Abigai

Outubro 15 2012

Como prometido, lentamente mas seguramente, retomo este espaço que, como já várias vezes referi, revelou ser um elemento importante da minha vida, permitiu-me abrir horizontes e descobrir caminhos que achava perdidos, encontrar pessoas que vivem as mesmas experiência, trocar impressões e perceber que nem tudo se resume a uma boa educação quando se trata de lidar com PHDA.

Nesta vivência conheci pessoas fantásticas, mães dedicadas e preocupadas, filhos que poderiam ser cópias do meu G., de meios, localidade e idades diferentes mas que convivem diariamente com as mesmas dúvidas, as mesmas dificuldades, as mesmas frustrações e travam as mesmas batalhas.

 

Na passada sexta-feira, depois de escrever o primeiro post após uma ausências de quase sete meses, recebi um e-mail da Patrícia, que, não tendo notícias nossas desde que deixara este espaço, escreveu-me para saber de nós, do G., dos resultados do ano transacto e do arranque deste novo ano lectivo.

Achei uma coincidência incrível. Escrevi o post pela manhã mas programei a sua publicação para as 13H15. A Patrícia enviou-me o e-mail às 12h58, ainda não podia ter visto as notícias que publiquei!

Ao meu comentário  "Curiosamente, hoje mesmo decidir voltar a escrever...", a Patrícia respondeu-me:  "Não há coincidências... o que só prova que há algo que nos liga uns aos outros..."

 

Coincidência ou ligação?

É de facto incrível e fantástico o que podemos encontrar aqui!

Não conheço pessoalmente a Patrícia, mas haverá amizades mais genuínas do que estas que fazemos aqui, virtualmente, com ligações tão fortes que unem pessoas com as mesmas vivências, as mesmas experiências?

Aqui não precisamos de floriar as nossas vidas, torná-las perfeitas, somos verdadeiros, relatamos as nossas dificuldades, as batalhas que travamos contra a adversidade, falamos dos nossos fracassos como educadores, sem medos, sem recear as críticas, os julgamentos a que estamos todos os dias sujeitos, nas escola, no supermercado, na rua, por pessoas ignorantes que desconhecem a PHDA, que depressa apontam o dedo...

 

Coincidência ou ligação?

Os dados estão lançados...

 

 

publicado por Abigai às 12:23

Outubro 12 2012

Há quase sete meses que deixei de parte este blog que, ao longo dos últimos três anos muito me ajudou e abriu novos horizontes.

Nestes últimos sete meses pouco ou nada mudou.

O tempo não curou um estado de alma depressivo, apenas atenuou os queixumes.

Lentamente vou tentar regressar, timidamente, sem grandes ambissões. Sinto falta da escrita lida, dos comentários de apoio.

Muito se passou desde o último post sério, sem lamentações.

 

Curiosamente e contra todas as minhas expectativas, o G. passou para o 7º ano. Apesar dos maus resultados nos exames nacionais, transitou apenas com negativa a matemática. Após alguma luta para fazer valer os seu direitos na escola e conseguir algum apoio individualizado além do apoio educativo, o G. teve uma avaliação diferenciada a Português, com testes adaptados à suas dificuldades, o que permitiu ir tirando algumas notas positivas. Feitas as contas e considerando os 25% que os exames nacionais pesavam na avaliação final, conseguiu transitar.

Inicialmente, fiquei com dúvidas: transitar era concerteza positivo para a sua auto-estima, contudo, repetir o ano poderia ser também uma mais-valia para reforçar conhecimentos.

Hoje, e embora ainda só tenha iniciado este novo ano escolar há um mês, sinto que foi uma aposta acertada.

Em primeiro lugar, o G. sente-se mais confiante e optimista por agora ser um dos "grandes" da escola. Está no 7º ano e feliz.

Em segundo lugar, tem finalmente um horário acertado, de acordo com as suas características, um horário da manhã, no qual todas as disciplinas importante decorrem nas primeiras horas do dia, quando está mais desperto, mais atento, em pleno efeito da medicação.

Como em todas as transições de ciclo, a minha maior preocupação foi informar a directora de turma das suas dificuldades, da sua PHDA. Como já suspeitava, apesar de estar tudo no seu processo individual, a informação ainda não tinha chegado no início do ano lectivo.

Mas algo que sinceramente não esperava aconteceu. Logo na primeira aula de apresentação de Português, a professora, que não é directora de turma, fornecer aos alunos o seu endereço de e-mail, solicitando aos pais que enviasse um de forma a ficar com os contactos dos pais.

