Abigai

Janeiro 27 2012

Sei que não é muito, mas é um começo.

Sei que ainda nada está decidido, mas quero acreditar que existe um futuro.

 

Ontem já estavas mais reactiva, mais desperta.

Juraria que tentaste falar, acredito que querias falar, comunicar...

Que dizer? Que lamento?

Claro que lamento... Lamento ter sido necessário chegar a tanto, lamento não te ter perguntado se assim querias... E se tivesses recusado? O que teria acontecido? Não teria força suficiente para ir contra a tua vontade, mas também não seria capaz de nada fazer...

Sinto-me atormentada...

Não sei como irás encarar esta nova realidade.

 

Sei que sempre foste forte e corajosa, que sempre encaraste de frente todas as adversidades e desafios.

Acredito que serás capaz de enfrentar mais este, acredito que terás força e tenacidade.

E o que mais resta, senão acreditar?

 

publicado por Abigai às 10:09

Outubro 26 2011

Depois de ler a notícia no blog da Teresa e ainda o post do Jorge, não posso deixar de me sentir revoltada e preocupada. Revoltado sobretudo comigo mesma porque ler uma notícias destas devia deixar-me triste... mas apenas me fez pensar no meu G. e em todas as perturbações e aflições que sinto nele.
Sei que sou uma mãe atenta.
Não tenho a menor dúvida a este respeito, e foi por estar atenta aos sinais que procurei ajuda de um psicólogo.
Emocionalmente o G. é muito frágil - característica comum a maior parte dos hiperactivos -, preocupa-se em demasia com tudo e não fala. Não se abre nem connosco, nem com colegas ou amigos, não exterioriza as suas preocupações, as suas cismas, os seus muitos medos.
Ultimamente, sinto que algo se passa. O G. está mais nervoso, mais agitado.
Ontem, fui falar com a directora de turma. Precisava saber se estes sinais de perturbação acontecem apenas em casa ou também na escola. Saí de lá mais apreensiva.
O G. está mais agitado nas aulas, menos atento, mais "deixa andar".
Não tem aproveitado devidamente as aulas de apoio e, pela primeira vez desde que iniciou a medicação, ouvi queixas relativamente ao seu comportamento.
Não sei que pensar nem de que forma agir.
O G. tem a sorte de estar bem integrado numa boa turma. Tem colegas preocupados que o apoiam muito. Sei que não é vítima de bullying, não é gozado por ter dificuldades, e é bastante protegido pelos colegas.
Parece-me que o problema está essencialmente nele, na sua baixa auto-estima, no medo de falhar, de mostrar as dificuldades que sente, e no facto de se sentir diferente dos outros.
Estou convicta que algo mais se passa actualmente, algo o atormenta na escola mais do que o habitual, e descarrega em casa, à noite. Está mais agressivo, não faz nada à primeira, obedecer é uma utopia, responde a tudo e a todos e todas as tarefas diárias são um suplício.
Quando ouço notícias como estas, só posso mesmo ficar preocupada sobretudo depois de ouvir em várias ocasiões "mais vale morrer do que ser assim" da boca do meu menino...
Quando ouço notícias como estas, só posso mesmo questionar-me...
Onde falhei ou ainda, o que ainda não terei feito?

publicado por Abigai às 14:17

Setembro 16 2011

 

 

Pois é....

Já era de prever mas não pensei que fosse já no primeiro dia de aulas!

 

Ontem, quando olhei para o horário fiquei apavorada.

Nos cinco dias de aulas, três têm apenas um intervalo de uma hora para o almoço.

Conclusão: o G. tem que ficar a almoçar na escola pois não dá tempo para o ATL ir buscá-lo, almoçar, e levá-lo de volta para as aulas da tarde.

 

E hoje, foi um desses dias.

Por volta das 13h00 recebo uma chamada da mãe do R., amigo do G. O R. ligou à mãe, preocupado, porque o G. ia ficar sem almoçar por não ter adquirido a senha de almoço atempadamente.

