Abigai

Março 05 2012

Sentada, mergulho nos meus pensamentos, por vezes obscuros, por vezes pacíficos, calmos, outras vezes de dúvida e solidão.

Sentada no escuro, sinto uma presença que acarinha, acalenta este desassossego constante, perturbante.

Esta sensação de abandono, de acusação, de culpa.

É então que me levanto. Ergo-me para melhor ver e sentir, para enxergar a realidade e finalmente perceber que nada mais será igual, que não haverá mais conselhos, mais apoio, que terei que viver por mim, decidir por mim e aprender a lidar com o julgamento alheio.

Percebo por fim que o caminho seguro não é mais aquele que conhecia e seguia, que terei que desvendar novos roteiros para chegar ao destino, que o destino é incerto, acidentado e sinuoso.

Mas é nessa direcção que tenho que seguir.

Apenas falta perceber como.

 

publicado por Abigai às 23:02

Fevereiro 27 2012

 

Abandonado a uma sorte esquecida,

Ignorado,

Só no meio de uma multidão desenfreada,

Intensa,

Pequeno perante a imensidão de um mar revoltado,

Numa viagem sem volta,

Desprovido de qualquer talento diante de uma plateia repleta,

Numa manhã vazia,

Perdido,

Insignificante,

Minúsculo,

Distante,

Um vazio cortante...

Um poço sem fundo...

 

publicado por Abigai às 14:45

Fevereiro 12 2012

 

Existem palavras de amor, de ternura, de carinho...

Existem palavras bonitas, simples e expressivas...

 

Existem milhares de palavras.

 

  Mas não existem palavras para descrever tudo o que nos deixaste, o amor que nos deste, a educação...

  Não existem palavras para expressar o exemplo de vida que foste para nós.

 

  Para ti e por ti, sem mais palavras....

 

 

publicado por Abigai às 16:23

Dezembro 23 2011

 

Exorcizado o fantasma da doença e uma vez aceite a perspectiva de um futuro doloroso e penoso, restam-me algumas considerações a fazer após uma semana em completa letargia e comiseração...
- por muito que pensemos estar preparados para qualquer eventualidade, por muito que pensemos saber e saber aceitar, na verdade, colocados perante a confirmação dos factos, percebemos que não estávamos nem estamos preparados para enfrentar a realidade...
- que por mais que tentemos esconder, disfarçar ou enganar, o estado emocional transparece muito para além da aparência, do aspecto físico ou visual, e por mais que tentemos, deixamos transparecer uma fragilidade que, recalcada, apenas conduz a mais perguntas ou explicações que nos deixam ainda mais desarmados...
- que sofrer por anticipação não minimiza o sofrimento, pelo contrário, amplifica-o...
- e sobretudo, que não há maior desafio do que enfrentar o desconhecido que acreditamos erradamente conhecer....

 

publicado por Abigai às 14:07

Setembro 02 2011

 

 

A maior descoberta da minha geração é que qualquer ser humano pode mudar de vida, mudando de atitude”

William James (1842-1910)

 

Sou de natureza muito optimista. Tento sempre ver o lado bom de cada coisa ou situação.

Existe sempre um lado positivo. O negativismo irrita-me e acredito que se procurarmos ter confiança em nós e nas nossas capacidade, conseguimos mais cedo ou mais tarde alcançar e atingir os nossos objectivos.

 

Auto-estima*

s.f.

Apreço ou valorização que uma pessoa confere a si própria, permitindo-lhe confiança nos próprios actos e pensamentos.

 

Confiança*

s.f.

1. Confiança proveniente da convicção no próprio valor.

2. Fé que se deposita em alguém

3. Esperança firme.

.

 

Ter boa auto-estima é importante mas não será suficiente, precisamos também de motivação.

Sem motivação é difícil obter bons resultados, seja em que actividade for.

Por outro lado, sem auto-estima e sem auto-confiança, sentimo-nos constantemente perseguidos pela dúvida, pela insegurança e pela incerteza.

Há uns bons anos atrás, apesar de saber-me competente profissionalmente, não tinha essa segurança que hoje tenho. Estava na mesma empresa há 10 anos e, embora apresentasse bons resultados, raramente sentia-me recompensada ou reconhecida por isso, até que um dia, no meio de um grande reboliço e mudanças no seio da empresa, um novo colega fez-me ver que tinha capacidades para ir muito mais além. O reconhecimento dele fez subir a minha auto-estima e a confiança que deposito hoje em mim e nas minhas competência.