Fiquei agradavelmente surpresa, pois tanta disponibilidade por parte dos professores não é coisa comum. Aproveitei para informar a professora que o G. tem PHDA e dificuldades específicas além das características disléxicas. Por sua vez, a professora informou a directora de turma, professora de matemática, que, logo na primeira reunião com os encarregados de educação, quis falar comigo em privado. Foi tudo tão interessado, tão preocupado, que fiquei deveras surpreendida. Não foi preciso reuniões nem queixas, senti um interesse por parte dos professores a que pouco habituada estava; na 2º semana, o G. já estava com aulas de apoio e o contacto via e-mail com a directora de turma tem sido muito frequente.

O reforço positivo está presente desde o início, o G. sente-se compreendido, e demonstra um interesse muito maior pelo estudo.

Tudo leva a crer que este ano irá ser menos stressante do que os anteriores, menos angustiante, mais aberto e mais suave, apesar da matéria ser mais difícil.

A ver vamos.

 

Para além da evolução do G. nestes últimos sete meses, o meu estado de espírito pouco mudou. O olhar da minha mãe nos dois dias que passamos nas urgências antes duma cirurgia que acabou por ser apenas o adiamento de um triste desfecho, ficou gravado na minha retina, um olhar de agonia, um pedido de paz. Uma súplica que eu não deferi, uma cirurgia que eu teimei em autorizar, no momento, talvez por covardia, talvez agarrada à esperança, e que agora me consome diariamente. Horas de espera, à porta do bloco operatório, no dia em que fazia 18 anos que o meu pai tinha falecido, talvez pela repetição da data, pela recusa em perder um pilar importantíssimo da minha vida... Horas de espera que continuam a remoer.

A perda é extremamente difícil de superar, é verdade, se ao menos conseguisse apagar as últimas imagem e recordar apenas a vida...

Mas algo de positivo saiu desta experiência traumática, se é que é possível falar de algo positivo numa perda desta natureza.

Há 50 anos atrás, o meus pais já se preocupavam com o envelhecimento da população de que tanto se fala hoje em dia e resolveram contribuir com 7 filhos, que por sua vez contribuíram com mais 12. Sete filhos divididos por 2 paises e 7 cidades diferentes e afastadas umas das outras. Sete filhos que há anos não se juntavam em torno de uma mesma mesa, juntos.

Da perda resultou uma resolução: pelo menos uma vez por ano comprometemo-nos em juntarmo-nos todos um fim-de-semana. Comprometemo-nos em adiar os nossos afazeres, arranjar forma e tempo para viajar, por Portugal ou França alternadamente, pôr de parte todas as desculpas que facilmente damos a nós próprios para justificar meses a fio sem notícias uns dos outros, e juntarmo-nos, em torno de uma mesa, em honra, memória e agradecimento pela vida que temos, pela educação e oportunidades que nos foram dadas pelas duas pessoas que nos trouxeram ao mundo e que tanto se sacrificaram por nós, sem nenhum queixume, sem nenhuma desculpa.

O primeiro encontro aconteceu no passado mês de Agosto, um encontro em que só faltaram 4 sobrinhos e 1 cunhada, por impedimentos diversos, mas conseguiu juntar 21 pessoas em torno de uma mesa gigantesca, com muita alegria e choro pelo meio, com muitas garrafas e boa comida. Um fim-de-semana memorável que finalmente permitiu tirar uma fotografia com 7 irmãos que há anos não estavam juntos ao mesmo tempo. Muita emoção e memórias, e a promessa de repetir no próximo ano!

 

 

 

 

publicado por Abigai às 13:15

Março 05 2012

Sentada, mergulho nos meus pensamentos, por vezes obscuros, por vezes pacíficos, calmos, outras vezes de dúvida e solidão.

Sentada no escuro, sinto uma presença que acarinha, acalenta este desassossego constante, perturbante.

Esta sensação de abandono, de acusação, de culpa.

É então que me levanto. Ergo-me para melhor ver e sentir, para enxergar a realidade e finalmente perceber que nada mais será igual, que não haverá mais conselhos, mais apoio, que terei que viver por mim, decidir por mim e aprender a lidar com o julgamento alheio.

Percebo por fim que o caminho seguro não é mais aquele que conhecia e seguia, que terei que desvendar novos roteiros para chegar ao destino, que o destino é incerto, acidentado e sinuoso.

Mas é nessa direcção que tenho que seguir.

Apenas falta perceber como.

 

publicado por Abigai às 23:02

Março 03 2012

Há um mês, neste dia, o meu mundo desabou...

Há um mês, neste dia, o inevitável deixou um fosso implacável...

Há um mês, neste dia, tudo mudou...

 

Hoje, estilhaçada pela dor, tento juntar os cacos.

O caminho é longo e sinuoso,

A caminhada parece não ter fim.

 

A cada instante, a cada canto, a cada olhar, surge mais uma lembrança.

