Abigai

Abril 12 2011

 

Para variar.... estou exausta!

O G. voltou a não querer dormir, dormir é perder tempo, há tanto para fazer.... porquê perder tempo na cama?

Está de férias, eléctrico, cheio de energia... e eu, a ficar sem nenhuma!

Ainda no Domingo passado, ouvi familiares a dizer:

"... acho que nunca o vi assim, está mesmo eléctrico..."

Pois... que sorte, eu já o vi, assim e mais ainda!

O que é certo é que eu é que estou exausta... o rapaz tem mais do que fazer do que dormir, está com as baterias hiper carregadas e feliz!

Hoje já o levei para o ATL... medicado, pelo que espero que tenha menos energia logo, a ver vamos!

Ainda não tenho as notas do 2º período, parece-me que serão todas positivas - embora baixas -, não sei muito bem o que pensar, se é bom ou mau. Por exemplo a matemática, teve negativa em todos os testes, mas tem mostrado muita vontade, persistência e estudo, o que levou a professora a dar-lhe um 3. Será bom? Se os resultados das provas foram sempre negativos, ele não atingiu os objectivos, não adquiriu os conhecimento pretendidos. É certo que é muito esforçado e que este esforço deve valer alguma coisa, mas passar sem conhecimentos não me parece o mais adequado.

Não sei mesmo o que pensar!

 

 

publicado por Abigai às 11:38

Dezembro 27 2010

 

Há dias acabei de ler este livro Sinto Muito de Nuno Lobo Antunes.

Não vou falar do livro, confesso que me decepcionou um pouco, não que não o considere bom ou que não tenha gostado, mas tinha uma ideia diferente em relação a ele.

Contudo, encontrei pelo meio uma crónica que me chamou muito atenção intitulada No mundo das crianças a preguiça não existe.

Aplica-se a todas as crianças e não apenas às crianças hiperactivas. Tocou-me muito porque descreve muito o que sinto em relação ao G. e às dificuldades que ele enfrenta diariamente.

Por isso, transcrevo aqui esta crónica que na minha modesta opinião, deveria ser lida por todos os professores, educadores e também pais.

 

A Inês tem sete anos e é encantadora. No quadro branco pintou uma paisagem ingénua, por onde passeia a sua infância. Num traço hesitante surgiram montes e casas e, por cima, um sol que, por se sentir sozinho, pediu a umas nuvens que lhe fizessem companhia. Quando acabou, a artista interrogou-me sem palavras, pedindo aprovação para um desenho colorido com o brilho do olhar, a vivacidade da expressão e a facilidade do sorriso. Como se pode julgar o que é maior do que nós?

Não foi fácil entender o motivo da consulta. Dentro da sala de aula - explicava a mãe - a Inês sofre uma metamorfose ao revés. A borboleta esfusiante transforma-se num bichinho amedrontado, que se esconde atrás dos colegas, na esperança de não ser notado. Tudo o que tem a ver com a escola, mesmo o mais simples exercício, a leitura ou escrita de um monossílabo, assemelha-se a um difícil número de trapézio, donde antevê, como eminente, uma queda aparatosa, ponto de exclamação numa arena sem rede. No entanto, mal toca a campainha para o «recreio», está de volta a alegria de viver que enche de cor, o nada de um quadro branco. Pouco a pouco, a Inês deixou de acreditar que era capaz e, na certeza da sua incompetência, sentiu-se culpada e má, menina que não presta, para quem as letras e os números têm segredos indecifráveis, enigmas que os colegas resolvem na ligeireza de um «abre-te Sésamo», tesouros que lhe estão vedados. Porém, estou certo que lê, como ninguém, a inquietação, (e angústia), que o olhar da mãe não consegue disfarçar.