O G., apesar de hiperactivo, é muito tímido, tem muitos medos, receios e acanha-se na hora de pedir ajuda ou ter que falar com alguém que não seja mãe, pai ou amigos.

Não foi capaz de ir à secretaria pedir ajuda, nem a nenhum auxiliar, nem tão pouco a nenhum colega. O buffet ainda estava fechado, as máquinas alimentares da escola ainda não tinham sido carregadas.

Valeu-lhe o R. que lhe deu uma maçã e se preocupou ligando à mãe a contar o sucedido.

Ainda deu tempo ao pai de chegar à escola antes do primeiro tempo da tarde e levar-lhe um lanche.

 

Um lanche não é uma refeição! Deu para remediar, mas a continuar assim, voltamos à perda da peso como aconteceu o ano passado, às reacções agressivas, à queda da auto-estima, etc.

No ATL tem sempre supervisão e não o deixam ficar sem almoço, sabem que é medicado e que o apetite é pouco e por isso são também mais vigilantes. Na escola ninguém se preocupa... Se não tiver apetite, não come e ponto final, quem vai reparar?

Só tenho que agradecer ao R. e esperar que continue amigo do G., atento e preocupado.

publicado por Abigai às 14:29

Setembro 14 2011

 

Amanhã é dia de apresentação a este novo ano lectivo.

Amanhã!

Mas hoje, ainda não eram 9h da manhã recebi um telefonema da directora de turma do G., a mesma do ano anterior. Uma chamada de preocupação - o que à partida agradou-me, pelo menos mostrou muito interesse na evolução do G., porque acabava de ser informada que este ano, a escola ainda não tinha autorização nem verbas, para a contratação da psicóloga educacional.

A professora queria saber se o G. tinha algum acompanhamento fora da escola ou, caso não tivesse, se podia tratar de encaminhá-lo para algum psicólogo uma vez que ele tanto precisa e a escola não o irá providenciar, pelo menos no primeiro período.

Ainda não há certezas quanto ao segundo periodo, poderá eventualmente haver contratações em Janeiro, mas por agora, confirma-se que a Dra. M. não estará presente para prestar apoio ao G. ou a qualquer outra criança.

Compreendo a preocupação da professora. O alerta dela foi bem intencionado e mostrou sem dúvida que está atenta e o interesse que tem pelos seus alunos. O G. não é o único menino da turma a beneficiar deste acompanhamento e não será o único prejudicado, o que irá também complicar a tarefa dos demais professores.

Como cheguei a referir aqui já tencionava proporcionar uma terapia mais adaptada às necessidades do G., em complemento ao acompanhamento da psicóloga da escola direccionado para a vertente educacional e de dificuldades de aprendizagem e compreensão.

 

Assim, já estava preparada para assumir um custo adicional, fora da escola.

E o que não fazemos pelos nossos filhos, não é?

Penso conseguir proporcionar ao G. este acompanhamento e se, por ventura, acontecer algum imprevisto financeiro, sei também que terei sempre alguém por perto para ajudar no que for necessário.

Felizmente tenho esta sorte. E os outros meninos cujas famílias não podem suportar estes encargos? O que vai ser deles?

Tenho agora preocupações acrescidas. Além de tentar ultrapassar as dificuldades emocionais do G., a psicóloga que irei contratar terá também que ajudar na parte educacional de desenvolvimento cognitivo.

Por outro lado, avizinham-se tempos iniciais difíceis porque, sempre que o G. se sentia diminuído, frágil ou simplesmente como peixe fora do aquário, recorria à Dra. M., que com muito carinho, compreensão e dedicação, conseguia ajudá-lo a reencontrar o caminho. Além disso, quando o G. não estava bem e não se abria connosco, a Dra. M. conseguia alcançá-lo.

Agora, sem ela por perto, vamos ver como irá correr!

publicado por Abigai às 14:14

Setembro 08 2011

 

Estamos finalmente a chegar ao final deste longo período de férias escolares....

Triste é dizer finalmente!

