre fez tudo iria correr bem, etc...

Ficou mais calmo e animado mas já sei que se avizinham tempos difíceis de muita insegurança e ansiedade.

Mas cada coisa a seu tempo...

Ainda nem começou...!

 

 

 

publicado por Abigai às 22:00

Junho 18 2010

 

Decorreu ontem a festa de finalista do G....

Finalista?

Pois é, já quando terminou o infantário e antes de ingressar no 1º ciclo, teve direito a uma festa de finalista com cartola e bengala, como manda a tradição.

Tradição?

Pois é, agora as crianças são finalistas quando terminam o ensino pré-primário e finalistas quando terminam o ensino básico.

É claro que para nós, pais, é giro, é bonito, enche-nos de orgulho, mas não será exagerado?

Ainda agora iniciou a aprendizagem, ainda tem muitos anos pela frente, muitas dificuldades e barreiras a ultrapassar, etc., mas já é finalista!

Não vou dizer que não gostei, é claro que adorei ver a alegria do G. sobretudo no término de um ano difícil, penoso, repleto de obstáculos, o brilho nos seus olhos, o orgulho que transpirava dele...

É claro que gostei.

Mas não me parece muito certo.

Não será desvirtualizar a essência das festas de finalistas universitários?

Os finalistas universitário, usam com o traje académico, no tradicional cortejo da Queima das Fitas, uma cartola e uma bengala com as cores da sua instituição académica como sinal de terem chegado ao fim da vida de estudante.

Mas na verdade, o G., como os seus colegas, ainda tem uma caminhada muito grande pela frente.

Não vou contudo negar que a cerimónia foi muito bonita, bem organizada pela escola e pela professora e até teve direito à presença do presidente da junta de freguesia que entregou os diplomas aos meninos e meninas que tinham na assistência pais e familiares todos babados!

Achei fantástico o Livro de Curso, para mais tarde recordar, com fotos dos colegas, da professora, dedicatórias de todos inclusive dos pais e amigos, um trabalho laborioso totalmente elaborado pela professora, nas suas horas livres, e no qual está bem patente a dedicação e o carinho que sem sombra de dúvida tem pelos "seus meninos", como gosta de dizer.

 

publicado por Abigai às 17:11

Março 12 2010

Às quintas-feiras, vou com o meu G. à sede do agrupamento escolar à consulta semanal com a psicóloga educacional. Até aí tudo bem.... Mas enquanto o G. está com a psicóloga fico a aguardar na sala de espera... por vezes com outras mães.

Faço alergia a salas de espera.

O primeiro sintoma é o sono.

Fico com tanto sono que mal consigo manter os olhos abertos!

Nem com um livro evito bocejar a cada segundo. Os sessenta minutos de consulta parecem-me intermináveis...

 

Esta última quinta-feira fui premiada com a presença de uma outra mãe, também ela à espera de um filho e uma filha, também com dificuldades de aprendizagem, embora tenha ficado com a impressão que, naquele caso, seja nível social em que estão inseridas, o maior travão para uma adequada aprendizagem.

 

Não gosto de tirar conclusões precipitadas até porque, a julgar pelo comportamento do meu G. e visto de fora, a maioria das vezes, suponho que pensem que não o sei educar.

Mas, apesar de ser muito irrequieto, de não conseguir estar sentado numa sala de espera, o G. é educado, não insulta ninguém - muito menos a própria mãe - nem se diverte a tecer comentários do género irrepetível sobre os transeuntes.

 

O que me chocou não foi o baixo nível social daquela família. Penso que ninguém faz por estar naquela situação, pode eventualemente é nada fazer para tentar sair dela, mas isso é diferente. O que me chocou foi a forma descontraída que aquela mãe tinha perante o mau comportamento dos filhos, o sorriso rasgado ao dizer que não tinha mão neles nem paciência.

O que me chocou foi ver uma senhora da minha idade, com três filhos, sem trabalho, com marido desempregado, queixar-se que não consegue levar os filhos todos à escola a horas porque a mais velha já anda na escola preparatória e não pode estar em dois lados ao mesmo tempo - até aí tudo bem - uma vez que o marido fica de manhã na cama a dormir porque saiu até tarde na noite anterior e o pobre precisa de descansar.

O que me chocou foi ver uma senhora da minha idade, a contar como teve a terceira filha sozinha em casa porque o marido não teve tempo de a levar a maternidade e os bombeiros só chegaram depois do nascimento.

O que me chocou foi ver uma senhora da minha idade, sem dentes na frente, dizer que lavar os dentes não é para ela, que prefere esperar que a segurança social lhe "pague dentes novos, daqueles que depois não saem...", que já fez o pedido e entregou orçamentos, que já foi aprovado e só está a aguardar ser chamada, porque "se tenho direito, não vejo porquê havia de ter vergonha de pedir...".

O que me chocou foi ver uma senhora da minha idade, dizer que quando chegam a casa, manda os filhos fazer primeiro os deveres e só depois podem jogar computador ou PlayStation... E dizer "ainda ontem ele estava a fazer contas... sabe aquelas contas em pé com números, mas eu não sei ajudar... Se ele diz que está feito é porque está..."

O que me chocou foi ver uma senhora da minha idade, com aquela simplicidade e totalmente desinibida, contar a vida que leve, a educação que dá aos filhos, foi perceber que a pobreza não é apenas económica.

 

O que me deixou preocupada foram aquelas crianças.

Pelo exemplo que levam, e se nada for feito por eles, se não tiverem ajuda, se não se instruirem, mais tarde levarão um vida igual aos pais...

Afinal, está visto que mesmo que não trabalhem têm tudo o que precisam, talvez mais até do que os outros....