Todos os meses percorro as escolas do país, levando um Evangelho de ideias simples, princípios em que acredito. As crianças nascem para ser felizes. O seu cérebro tem um potencial fantástico de curiosidade, espanto, encantamento pela descoberta. Até à entrada na escola, isto é evidente para todos os pais, que inevitavelmente se apaixonam por aquele brilhozinho nos olhos, o riso sem disfarce, a alegria sem nuvens. O dito inesperado, a observação certeira, a coerência com o universo. Porém, à entrada na escola, para muitos, tudo se transforma. De repente, o mundo mudou. O afecto ou o sorriso dos adultos parece depender da facilidade com que se resolvem novos quebra-cabeças, que envolvem gatafunhos a que os «crescidos» chamam letras e números. Se, para alguns, a navegação dessas águas é fácil e fonte de encorajamento e satisfação, para outros, é um cabo das Tormentas, sem Boa Esperança à vista. As crianças entristecem, prisioneiras de um aquário onde muitos olhos observam os seus resultados, realizações, derrotas. A autoconfiança esvai-se lentamente, a ida para a escola torna-se uma punição. As outras crianças, muitas vezes imitando os adultos, fazem troça de uma resposta errada, de uma leitura hesitante, de um ditado com erros, que é exibido, como edital, perante a turma. És preguiçoso - dizem uns - és um distraído - dizem outros. A insinuação da inferioridade vai-se tornando progressivamente mais clara, até atingir, por vezes, a afirmação pura e simples de que se é «burro». Em casa, tentando ajudar, a mãe senta-se com o seu filho, durante horas intermináveis, na realização dos trabalhos de casa. Tempo de frustração intensa, que muitas vezes acaba com lágrimas de uns e de outros. O mundo, para a criança, tornou-se hostil. Para os pais a perplexidade: como explicar que aquela criança tão «viva» e «esperta», se mostre incompetente quando posta à prova no mundo das letras e dos números. Como explicar que o que parece ter aprendido hoje, seja de pronto esquecido amanhã? Porquê hoje responder bem às questões colocadas em casa, mas chegado o dia do teste, tudo pareça ter-se dissolvido num mar de ignorância. Como explicar o contraste entre a dificuldade de concentração nas aulas e as horas esquecidas em frente a um jogo de computador, numa vigilância de sentinela? E o «click» de que os amigos falam e não chega? E a imaturidade que a psicóloga diagnosticou e não mais se resolve? A explicação surge em regra responsabilizando a criança: é distraída, preguiçosa, desinteressada. O discurso não deixa dúvidas, a culpa é da criança: «Porque não pões os olhos na tua irmã? Porque não és como o teu colega Luís? Sabes os sacrifícios que os pais fazem para te educar... porque não lhes dás essa alegria?» E a criança esforça-se mais uma vez, e mais uma vez falha, até à conclusão inevitável: não presta! E se não presta e não é capaz, porquê tentar? Algumas descobrem a saída que os poderá tornar populares: ser o «palhaço» da aula, o mais aventureiro, o que desafia a autoridade. Na infância e na adolescência...

O meu credo é simples:

- Não existem crianças preguiçosas, mas sim crianças cansadas do insucesso.

- O insucesso cria um círculo vicioso que gera mais insucesso, descrença, frustração.

- Os bons resultados, pelo contrário, aumentam a motivação, a confiança, o êxito.

- As crianças não acordam de manhã com intenção de falhar, errar, criar angústia em pais e professores. Se isso acontece, é porque a vida escolar nada lhes trouxe que as faça felizes ou confiantes.

A minha ideia mais simples, e porventura a mais importante, é que no mundo das crianças a preguiça não existe.

 

Revejo nestas palavras o percurso do meu G. Tem encontrado professores interessados mas infelizmente nem todos o são e com alguma frequência, são necessárias reuniões com a directora de turma para minimizar os problemas.

As dificuldades de comunicação com a professora de Inglês geraram muitos problemas para o G. que até febre fazia nos dias em que tinha essa aula. Não sei se por ter havido muitas queixas relativamente à disciplina, se por coincidência, mas o primeiro teste foi extremamente fácil e praticamente uma cópia do manual escolar, o que permitiu ao G. ter um "Bom". Levantou-lhe a auto-estima e pôs por enquanto um ponto final às noites mal dormidas, às febres e aos pesadelos, mas será que não vai voltar ao mesmo quando a poeira assentar?

 

 

publicado por Abigai às 21:03

Fevereiro 11 2010

Pois é...

É assim que se sente o meu G.

Injustiçado!

Ontem foi-se completamente abaixo, chorava ele, chorava eu, chorávamos os dois.

As dificuldades de aprendizagem limitam-no de cada vez mais, e a cada dia que passa, o fosso existente entre ele e os colegas é maior.

No ALT, a educadora, na tentativa de o tornar mais autónomo, quer que tente fazer os trabalhos sozinho - o que acho bem -, mas esquece-se de explicar-lhe o porquê.

Ao G., parece-lhe que ajuda mais os colegas do que a ele, e sente-se profundamente injustiçado. Sente que ajuda os que não têm dificuldade e a ele - com graves dificuldades de compreensão e expressão - não dá apoio.

