Abigai

Fevereiro 08 2011

 

Quando iniciei este blog, fi-lo essencialmente por curiosidade, sem nenhum sentido específico.

Acabei por centrá-lo principalmente no meu G. e nas dificuldades que atravessa devido à hiperactividade e défice de atenção.

Quando tive que lidar e enfrentar o seu diagnóstico, encontrei apoio e reconforto em blogs como o da Teresa. Perceber que a minha vivência não era única e que outras famílias tinham experiências idênticas e travavam as mesmas batalhas, foi para mim fundamental e ajudou-me a encarar e compreender melhor esta patologia.

A partilha e as palavras de apoio são reconfortantes, aliviam e permitem canalizar a frustração que frequentemente nos invade.

 

Há já algum tempo que penso pôr por palavras as minhas outras "dores", aquelas físicas que me atormentam e por vezes me levam a questionar que sentido poderá ter a vida. Tem-me faltado coragem para isso. Aceitar fraquezas e pensar nos meus problemas é bem mais difícil do que encarar as dificuldades do G. e falar nelas. Além disso, admito que abordar a patologia do G. em vez da minha é também uma forma de colocá-la de parte, fazer com que não exista...

Sei que aqui encontrei um porto de abrigo e que, ao escrever e ser lida, aliviei em muito o peso de educar um filho diferente, e acredito que falar nos problemas é meio caminho andado para a sua resolução. Mas por outro lado, receio que falar nos meus problemas me obrigue de facto a encará-los e não sei se estarei preparada para aceitá-los.

 

A dor psicológica pode ser mais dolorosa do que a física, os pensamentos, as cismas atropelam-se e baralham-se de tal forma que deixamos de saber para que lado ir. Sempre achei que a dor física poderia ser aliviada e seria mais facilmente ultrapassada.

Mas quando a dor física se torna uma constante na nossa vida, quando não passamos um minuto que seja sem dor, quando se entranha e chegou para ficar, vem sempre acompanhada, deixa de ser apenas uma dor física e passa a ser uma dor de alma, um questionar da própria existência.

Escrevo e olha para as minha mãos... Quem diria que são mãos de empregada de escritório! Mas parecem mãos de empregada doméstica ou trabalhador da construção civil! Dedos inchados, pele enrugada de tanto esticar em repouso, escamada e gretada...

Já é perto da meia noite e sei que se avizinha uma noite em branco, incapaz de adormecer, não devido às dores, não!

Hoje eram de tal forma insuportáveis que tomei os meus comprimidos milagrosos que aliviam quase de imediato mas, e como não há bela sem senão, vêm acompanhados de efeitos secundário impressionantes: sintomas de ressaca passadas mais ao menos 4 horas,  pois trata-se de um narcótico, seguidos de insónias terríveis e duradoiras.

 

Ocupar-me do G. é também uma terapia, preocupar-me com ele e tentar apoiá-lo ajuda-me a esquecer-me de "mim", esquecer a dor mas sobretudo, não pensar... Mas há dias em que me sinto esgotada, cansada, sem forças para seguir em frente, mas em que tenho contudo de fazer face, disfarçar para não preocupar ninguém, em particular o G., e fazer as tarefas diárias de qualquer mãe e esposa. Nestes dias - como hoje -, rendo-me ao desespero e tendo a questionar tudo, a vida, o seu sentido, o futuro que se aproxima a passos largos...

Outros dias há em que esqueço a dor e a doença, em que planeio o futuro com um sorriso nos lábios e enfrento a vida com alegria.

Mas hoje não é um desses....

 

 

 

publicado por Abigai às 23:10
Tags: ,

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
mais sobre mim
Fevereiro 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28


Posts mais comentados
pesquisar
 
subscrever feeds
blogs SAPO