O que me deixou preocupado foi perceber que aquelas crianças, apesar de terem computadores, PlayStation, boas roupas, bom calçado e aparentemente não lhes faltar nada, não têm as minhas oportunidades que o meu filho tem.

O que me deixou pensativa foi o nome dado ao rendimento social de inserção... Qual inserção? Não questiono o facto de precisarem ou não de apoio económico, naquele caso pareceu-me evidente, mas não deveria ser feito alguma coisa além do apoio financeiro?

 

publicado por Abigai às 13:58

Fevereiro 11 2010

Pois é...

É assim que se sente o meu G.

Injustiçado!

Ontem foi-se completamente abaixo, chorava ele, chorava eu, chorávamos os dois.

As dificuldades de aprendizagem limitam-no de cada vez mais, e a cada dia que passa, o fosso existente entre ele e os colegas é maior.

No ALT, a educadora, na tentativa de o tornar mais autónomo, quer que tente fazer os trabalhos sozinho - o que acho bem -, mas esquece-se de explicar-lhe o porquê.

Ao G., parece-lhe que ajuda mais os colegas do que a ele, e sente-se profundamente injustiçado. Sente que ajuda os que não têm dificuldade e a ele - com graves dificuldades de compreensão e expressão - não dá apoio.

Além disso, e como dá muitos erros ortográficos, deu-lhe TPC's que consistiam em copiar 8 vezes cada palavra erradamente escrita - o que também acho positivo -, mas também sem lhe explicar o porquê. E claro, interpretou isso como um castigo e não entende porque é castigado quando se esforça tanto.

Começa a achar que o esforço de nada vale e que é inferior aos outros.

A sua auto-estima sofreu ontem um abalo muito grande e já não sei como ajudá-lo.

Tento fazer-lhe entender que o que aconteceu ontem não foi castigo, que embora pareça injusto, o facto de ter mais dificuldades do que os colegas, obriga a mais trabalho e fazer cópias das palavras com erros ortográficos, só o vai ajudar a decorar como se escrevem, mas é muito difícil para uma criança de 9 anos, entender.

Apesar de concordar com o que a professora do ATL fez, vou ter uma conversa com ela, tentar fazer entender, também a ela, que tem que se explicar, que não pode permitir que ele interprete os trabalhos como castigos mas sim como um meio para atingir um fim, como algo que mais tarde irá agradecer, caso contrário, mais depressa irá desistir de tentar.

Triste, é chegar à noite, antes de dormir, já na cama, e ouvir um filho perguntar:

"Mamã, para ser trolha é preciso estudar muito?"

- É meu filho, é preciso estudar até ao 12º ano.

- E para ser lixeiro, também é preciso estudar?

- É meu filho, agora, até para não trabalhar, tens que estudar até ao 12º ano.

- Ao Mamã... mas eu não vou conseguir!

E desatar num pranto, porque se sente incapaz.

Triste é ver um filho sofrer e não saber mais como ajudá-lo a ultrapassar dificuldades que só ele pode enfrentar.

Não é que me importe que seja trolha ou lixeiro, todas as profissões são necessárias e dignas, desde que honestas, mas senti um aperto tão grande ao ouvir estas palavras...

Com 9 anos de idade já está a pensar numa profissão que ninguém quer, não por necessidade, mas por se achar incapaz de ser mais do que isso, por achar que não tem capacidade para estudar, por achar-se inferior.

Nenhuma criança deveria sofrer assim.

É de facto muito injusto.

 

publicado por Abigai às 12:00

Novembro 03 2009

A avaliar pelos resultados dos últimos testes, devo dizer que a situação do meu filho é preocupante.

As notas obtidas são de facto muito baixas, mas o esforço demonstrado foi impressionante.

Apesar das muitas dificuldades, é uma criança empenhada, interessada e esforçada.

Sabendo que a falta de resultados pode levar à desistência e ao abandono, tenho por hábito reforçar, valorizar e recompensar o seu empenho e fazer-lhe entender que as notas não são o mais importante.

Importante é nunca desistir, continuar a tentar, porque um dia conseguirá ser recompensado.

Mais do que contra o insucesso escolar, travo uma luta desmedida contra a baixa auto-estima.

Por mais que nos custe, a nós pais, a realidade é que não podemos ser todos doutores ou engenheiros e que todas as profissões são importantes, mas podemos e devemos ser todos felizes.

 

Depois existe o outro lado, o do sucesso.

O G. tem colegas com excelentes avaliações e que, ao contrário do que seria esperado, não marginalizam-no de forma alguma. Não atribuem qualquer importância ao facto de ter notas baixas, ignorando totalmente este facto e tratam-no muito bem.

No entanto, competem uns com os outros de uma forma a meu ver doentia.

Chegam ao ponto de "gozar" um colega simplesmente porque "apenas" tirou 90% no teste!

Será que estas crianças irão um dia saber lidar com o insucesso?

Serão adultos felizes?

Penso que devemos sempre valorizar o que um filho obtém ou consegue, que devemos levá-lo a querer sempre melhorar, mas será que quando atinge um ponto em que competir é levado ao extremo, em que o colega que habitualmente apresenta as melhores notas se torna no alvo a abater, devemos valorizar essas notas, ou será que devemos pôr travão nessa loucura?

Será que não temos o dever de ensinar aos nossos filho a compaixão, a camaradagem?

Mas o que haverá a fazer quando são as próprias mães, que numa entrega de avaliações, reclamam e se apoderam da palavra porque os filhos têm notas acima dos 90% quando poderiam ter mais e que não têm tacto suficiente nem contenção, na presença de outras mães que se contentariam com uns 50% dificilmente atingidos?

publicado por Abigai às 09:59

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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