Pois é... contrariamente ao que dizia aqui, resolvi interromper a medicação do G. no período de férias.

Para ele, passaram num ápice, para mim foram intermináveis!

Na passada segunda-feira retomou a rotina diária de toma da medicação e ida para o ATL, afim de preparar-se para o ano lectivo que aí vem.

A recusa foi imediata e previsível mas até nem correu muito mal!

Nesse mesmo dia fomos à consulta de desenvolvimento no Hospital S. João. Ninguém diria que o G. estava medicado, se não o tivesse visto tomar o comprimido teria jurado que me tinha enganado fingindo tomá-lo, mas não... eu vi mesmo!

A energia estava em alta, o apetite também... às 11h00 da manhã dizia-se esfomeado e comeu um menu completo do McDonald's, coisa que até há bem pouco tempo não queria pois não considerava isso “comida”! Confesso que fiquei espantada a olhar para ele e a perguntar-me se tinha falhado algum episódio....

Pois bem, segundo a médica o G. precisa de apoio psicológico com maior frequência, de preferência semanalmente. A cada dia que passa está mais inseguro, com mais medos e ansiedade.

No primeiro dia de ATL estava com medo de entrar... “e se não estiverem agora na sala do costume?”, “e se eu não os encontrar?”, e se se se.... dizia ele. Anda naquele ATL há 5 anos, conhece toda a gente, tem lá imensos amigos e mesmo assim, como já não ia lá há 1 mês estava com medo e envergonhado. Não é lá muito normal pois não?

Já não é capaz de sair da nossa beira sozinho, nem sequer para ir para o próprio quarto, tem medo até de se deslocar em casa, temos que o acompanhar constantemente e sinceramente está a tornar-se totalmente insustentável.

O início do ano lectivo está a aproximar-se a passos grandes e a ansiedade vai aumentando, tem medo de já não saber onde estão as salas de aulas, dos amigos já não se interessarem por ele, etc...

Fica angustiado por anticipação, o que não ajuda.

Agora deixou-me a mim angustiada à espera do horário para tentar marcar consultas sem interferir nas aulas... mas ainda vou ter que aguardar pelos horários das aulas de apoio!

E ainda nem começou....

 

publicado por Abigai às 11:02

Novembro 05 2010

 

Educar é difícil.

Educar quando os filhos passam mais tempo fora de casa é mais difícil ainda.

Com os pais a trabalhar durante o dia, as crianças passam a maior parte do tempo com outros educadores ou crianças e, sob a influência e/ou exemplo destes torna-se complicado encontrar um ponto de equilíbrio, evitar conflitos de ideias e até mesmo incutir valores.

Fui educada num país onde a intolerância e o racismo são marcantes e, apesar de integrar-me perfeitamente e aparentemente não destoar, sempre senti orgulho em afirmar-me portuguesa, o que, em algumas ocasiões, trouxe-me alguns dissabores.

Não fui vítima de racismo mas senti por diversas ocasiões o que é ser alvo de preconceito e intolerância. Existe uma tendência em generalizar o que se vê em determinado grupo ou nacionalidade. Lembro-me de, em conversas com colegas de escola sobre profissões, ver daqueles sorrisos trocistas que, julgando saber responder a tudo, diziam ah… deve ser trolha o teu pai, não? Nessas alturas, dava-me um prazer indescritível mostrar os brincos que usava ou os anéis ou as pulseiras e dizer não… o meu pai é ourives, foi ele que fez estas jóias, gostam? E anos mais tarde, quando o meu pai foi condecorado com a medalha de honra do trabalho, o gozo foi maior ainda.

Por isso e muito mais ainda, tento a todo o custo incutir valores ao G. que para mim são importantíssimos: tolerância, respeito, compreensão, aceitação, indulgência, etc.