Lembrança.

O que haverá de melhor, senão a lembrança?

Recordar os bons momentos, os maus também...

Recordar para não esquecer...

Recordar para manter a chama viva,

Manter a vida.

Recordar.

 

Por vezes um poço de mistério,

Por vezes sem paciência,

Por vezes, um silêncio impenetrável...

Mas sempre amiga, sincera, generosa e sensível.

 

Emanava de ti uma esperança avassaladora

Que me deixava completamente prostrada...

Sofredora, calavas o que te ia na alma,

E eu, embrenhada nos meus problemas mesquinhos,

Nos meus dilemas egoístas,

Jamais imaginava ou lembrava a tua dor.

Foste uma lutadora, uma grande mulher.

 

És uma grande mulher.

És.

Porque continuas aqui, bem perto...

 

 

publicado por Abigai às 14:35

Fevereiro 15 2012

Há momentos na vida em que tudo parece fugir-nos...
A vontade de lutar, a vontade de viver, parecem esfumarem-se com um simples sopro.
Contigo aprendi que nada é assim tão simples, que lutar vale sempre à pena, que a vida é preciosa, é uma dádiva que não se deve desperdiçar. Viver é muito mais do que estar presente, viver é muito para além do que estar à vista...
Deixaste a tua marca, deixaste o teu exemplo, deixaste o teu amor, o teu carinho, e mais do que tudo, deixaste a tua presença em tudo o que tocaste, em mim, no meu pensamento e em tudo o que hoje sou.
Sei que vou deixar de te ver, que não estarás mais ao meu lado, que não me receberás mais quando chegar a casa, mas também sei que estarás sempre como sempre estiveste, ao meu lado.
Não te verei mas estarás cá, sentir-te-ei junto de mim, como hoje já sinto, sentir-te-ei no meu ser, no meu coração...
Dar-te-ei motivos de orgulho, ver-me-ás seguir em frente, viver, lutar como me ensinaste. Sei que ainda não estou no caminho certo, ainda é muito difícil, mas também sei que conseguirei, que seguirei o teu exemplo...
Pensarei em ti como sempre, falarei contigo como sempre, e quem sabe, talvez ainda arranje alguns motivos para ralhar contigo, como por por vezes acontecia...
O amor nunca acaba....

publicado por Abigai às 12:07

Fevereiro 13 2012

Há quase quatro anos deixei a minha casa, os meus pertences, as minha rotinas...
Há quase quatro anos deixei tudo sem olhar para trás...
Há quase quatro anos deixei a minha vida em suspenso para acompanhar-te, acarinhar-te e fazer-te alguma companhia.

 

Agora sinto-me perdida.
Agora já não tenho casa, já não tenho nada, e já não te tenho...
Vejo-te em cada canto, em cada esquina...
O silêncio que encontro ao chegar ensurdece-me, falta-me a televisão ligada, o barulho do exaustor...

 

Há quase quatro anos que a minha vida girava em torno das tuas necessidades, de ti...
Há quase quatro anos que deixei de pensar em mim, na minha vida...
Há quase quatro anos que deixei de fazer planos...

 

Agora preciso de reencontrar-me.
Preciso de encontrar o meu espaço, refazer as minha rotinas, retomar as rédeas...
Por isso preciso de refazer tudo, desfazer-me dos teus móveis, das tuas coisas...
Perdoa-me... não te quero apagar da minha memória, não me custa ver-te em tudo o que está ainda em casa, no lugar onde deixaste...
Não é por me doer ver tudo como sempre esteve... É para me reencontrar, para criar o meu espaço, sentir-me na minha casa...
Porque sempre que abro a porta e entro, continuo a entrar na tua casa, à espera de te ver...
Mas não estás lá... não estarás mais.

 

Sei que entendes...
Sei que estás comigo...
E sei que preciso de fazer algo por mim...

 

 

publicado por Abigai às 12:03

Fevereiro 12 2012

 

Existem palavras de amor, de ternura, de carinho...

Existem palavras bonitas, simples e expressivas...

 

Existem milhares de palavras.

 

  Mas não existem palavras para descrever tudo o que nos deixaste, o amor que nos deste, a educação...

  Não existem palavras para expressar o exemplo de vida que foste para nós.

 

  Para ti e por ti, sem mais palavras....

 

 

publicado por Abigai às 16:23

Fevereiro 02 2012

Carlos Almeida, autor de “Os Senhores da Vida e da Morte”, (...), deu uma entrevista ao Porta-Livros onde falou precisamente do seu livro, um romance muito intenso e doloroso onde a morte é a protagonista, exaltando, por consequência, o valor da vida. (...)