Nessa mesma altura, assisti a uma formação sobre motivação e houve algo no discurso do formador que ficou bem gravado na minha memória e que, confesso, pratico diariamente.

Dizia ele que a receita para o sucesso se resumia a, de manhã ao levantar, olharmos para o espelho e dizer para nós próprios “sou bom, sou mesmo muito bom e hoje vou ter um dia fantástico”.

Se não gostarmos de nós próprios, quem gostará? Que imagem iremos projectar no ambiente em que nos inserimos? Auto-estima não é apenas a avaliação subjectiva que fazemos de nós próprios, positiva ou negativa, mas também a imagem pessoal e irá sem dúvida reflectir-se na forma como a “vendemos”.

Cabe a cada um de nós encontrar os mecanismos necessários para ultrapassar os sentimentos negativos que temos em relação a nós próprios de forma a alcançar a segurança necessária para atingir os nossos objectivos, ser positivos e projectar o nosso optimismo.

 

Segurança*

s.f.

.

6. Sentimento de força interior ou de crença em si-mesmo. = Certeza, confiança, firmeza.

.

 

O segredo do sucesso está na nossa capacidade de enfrentar os obstáculos, com firmeza, confiança, dedicação e motivação, na nossa auto-estima e na certeza que podemos ir sempre mais além, sem medos. Não podemos concluir ser incapaz sem tentar, devemos colocar os nossos receios de lado e trabalhar no sentido de alcançar os nossos objectivos, sejam eles quais forem, e não falo em ser melhor ou superior aos outros, porque obviamente não seremos todos génios e haverá sempre alguém com mais capacidades intelectuais.

Auto-estima, motivação e sucesso não tem a ver com inteligência mas com sentirmo-nos bem connosco, não termos medo de arriscar e sermos felizes.

 

* dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Imagem tirada da Internet

 

publicado por Abigai às 12:41

Agosto 26 2011

 

Vida

s.f.
1. O período de tempo que decorre desde o nascimento até à morte dos seres.
2. Modo de viver.
3. Comportamento.
4. Alimentação e necessidade de vida.
5. Ocupação, profissão, carreira.
6. Princípio de existência, de força, de entusiasmo, de actividade (diz-se das pessoas e das coisas).
7. Fundamento, essência; causa, origem.
8. Biografia.
in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.
 
Quantas definições para uma única palavra....
Mas não terá também um significado diferente para cada um de nós?
O que é a vida? O período que decorre desde o nascimento até à morte dos seres? Obviamente que sim, mas será apenas isso?
Todos temos valores diferentes. O que consideramos importante ou fundamental irá com certeza influenciar a nossa visão da vida e das coisas, a nossa perspectiva perante a vida e por conseguinte, o seu significado.
Viver não é apenas existir, é também o reflexo das nossas vivências, experiências, objectivos ou ambições. Ao longo da nossa vida - existência -, vamos experimentando acontecimentos, conhecimentos, alegrias e desgostos, vivências que reflectir-se-ão inevitavelmente na imagem que temos da vida e do seu significado.
Recordo-me que há uns dez, doze anos atràs, a minha noção de vida e qualidade de vida era bem diferente da actual. Os meus objectivos de vida também eram muito diferentes. Nessa altura a progressão profissional tinha um impacto muito maior nas minhas decisões e até mesmo no planeamento da minha vida, tudo girava à volta dos meus objectivos profissionais, da minha paixão pelo trabalho.
Depois nasceu o G. e, embora desse ainda muita importância à minha carreira, tudo passou a ser decidido em função do que achava melhor para o G. Com as dificuldades que temos vindo a atravessar com o G., a situação voltou a alterar e a importância dada a determinados assuntos, as teorias educacional nas quais acreditava e algumas convicções até mesmo profundas, deixaram de fazer sentido. Comecei a ver a vida de forma muito diferente, talvez mais leve, mais vivida, com menos regras, mais rotinas mas também mais valor pelas coisas mais simples do dia-a-dia.
Mais tarde foi-me diagnosticada uma espondiloartropatia e o termo qualidade de vida passou a ter um significado novo para mim.
De facto, viver não é apenas existir. Precisamos sentir que a vida faz sentido. Percebi que além das frases feitas - mas verdadeiras -, de "a vida é curta", existem outras não menos importantes.
Victor Hugo disse "porque a vida passou antes que pudéssemos viver".
Porque viver é sentir, é ver e ouvir, é amar, conhecer, tocar e conviver. O bens materiais são importantes, mas em última análise, não são estes que irão deixar recordações ou saudades. Cada minuto, cada hora, cada dia devem ser aproveitados para viver, para tornar a vida apetecível, alegre e feliz. É tão mais fácil ser tolerante e pacífico do que tornar cada instante, cada palavra, cada acto num conflito.
Nestes últimos anos aprendi a ver a vida de um modo diferente, a ver em cada objecto, em cada gesto e em cada palavra um significado mais belo, mais harmonioso, mais generoso. Aprendi a saborear a vida, a valorizar os momentos, a apreciar uma boa conversa, um bom convívio. Não posso negar que continuo "agarrada" ao meu trabalho, também como forma de terapia, mas de uma forma mais agradável, mais apreciada também, mas sei agora que vida é muito para além das suas diversas definições.
 