Fiquei satisfeita por saber que tinha crianças deficientes na turma dele, a convivência com realidades diferentes, com dificuldades diferentes, haveria de ajudar a entender o que é aceitar, compreender e respeitar da mesma maneira, quer se seja branco, preto, baixo, alto, gordo, magro, portador de deficiência ou não. Pelo menos assim pensava…

Quanto mais o G. cresce, mais dificuldades sinto. Conheço a maioria das mães dos colegas dele, embora pouco conviva com elas. Não aparentam ser intolerantes ou preconceituosas nem tão pouco elitistas. A verdade é que ultimamente, o G. tem tido algumas conversas para mim irritantes sobre os colegas deficientes e, inevitavelmente, pergunto-me de onde virão tais influências. Da minha parte, estou convicta que não.

Dos colegas não sei. Mas se é dos colegas, não deveriam os pais destes ensiná-los a serem compreensivos com quem tem certas e determinadas dificuldades mas que não deixam de ser crianças como eles, com direitos e deveres, com necessidades de convívio, de carinhos, de atenção. E quem fala de deficientes, fala de outras etnias, nacionalidades, crenças, etc…

O G. é hiperactivo. Tem dificuldades de aprendizagem e é bastante imaturo para a idade. Mais do ninguém deveria entender que não se pode discriminar. Sei que ainda é muito novo, que é difícil para ele colocar-se no lugar do outro, que é complicado fazer o paralelismo com a situação dele e com experiências que tem vivido, também elas de discriminação, mas, para mim, esta semana tem sido esgotante.

Não é esta a educação que lhe dou, não são estes os valores que quero para ele.

Pela falta de maturidade que tem, tem tendência em repetir os argumentos dos colegas, sei que nem tudo vem da sua cabeça, mas, será que de tanto ouvir dizer que os colegas deficientes são chatos, só fazem asneiras e não deixam estudar, não se calam e só sabem dizer palavrões e se calhar era melhor nem estarem aqui, não acabará por pensar assim mesmo?

Será que o pouco tempo que passa em casa como os pais é suficiente para aceitar as diferenças e ser tolerante e respeitador?

 

 

Imagem tirada da internet

publicado por Abigai às 22:55

Outubro 14 2010

Supostamente a escola é um local de aprendizagem e de educação.

Supostamente a escola é um local seguro para as nossas crianças.

Supostamente a escola tem o dever de ajudar os alunos com dificuldades de aprendizagem.

 

Supostamente porque na prática não é bem assim.

 

A primeira reunião com a directora de turma decorreu há uma semana. Iniciou às 18h30 e já passavam das 22h45 quando sai da escola!

Foi tudo uma grande desilusão para mim.

Tinha esta escola como uma boa escola com unidade de apoio a alunos com multideficiência e apoio especializado para a educação a alunos com perturbação do espectro do Autismo, o que me levava a pensar que o G. estava no estabelecimento certo e seria bem acompanhado.

No ano anterior visitava esta escola uma vez por semana, era atendido pela psicóloga educacional na unidade de apoio a alunos com dificuldades de aprendizagem e muito sinceramente, parecia-me tudo muito organizado, bem estruturado e sem qualquer sombras de dúvidas, ajudou muito o G.

Nunca me passou pela cabeça que esta escola, sede de agrupamento, pudesse ter tantos problemas.

Quando chove, mete água... Não tem auxiliares suficientes e são as crianças que acompanham os colegas com dificuldades ou deficientes.

Acho bem incutir algum sentido de responsabilidade e sensibilizar as crianças no sentido de ajudar e apoiar os menos favorecidos ou deficientes. Sem dúvida que é importante e pode ser fundamental para um futuro mais tolerante, mas não me parece que serem únicos responsáveis pela segurança e apoio a estes crianças seja o correcto. Não deveria haver algum auxiliar, algum funcionário que se preocupasse em saber se esta ou aquela criança que se perde porque tem por exemplo Síndrome de Asperger, está na sala correcta?

Só na turma dele são 3 crianças com Síndrome de Asperger.

 

Além disso, a segurança das crianças deixa muito a desejar.

A escola tem porteiro, supostamente não se entra de qualquer maneira. As crianças utilizam um cartão de acesso e de pagamento para evitar que tenham que andar com dinheiro, e para confirmar as autorizações de saída.

