Abigai

Agosto 26 2010

Pois... já lá vão mais de dois meses que não dou notícias, é verdade...

Não é que não tenha acontecido nada neste longo espaço de tempo, pelo contrário, mas realmente faltou-me alguma motivação.

 

Como já previa no passado mês de Janeiro e aqui referi, a empresa onde trabalhava fechou no início do passado mês de Junho.

Fechar não será bem o termo. Os quatro únicos funcionário, incluindo eu, rescindiram contrato com justa causa por falta de retribuição mensal.

Melhor dizendo, as portas da empresa fecharam por inexistência de pessoal mas a empresa, até à data, continua oficialmente a laborar, com quem não sei, como também não!

E, como o único sócio e gerente da empresa estava no Brasil, não houve quem recepcionasse as cartas de rescisão nem tão pouco quem assinasse as declarações de situação de desemprego.

Conclusão: apenas no final do mês de Julho recebi a primeira prestação do subsídio de desemprego a que tinha direito, mas, lamentavelmente, como a segurança social não paga retroactivos, fiquei a perder o valor referente a Junho... Como se não fosse suficiente estar mais de três meses sem receber ordenado!

Entre a Autoridade para as Condições do Trabalho, a Segurança Social, e o Centro de Emprego, muitas foram as deslocações e as burocracias até conseguir finalmente fazer parte das estatísticas.

 

Felizmente, os conhecimentos, a competência e 17 anos de experiência na minha área, ainda valem alguma coisa e não tive necessidade de procurar emprego ou enviar currículos. Ainda nem tinha dado entrada no Centro de Emprego e já tinha sido contactada por uma empresa da concorrência - porque no ramo das cozinhas equipadas todos se conhecem e tudo se sabe.

Contudo, e como estávamos num período de acalmia e de férias - quem se preocupa em remodelar ou fazer uma cozinha nesta altura do ano? -, não entrei de imediato nessa empresa e combinamos iniciar na próxima segunda-feira. Aproveitei este tempo de pausa para melhor ambientar-me com a empresa, o seu funcionamento e materiais.

Quer isto dizer que ainda usufruí de dois meses de desemprego e, embora já com trabalho garantido, tive que cumprir e comprovar que estava numa procura activa de emprego, caso contrário arriscava-me a ficar sem subsídio.

Compreendo que esta é a única forma que o Instituto do Emprego tem de "garantir" que não estão a usufruir do subsídio pessoas que não buscam emprego, mas confesso achar um pouco ridículo, pois qualquer um consegue comprovativos sem procura alguma!

Hoje, fui finalmente a Centro de Emprego declarar que a partir do dia 30 de Agosto estarei empregada, finalmente porque na verdade, já não aguentava as apresentações quinzenais e os "carimbos"!!

 

De resto, aconteceram algumas coisas boas nestes dois meses.

Além de me sentir de certa forma lisonjeada com as ofertas de emprego que recebi - é sempre bom para o ego perceber que apesar de tudo somos bem cotados no mercado de trabalho -, estive com a Teresa, os seus rebentos e a Susana, na companhia do meu marido e do meu G., foi uma tarde maravilhosa e com muita partilha... É incrível como duas crianças podem ser tão iguais, as nossas aventuras e experiências são tão similares que até assusta! E isto só vem mais uma vez, comprovar que muitas das características que vejo no meu G. são realmente ligadas à Hiperactividade.

Quantas e quantas vezes me censurei, me culpei pela educação que estava a dar ao G., quantas vezes pensei estar a falhar como mãe e educadora, quando na realidade trata-se de uma perturbação de que nenhum de nós tem culpa.

Não é desculpa para não educar, mas ajuda muito a educar sem culpas e sem medos.

 

Muito mais haveria para contar, em dois meses muita coisa acontece, mas enfim... fica para uma próxima.

 

 

publicado por Abigai às 17:03

Janeiro 14 2010

Vivemos tempos difíceis e conturbados, muito desemprego, muitas dificuldades, muitos temas no ar...

Quanto ao desemprego, serei provavelmente em breve - e assim o espero - mais uma a somar à longa lista de desempregados.

Triste é dizer "assim o espero". Comecei a trabalhar há 16 anos, nunca faltei sem necessidade absoluta, nunca estive de baixa a não ser quando fui submetida a uma cirurgia e até encurtei a minha licença de maternidade!

Trabalhar é uma paixão, adoro a minha profissão, mas neste momento, preferia estar desempregada, não por preguiça, não para ser sustentada pelo Estado, não!

Nunca pensei dizer isso um dia!

Mas na verdade, quando se está numa pequena empresa falida cujo gerente e único dono foi (fugiu?) para o Brasil sem deixar representande e sem data de regresso, quando estamos abandonados sem previsão de recebimento, com fornecedores à porta e sem perspectivas de venda, etc..., desanimamos e chegamos à conclusão que pouco mais há a fazer senão esperar e desejar fechar definitivamente a porta!

Mas como ficar desempregado se a empresa nem fecha, nem despede?

Segundo o ministério do trabalho, posso suspender o meu contrato de trabalho e receber pela Segurança Social. Para isso, basta enviar uma carta registada à empresa a informar que devido às remunerações em atraso fica o contrato suspenso.

Mas para quê enviar uma carta se na empresa não há quem a receba?

Ser um bom empresário não será também saber admitir quando chegou a hora de fechar? Assumir as suas responsabilidades e no mínimo, permitir aos colaboradores terem uma vida mais digna e partir para outra?

Porquê insistir em manter aberta uma empresa insolvente há mais de um ano e que além de não ter dinheiro para pagar aos funcionário, também não consegue pagar aos fornecedores e por conseguinte, não consegue satisfazer as encomendas dos clientes?

Infelizmente, e apesar de conhecer este tal empresário há 16 anos, só agora é que percebi o quanto fui ingénua estes anos todos, pensava que era uma pessoa trabalhadora e dedicada que se tinha envolvido com os sócios errados. Assim, acreditei que a empresa onde eu tinha iniciado a minha actividade profissional tinha fechado, não por culpa dele mas por causa dos sócios. Há 6 anos atrás e por me ter desentendido com os sócios deixei essa empresa mas passado 3 anos, e uma vez que o patrão que eu julgava bom ía lançar-se numa nova empresa, resolvi apoiá-lo e ajudá-lo.

Agora percebo que afinal, de bom empresário, não tem nada. Iniciar actividade com um capital social, na prática negativo e ir, a pouco e pouco, retirando dinheiro da empresa, de facto, não se pode chamar de boa gestão.

E pensar que fui conivente com esta má gestão, que o apoiei, que confiei, deixa-me completamente à beira do abismo! É claro que só agora percebo isso, tinha uma confiança cega e pensava conhecê-lo. Agora, só espero resolver a minha situação e também a dos meus colegas e tudo fazer para que não saia impune.

Como é possível pensar que uma empresa serve para financiar o empresário? Não será antes o empresário que deve financiar a empresa? Como é possível roubar a sua própria empresa, não será isso roubar-se a si-próprio?

Não consigo mesmo entender esta forma de pensar e estar na vida!!!

 

 

publicado por Abigai às 09:00

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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