Aprendi que são os pequenos acontecimentos diários que tornam a vida espectacular.
William Shakespeare
 
O que viveu mais não é aquele que viveu até uma idade avançada, mas aquele que mais sentiu na vida.
Jean Jacques Rousseau
 
 
publicado por Abigai às 14:07

Maio 30 2011

 

 

Estou sentada a olhar para o monitor, impávida e serena como raramente me sinto.

Penso na vida, nos sonhos realizados e nos que faltam ainda realizar.

Penso na minha família, no meu filho, na vida atarefada e agitada que levamos, nas horas contadas, nas correria, enfim... na vida a cem, ao bom sabor do G.

Penso no futuro, ou será o presente?

Penso nesta doença que me aflige e atormenta. Não que as dores estejam presentes e me lembrem do que aí vem. Felizmente o tratamento iniciado há pouco mais de um mês tem surtido efeito e a maior parte do dia é passada sem dores. Mas as dores não são tudo, há ainda muito para além delas. A cada dia que passa sinto que a rigidez aumenta, os movimentos são mais lentos, mas empenados, mais pesados. As noites são sempre difíceis e por mais que tente esquecer o que se avizinha, elas encarregam-se de me lembrar que o pior ainda está para vir.

E penso....

Penso na minha mãe, no peso que carrega diariamente, nas dificuldades de locomoção que a perseguem, mas também na força de vontade que tem, na resistência à adversidade, na capacidade que tem em aguentar as dores e seguir em frente, conseguindo ainda fazer as lidas da casa, arranjando até afazeres desnecessário, talvez uma forma de ocupar o tempo e não pensar...

Penso na minha obsessão pelo trabalho, e percebo.

Percebo que aqui, frente a este monitor, longe de mim e da vida, sinto-me alguém, sinto-me capaz.

Penso que não aguentaria o que a minha mãe aguenta, que não suportaria sentir-me um peso para os outros, sentir-me dependente.

É frequente a minha mãe deixar entender que se sente um 'estorvo', que 'só dá trabalho'. Nessas alturas aborreço-me com ela e tento que entenda que não me custa nada, que tudo o que faço, todos os 'sacrifícios' ou 'escolhas' que tive que fazer para ficar junto dela não são nada comparado com o amor que sinto. Não sinto de maneira alguma estas opções como um frete, como uma obrigação. É claro que por vezes incomodo-me com certas 'exigências' que faz, é certo que não temos os mesmos princípios no que diz respeito à manutenção do lar e que tenho que ceder em algumas coisas, não vou dizer que é tudo 'cor-de-rosa', a convivência de várias pessoas no mesmo espaço leva sempre a alguns conflitos, só temos que saber lidar com eles, fazer algumas concessões e seguir em frente. Mas no geral, tem sido um prazer estar com ela, 'cuidar' dela, não que precise de um apoio constante, ainda é perfeitamente independente, mas precisa de ajuda em algumas tarefas uma vez que tem algumas limitações motoras. Sei que pode deitar-se sozinha, mas também sei que se a ajudar, será menos penoso, então espero o fim das novelas na TV e acompanho-a até à cama, é um miminho que me faz bem, é algo que irá ficar mais tarde, que me irá trazer também algum consolo, é um momento nosso, um momento de partilha e amor.

Quantas vezes me aconchegou na cama quando eu era pequena? Muitas, sem dúvida... Agora é a minha vez e acreditem, é uma sensação muito boa.

Apesar de ser um prazer para mim estar presente e, apesar de não o verbalizar, percebo que se sente um peso na minha vida. Não o é, garanto.

Atormenta-me pensar que um dia irei sentir isso. Não devia, eu sei, estou agora deste lado e não sinto este apoio que dou como uma obrigação, como um peso, então porque receio sê-lo no futuro?