Fomos recebidos no dia da apresentação pela Polícia Segura.

Tudo levava a crer que havia segurança e que podíamos deixar as crianças na escola sem preocupações.

Mas não!

Há cerca de 15 dias, umas 5 ou 6 crianças da turma do G. foram ameaçadas por adolescentes aparentemente estranhos à escola, com navalhas. A polícia foi chamada, os miúdos não foram caços, ninguém sabe quem são, de onde vieram nem por onde entraram.

E, segundo conta o G., já não é a primeira vez. Denominam-se de Gang dos Palhaços, ou algo do género, e ameação os mais novos com navalhas e promessas de recortar-lhes o rosto.

O Conselho Directivo diz estar a investigar, a verdade é que nem os pais nem as crianças se sentem seguros.

A Polícia Segura, em vez de estar na escola, anda a rua a multar os pais que estacionam nas proximidades para acompanhar os filhos até ao portão.

Acham isso normal?

 

Estamos já a meio de Outubro, as aulas já iniciaram há um mês e a psicólogo educacional ainda não foi contratada. Afinal, é um agrupamento com ensino especial! Já não deveria estar em condições de atender os que precisam de ajuda?

O G. foi proposto para aulas de apoio a Português e a Matemática, disciplinas nucleares para as quais é imprescindível a aprovação para transitar para o ano seguinte. Até aí tudo muito bem e dei de imediato o meu acordo. Logo na segunda semana de aulas, o G. iniciou o apoio a Português e ficou encantado, sente-se muito apoiado pela professora, são apenas 3 alunos numa hora de estudo e sente-se a evoluir.

O grande problema é a matemática. A professora sabe mandar recados para casa a dizer que o G. tem que estudar mais os sólidos, consegue insistir tanto com ele nas aulas ao ponto de o deixar a chorar por não saber responder, etc., o que não consegue é encaixar aulas de apoio num horário em que o G. possa assistir! Pois é, marcaram as aulas de apoio de matemática num horário em que tem ciências da natureza e admiram-se de a encarregada de educação do G. que tanto necessita de apoio não ter autorizado a frequências das ditas aulas de apoio!

Já falei com a professora directora de turma, já exigi aulas de apoio a matemática. O G. está sinalizado, está proposto para aulas de apoio, tem esse direito e não vou prescindir dele. Se a prof. da turma não tem disponibilidade, que arranjem outro prof.! Sei e compreendo que a situação ideal é ter apoio com a prof. dele, mas por incompatibilidade de horário, têm que arranjar solução, não?

 

Haveria muito mais a dizer, mas parece-me que este post já vai longo...

O G. já se sente muito mais ambientado, tem me feito ver que eu preocupo-me demais, sem dúvida. De dia para dia parece mais crescido, já não tem problemas com nada. Tem que almoçar na escola à sexta-feira por causa das aulas de apoio a Português e, neste momento, tira a senha de forma autónoma, com o cartão de pagamento da escola, almoça, apresenta-se na sala de apoio a horas, usa relógio para não se atrasar, enfim, adaptou-se muito melhor do que eu pensava ser possível.

As dificuldades de aprendizagem têm-se acentuado muito, a matéria é mais complexa, sente-se perdido e incapaz.

A falta de apoio não vem ajudar à festa.

Mas tem demonstrado muita vontade, chega a casa senta-se, pega nos livros e estuda. Tem-me deixado de boca aberta!

Pena é ele não sentir o esforço a dar frutos!

 

 

publicado por Abigai às 17:44

Setembro 07 2010

Apesar do regresso às aulas ser apenas na próxima Segunda-feira, Quinta-feira terá lugar a apresentação na nova escola, novo ano e nova aventura escolar do G.

O G. parece preparado para esta nova etapa, está menos ansioso do que eu, muito bem disposto e acima de tudo muito falador e empenhado.