Além disso, e como dá muitos erros ortográficos, deu-lhe TPC's que consistiam em copiar 8 vezes cada palavra erradamente escrita - o que também acho positivo -, mas também sem lhe explicar o porquê. E claro, interpretou isso como um castigo e não entende porque é castigado quando se esforça tanto.

Começa a achar que o esforço de nada vale e que é inferior aos outros.

A sua auto-estima sofreu ontem um abalo muito grande e já não sei como ajudá-lo.

Tento fazer-lhe entender que o que aconteceu ontem não foi castigo, que embora pareça injusto, o facto de ter mais dificuldades do que os colegas, obriga a mais trabalho e fazer cópias das palavras com erros ortográficos, só o vai ajudar a decorar como se escrevem, mas é muito difícil para uma criança de 9 anos, entender.

Apesar de concordar com o que a professora do ATL fez, vou ter uma conversa com ela, tentar fazer entender, também a ela, que tem que se explicar, que não pode permitir que ele interprete os trabalhos como castigos mas sim como um meio para atingir um fim, como algo que mais tarde irá agradecer, caso contrário, mais depressa irá desistir de tentar.

Triste, é chegar à noite, antes de dormir, já na cama, e ouvir um filho perguntar:

"Mamã, para ser trolha é preciso estudar muito?"

- É meu filho, é preciso estudar até ao 12º ano.

- E para ser lixeiro, também é preciso estudar?

- É meu filho, agora, até para não trabalhar, tens que estudar até ao 12º ano.

- Ao Mamã... mas eu não vou conseguir!

E desatar num pranto, porque se sente incapaz.

Triste é ver um filho sofrer e não saber mais como ajudá-lo a ultrapassar dificuldades que só ele pode enfrentar.

Não é que me importe que seja trolha ou lixeiro, todas as profissões são necessárias e dignas, desde que honestas, mas senti um aperto tão grande ao ouvir estas palavras...

Com 9 anos de idade já está a pensar numa profissão que ninguém quer, não por necessidade, mas por se achar incapaz de ser mais do que isso, por achar que não tem capacidade para estudar, por achar-se inferior.

Nenhuma criança deveria sofrer assim.

É de facto muito injusto.

 

publicado por Abigai às 12:00

Novembro 03 2009

A avaliar pelos resultados dos últimos testes, devo dizer que a situação do meu filho é preocupante.

As notas obtidas são de facto muito baixas, mas o esforço demonstrado foi impressionante.

Apesar das muitas dificuldades, é uma criança empenhada, interessada e esforçada.

Sabendo que a falta de resultados pode levar à desistência e ao abandono, tenho por hábito reforçar, valorizar e recompensar o seu empenho e fazer-lhe entender que as notas não são o mais importante.

Importante é nunca desistir, continuar a tentar, porque um dia conseguirá ser recompensado.

Mais do que contra o insucesso escolar, travo uma luta desmedida contra a baixa auto-estima.

Por mais que nos custe, a nós pais, a realidade é que não podemos ser todos doutores ou engenheiros e que todas as profissões são importantes, mas podemos e devemos ser todos felizes.

 

Depois existe o outro lado, o do sucesso.

O G. tem colegas com excelentes avaliações e que, ao contrário do que seria esperado, não marginalizam-no de forma alguma. Não atribuem qualquer importância ao facto de ter notas baixas, ignorando totalmente este facto e tratam-no muito bem.

No entanto, competem uns com os outros de uma forma a meu ver doentia.

Chegam ao ponto de "gozar" um colega simplesmente porque "apenas" tirou 90% no teste!

Será que estas crianças irão um dia saber lidar com o insucesso?

Serão adultos felizes?

Penso que devemos sempre valorizar o que um filho obtém ou consegue, que devemos levá-lo a querer sempre melhorar, mas será que quando atinge um ponto em que competir é levado ao extremo, em que o colega que habitualmente apresenta as melhores notas se torna no alvo a abater, devemos valorizar essas notas, ou será que devemos pôr travão nessa loucura?

Será que não temos o dever de ensinar aos nossos filho a compaixão, a camaradagem?

Mas o que haverá a fazer quando são as próprias mães, que numa entrega de avaliações, reclamam e se apoderam da palavra porque os filhos têm notas acima dos 90% quando poderiam ter mais e que não têm tacto suficiente nem contenção, na presença de outras mães que se contentariam com uns 50% dificilmente atingidos?

publicado por Abigai às 09:59

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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