Estou sentada a olhar para o monitor e penso...

Penso porque não estou ocupada. Pensar complica tudo...

Iniciei há pouco uma nova carreira profissional, um novo projecto ainda pouco divulgado e acontece ter momentos mortos, sem nada com que me ocupar.

É mau, muito mau... É mau porque em vez de viver o momento presente, o dia-a-dia, penso no futuro incerto e imprevisível como o é para todos, mas tenho um exemplo em casa do que pode vir a ser e o que mais queria era fugir dele...

 

Imagem retirada da Internet

publicado por Abigai às 16:26

Março 11 2011

É madrugada. Procuro dormir mas o sono não chega.

Aproveito o momento.

As ideias na minha mente atropelam-se e o desassossego invade-me lentamente.

Então escrevo.

Tento colocar no papel estas reflexões sem nexo, dar-lhes algum sentido.

Sentido.

O sentido que buscamos na vida?

Mas que sentido é esse?

Preciso de sentir-me útil, sentir que apesar da minha pequenez, a minha presença neste mundo imenso e complexo, irá deixar alguma marca, alguma lembrança, algum pensamento.

Sentir que existo.

Sentir-me importante, imprescindível.

Será que todos sentimos isso? Ou estarei a ser utópica? Egocêntrica?

Sei que sou amada e acarinhada pela minha família, não nutro qualquer dúvida em relação a isso.

Mas confesso que não chega, não me satisfaz plenamente.

Confesso que me falta algo.

Embora não ache isso propriamente saudável nem tão pouco gratificante, admito ser "viciada" no trabalho. O exercício da minha profissão ocupa-me os pensamentos em demasia. Quando não estou a trabalhar, penso no que poderei fazer quando lá chegar, planeio projectos e elaboro mentalmente processos de melhoria. Construo na minha mente novos planos, idealizo novos procedimentos, novas soluções.

Costuma-se dizer que trabalhamos para viver. Não sei. Diria talvez que vivo para trabalhar.

Não me parece em nada saudável, nem do ponto de vista físico - por vezes duvido mesmo da minha sanidade mental - , nem do ponto de vista familiar.

A minha carreira ocupa-me de tal forma o pensamento, que frequentemente sinto-me totalmente alheia ao que se passa à minha volta.

Sei que não está certo. Reconheço que é errado e obsessivo colocar o trabalho em primeiro plano. Admito que representa um problema mas não consigo evitar, não consigo encontrar forma de o contornar, de o resolver.

Está a tornar-se obsessivo. Tento contrariar esta tendência e viver mais a vida.

Tento.

Diria ter uma explicação, ou talvez não passe de uma desculpa esfarrapada, uma forma de me enganar a mim própria.

A verdade é que quando estou no meu posto de trabalho, quando elaboro projectos ou implemento melhorias significativas, sinto-me competente, completa, sinto que faço a diferença, sinto-me insubstituível - embora tenha perfeita consciência que ninguém é insubstituível - , e não penso nos "outros problemas".

Não penso nas crescentes limitações físicas que ultimamente tenho sentido.

Não penso em todas as tarefas domésticas que me esperam em casa e que tanto me custam.

Não penso nas dificuldades do G. e na minha impotência perante os desafios que se avizinham.

Não penso no futuro pouco risonho que se aproxima.

Sinto-me incompetente como mulher e esposa, sinto-me incompetente como mãe, e preciso, tenho necessidade, uma sede inabalável e incontornável, de sentir-me competente em alguma coisa.

Não é de forma alguma uma confissão depressiva, é acima de tudo uma tentativa de análise desta obsessão pelo trabalho. Mas provavelmente não passa de uma desculpa, de uma forma de justificar, de enganar-me.

Na realidade, muito antes de formar família, muito antes do nascimento do G., muito antes de qualquer limitação física que hoje possa sentir, já me entregava de corpo e alma, numa primeira fase aos estudos e depois de igual forma, à minha carreira profissional.

Sem falsa modéstia, sempre fui bem sucedida em tudo que empreendi e nesta fase da minha vida, sinto-me a falhar e lidar com o insucesso tem-me levado a questionar muita coisa e a pôr em dúvida as prioridades assumidas ao longo destes anos.

Preciso de reavaliar prioridades, de colocar ordem nas minhas ideias e escrever tem os seus benefícios. Deixar a caneta fluir no papel ou os dedos percorrer o teclado, e no fim ver no que deu... poderá ajudar, ou não.

 

 

publicado por Abigai às 13:30

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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