Este fim-de-semana dedicou-se a fazer cópias de um livro do filme Star Wars que devora logo ao pequeno almoço, diz ele que "é para treinar escrever... para estar pronto para a escola"! Mas claro, é sol de pouca dura e passado 5 minutos já nem sabemos onde anda!

 

Passou as férias sem medicação, está com as pilhas a 100, bem recarregadas e pronto para enfrentar tudo o que lhe aparecer pela frente.

Agora e desde que foi ao cinema com o pai ver o Panda Kung Fu, só pensa nisso e quer mesmo que encontre uma escola de Kung Fu, e "se não encontrares pode ser mesmo de karaté, mãe...".

Este - longo para nós, mas não para ele - periodo sem medicação passou-se bem... dependendo do ponto de vista, é claro.

Não posso dizer que fez asneiras, não. De facto, asneiras é coisa que pouco faz. Só não sabe parar! Levanta-se de madrugada, canta, grita, nunca obedece à primeira, anda sempre atrás de alguém ou alguma coisa, vai para um lado, vai para outro, chama, canta e volta a cantar, fala alto e nos momentos mais inconvenientes, não deixa falar, interrompe a torto e a direito, come... isso sim, come muito, está sempre esfomeado e mais do que tudo: fala, fala muito, e nem a dormir se cala.

Em suma, não se portou mal, simplesmente ficamos todos cansados implorando algum silêncio, alguma calmaria.

Lamentavelmente, não faltaram discussões, gritos e alguns castigos, quando se fala muito e não se ouve, quando não se obedece nem à terceira, quando não se sabe parar, é sempre complicado e, por mais que compreenda que não tem culpa, é minha obrigação incutir regras e bons comportamentos.

Além disso, houve algumas brigas, "grandes dramas" e sentimentos de rejeição com os primos franceses que passaram connosco as férias, mas nada que não se resolvesse. Acima de tudo dificuldades de comunicação devido ao entrave da língua, mas na verdade - e isso ainda não entendi muito bem como -, apesar de falarem linguagens diferentes, lá se foram entendendo e na hora da partida e pela primeira vez, vi o G. a chorar de saudades dos primos.

Mas agora, as férias terminaram.

 

Na tentativa de repor as regras e os hábitos dos dias de aulas, resolvi levá-lo já esta semana para o ATL, retomando assim a medicação.

Logo pela manhã, e como sempre falador, o tema principal era a medicação, deixando antever o regresso aos dramas matinais.

Primeiro o pequeno almoço que demorou uma eternidade - uma forma de atrasar a toma da medicação -, depois as conversas intermináveis - e eu sempre a ver quando é que se decidia a tomar a cápsula -, sempre com mais e mais a dizer, a fazer.... e o tempo a passar, até que não tive outra alternativa senão intervir com firmeza e autoridade para que tomasse o medicamento.

Assim fez e sem grande dificuldade. O problema é mesmo psicológico, tem sempre medo de não conseguir engolir e fica tão ansioso que até tem vómitos só de olhar para a cápsula!

Feito isto, saímos em direcção ao ATL e foi então que pelo caminho, vem a insegurança, o medo de falhar e de não ser aceite.

"Ao mãe... já não vou ao ATL há muito tempo, tenho vergonha...?"

"Ao mãe... e se os meus colegas já não gostarem de mim....?"

"Ao mãe... e se eu não conseguir passar de ano....?"

"Ao mãe..."

"Ao mãe..."

"Ao mãe..."

E por aí fora o caminho todo...

 

Lá fui respondendo do melhor que soube, tentando sempre reforçar a sua auto-estima, lembrando que o ano escolar ainda nem tinha começado, que os colegas da turma eram os mesmos, que todos gostavam muito dele, que a psicóloga educacional que o acompanha desde o ano passado vai estar lá, que desde que se esforçasse como sempre fez tudo iria correr bem, etc...

Ficou mais calmo e animado mas já sei que se avizinham tempos difíceis de muita insegurança e ansiedade.

Mas cada coisa a seu tempo...

Ainda nem começou...!