 

"O tema vida é dos que gosto muito de debater. Não do ponto de vista esotérico, ou pela discussão sócio-religiosa, mas sim pela simplicidade da sua riqueza, afinal a vida é a maior das riquezas que temos e tantas vezes a tratamos mal. Mas a vida sem a morte não pode existir, são duas verdades que vivem ligadas, entrelaçadas na nossa existência. Algo que sempre me fez uma real confusão, foi verificar que as pessoas teimam em dar o real valor à vida quando estão perante a morte. Desperdiçam a vida em coisas fúteis, vazias, sem vida, e depois, quando estão perante a morte, lembram-se que estão vivos. Mas no meio disto, vão desenvolvendo um enorme medo da morte, o que as faz estarem cada vez mais distantes da vida. (...) a morte é um complemento à vida e temos de aceitar isso, com o medo natural de se gostar tanto de viver que não se quer morrer cedo. Só assim teremos a capacidade de olhar a vida com o agrado que ela merece. Mas estamos sempre a tempo de aceitar a morte. E aqui entra outro ponto que me levou a escrever este livro, onde está afinal a vida, mesmo depois da morte? Ao longo da História da Humanidade, o Homem foi dando demasiada importância ao corpo, por isso se venera tanto um corpo na morte, e por isso existe a necessidade de existirem locais de “culto” como os cemitérios (para mim apenas locais para perpetuar a dor da perda). Mas seremos nós apenas corpos? Penso que somos muito mais do que isso. Somos uma essência, que vive para lá do corpo. Costumo dizer que existe uma diferença entre morrer e falecer. Morrer é estarmos sós por completo na essência dos sentimentos, mesmo que ainda exista um corpo vivo, mas falecer é estarmos bem vivos na essência dos sentimentos, mas infelizmente o corpo já não existe. E isto está retratado no belíssimo poema do Henry Scott Holland (...). Temos de aprender a encontrar as pessoas, depois da partida do corpo, na essência dos sentimentos, ou seja, eu hoje encontro aqueles que já não têm o seu corpo vivo perto do meu, nas mais variadas formas, no vento, no sol pela manhã, numa música que escutamos, num local onde estivemos, numa simples conversa que tivemos… e isso é a vida. E eles continuam todos vivos, tomaram foi outra forma, outro “corpo”. Uma confissão, eu praticamente evito ir a funerais… porque é que temos de fazer o dito luto numa celebração de enterro completo de alguém que amámos e ainda amamos? Temos é de guardar a sua existência viva e repleta de essência desse mesmo amor."
(...)

 

Publicada in blog "Porta-Livros" de Rui Azeredo.

in Carlos Almeida

 

publicado por Abigai às 14:11

Fevereiro 01 2012

 

 

 

À espera do inevitável... uma espera desesperante, angustiante...

Uma vida em suspenso, uma vida interrompida...

Uma respiração sufocada, lenta...

 

Simplesmente uma interminável espera...

 

 

publicado por Abigai às 12:21

Janeiro 31 2012

Atormentada pela decisão que tomei por ti e quando começava a acreditar que te encaminhavas para o melhor desfecho possível, voltamos à estaca zero, ao ponto de partida...

Neste momento angustiante, lembrei-me deste livro...

"Este livro é um livro de vida (...). É um livro para reflectir, pensar e mesmo confrontar. É um livro onde todos estamos ligados."

E confesso... como gostava de ver a vida e a morte com são encaradas neste livro de Carlos Almeida.

Na contracapa do livro está um poema de Henry Scott Holland, o mesmo com o qual concluí este romance e após o qual ainda podemos ler:

"Afinal a vida e a morte moram juntas, lado a lado, na península dos corpos. A vida e a morte são a maior das fronteiras de nós mesmos."

 

A morte nada é.

Eu apenas estou do outro lado

Eu sou eu, tu és tu.

Aquilo que éramos um para o outro

Continuamos a ser.

Chama-me com sempre me chamaste.

Fala-me como sempre me falaste.

Não mudes o tom da tua voz,

Nem faças um ar solene ou triste.

Continua a rir daquilo que juntos nos fazia rir.

Brinca, sorri, pensa em mim,

Reza por mim.

Que o meu nome seja pronunciado em casa

Com sempre foi;

Sem qualquer ênfase,

Sem qualquer sombra.

A vida significa o que sempre significou.

Ela é aquilo que sempre foi.

O 'fio' não foi cortado.

Porque é que eu, estando longe do teu olhar,

Estaria longe do teu pensamento?

Espero-te, não estou muito longe,

Somente do outro lado do caminho.

Como vês, tudo está bem.

Henry Scott Holland

 

Uma vida em suspenso, atormentada, angustiada, este sofrimento, o teu sofrimento.... agora mais sereno, inconsciente, silencioso...

 

publicado por Abigai às 12:35

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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