 

 

 

publicado por Abigai às 22:00

Março 25 2010

 

 

O meu filho não é vítima de bullying, não tenho a mínima dúvida disso!

 

Tem amigos excepcionais, protectores, sempre atentos ao que se passa com ele, defendendo-o sempre dos que tentam aproveitarem-se da ingenuidade e inocência dele.

 

O G. dá uma importância fenomenal aos afectos descorando os bens materiais, sendo capaz de dar tudo o que tem e o que não tem em troca de uma qualquer demonstração de sentimentos.

 

Na passada segunda-feira fui contactada pelo ATL que frequenta porque o G. não se sentia bem, queixava-se de um aperto no coração e de falta de ar.

O ano passado, foram efectuados vários exames, inclusive um holter de 24 horas, para despistar problemas cardíacos denunciados por uma electro-cardiograma de rotina. Foi vistos pelos melhores cardiologistas pediatricos, foram feitos vários testes e a conclusão deixou-me, felizmente, mais descansada. Tem uma pequena assimetria de uma das válvulas, sem prejuizo do bom funcionamento do coração, não sendo por isso, necessária qualquer limitação na actividade física ou desportiva.

 

O pai foi buscá-lo ao ATL e de facto estava ofegante, o coração batia a uma velocidade impressionante, estava tenso e angustiado e teve dificuldades em subir os degraus quando chegou a casa.

"mais vale morrer do que viver assim"

Ficamos em choque. O que se teria passado para pronunciar tais palavras?

O G. é muito fechado sobre si, mas após muita insistência, muita paciência, acabou por confessar o que o atormentava e de imediato, todos os simptomas desapareceram.

Ainda falei com o pediatra, mas aparentemente não passou de um ataque de ansiedade que passou quando desabafou.

 

Pois é. Imaginamos logo o pior.

Mas o pior para uma criança de 9 anos pode, para nós, não ser nada. E, de facto, o que para nós é apenas uma brincadeira, foi sentida por ele como algo insuportável, angustiante, como uma perda iminente.

O B. é um dos melhores amigos dele, jogam futebol juntos na escola, ajuda-o nos trabalhos de casa no ATL, vem às vezes a casa para brincarem juntos, etc. É um menino da mesma idade mas mais desenvolvido, mais maduro, com excelentes resultados escolares e, sem dúvida, muito amigo do G. De há alguns meses para cá - não consegui saber desde quando - o B., sempre que passa pelo G., dá-lhe um pequeno encontrão para pegar com ele, mas sempre na brincadeira, para mim e sem dúvida para ele, sinal de amizade, mas interpretado pelo G. como "agressão", mantendo contudo as mesmas cumplicidades e actividades.

Além de não ter sido capaz de lidar com a "brincadeira", o G. guardou este sentimento para ele, não disse nada, até que, na passada segunda-feira, não aguentar mais a pressão.

A muito custo contou o que se passava, admitiu brincar o o B. como sempre o fez, que o B. nunca o magoou mas que não aguentava mais os encontrões... "ele já não gosta de mim..." disse ele.

Ou seja, o que para o B. é sinal de cumplicidade, de amizade, para o G. é sinal de perda, perda de um amigo, de um afecto.

Para quem já tem uma baixa auto-estima, o mais pequeno sinal de perda, pode traduzir-se num problema emocional muito grande. O G. tem constantemente a sensação de carregar os problemas do mundo às costas e o facto de não se abrir, de não falar dos seus tormentos, desencadeia um rio de emoções difícil de controlar.

 

Não foi vítima de bullying, não. Foi vítima de uma fraca auto-estima e de não saber interpretar um sinal de afecto.

O que será dele no próximo ano, numa escola maior, com mais crianças e crianças mais velhas?

O que será dele num meio escolar mais complexo?

Hoje, numa escola básica, com a protecção dos colegas, dos funcionários e da professora, não soube gerir os problemas emocionais que o atormentaram, como será mais tarde, como irá reagir?

E nós, pais, iremos perceber a tempo de o ajudar?

 

 

publicado por Abigai às 10:01

Março 12 2010

Às quintas-feiras, vou com o meu G. à sede do agrupamento escolar à consulta semanal com a psicóloga educacional. Até aí tudo bem.... Mas enquanto o G. está com a psicóloga fico a aguardar na sala de espera... por vezes com outras mães.

Faço alergia a salas de espera.

O primeiro sintoma é o sono.

Fico com tanto sono que mal consigo manter os olhos abertos!

Nem com um livro evito bocejar a cada segundo. Os sessenta minutos de consulta parecem-me intermináveis...

 

Esta última quinta-feira fui premiada com a presença de uma outra mãe, também ela à espera de um filho e uma filha, também com dificuldades de aprendizagem, embora tenha ficado com a impressão que, naquele caso, seja nível social em que estão inseridas, o maior travão para uma adequada aprendizagem.

 

Não gosto de tirar conclusões precipitadas até porque, a julgar pelo comportamento do meu G. e visto de fora, a maioria das vezes, suponho que pensem que não o sei educar.

Mas, apesar de ser muito irrequieto, de não conseguir estar sentado numa sala de espera, o G. é educado, não insulta ninguém - muito menos a própria mãe - nem se diverte a tecer comentários do género irrepetível sobre os transeuntes.

 

O que me chocou não foi o baixo nível social daquela família. Penso que ninguém faz por estar naquela situação, pode eventualemente é nada fazer para tentar sair dela, mas isso é diferente. O que me chocou foi a forma descontraída que aquela mãe tinha perante o mau comportamento dos filhos, o sorriso rasgado ao dizer que não tinha mão neles nem paciência.

O que me chocou foi ver uma senhora da minha idade, com três filhos, sem trabalho, com marido desempregado, queixar-se que não consegue levar os filhos todos à escola a horas porque a mais velha já anda na escola preparatória e não pode estar em dois lados ao mesmo tempo - até aí tudo bem - uma vez que o marido fica de manhã na cama a dormir porque saiu até tarde na noite anterior e o pobre precisa de descansar.

O que me chocou foi ver uma senhora da minha idade, a contar como teve a terceira filha sozinha em casa porque o marido não teve tempo de a levar a maternidade e os bombeiros só chegaram depois do nascimento.

O que me chocou foi ver uma senhora da minha idade, sem dentes na frente, dizer que lavar os dentes não é para ela, que prefere esperar que a segurança social lhe "pague dentes novos, daqueles que depois não saem...", que já fez o pedido e entregou orçamentos, que já foi aprovado e só está a aguardar ser chamada, porque "se tenho direito, não vejo porquê havia de ter vergonha de pedir...".

O que me chocou foi ver uma senhora da minha idade, dizer que quando chegam a casa, manda os filhos fazer primeiro os deveres e só depois podem jogar computador ou PlayStation... E dizer "ainda ontem ele estava a fazer contas... sabe aquelas contas em pé com números, mas eu não sei ajudar... Se ele diz que está feito é porque está..."

O que me chocou foi ver uma senhora da minha idade, com aquela simplicidade e totalmente desinibida, contar a vida que leve, a educação que dá aos filhos, foi perceber que a pobreza não é apenas económica.

 

O que me deixou preocupada foram aquelas crianças.

Pelo exemplo que levam, e se nada for feito por eles, se não tiverem ajuda, se não se instruirem, mais tarde levarão um vida igual aos pais...

Afinal, está visto que mesmo que não trabalhem têm tudo o que precisam, talvez mais até do que os outros....

O que me deixou preocupado foi perceber que aquelas crianças, apesar de terem computadores, PlayStation, boas roupas, bom calçado e aparentemente não lhes faltar nada, não têm as minhas oportunidades que o meu filho tem.

O que me deixou pensativa foi o nome dado ao rendimento social de inserção... Qual inserção? Não questiono o facto de precisarem ou não de apoio económico, naquele caso pareceu-me evidente, mas não deveria ser feito alguma coisa além do apoio financeiro?

 

publicado por Abigai às 13:58

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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