Abigai

Fevereiro 11 2010

Pois é...

É assim que se sente o meu G.

Injustiçado!

Ontem foi-se completamente abaixo, chorava ele, chorava eu, chorávamos os dois.

As dificuldades de aprendizagem limitam-no de cada vez mais, e a cada dia que passa, o fosso existente entre ele e os colegas é maior.

No ALT, a educadora, na tentativa de o tornar mais autónomo, quer que tente fazer os trabalhos sozinho - o que acho bem -, mas esquece-se de explicar-lhe o porquê.

Ao G., parece-lhe que ajuda mais os colegas do que a ele, e sente-se profundamente injustiçado. Sente que ajuda os que não têm dificuldade e a ele - com graves dificuldades de compreensão e expressão - não dá apoio.

Além disso, e como dá muitos erros ortográficos, deu-lhe TPC's que consistiam em copiar 8 vezes cada palavra erradamente escrita - o que também acho positivo -, mas também sem lhe explicar o porquê. E claro, interpretou isso como um castigo e não entende porque é castigado quando se esforça tanto.

Começa a achar que o esforço de nada vale e que é inferior aos outros.

A sua auto-estima sofreu ontem um abalo muito grande e já não sei como ajudá-lo.

Tento fazer-lhe entender que o que aconteceu ontem não foi castigo, que embora pareça injusto, o facto de ter mais dificuldades do que os colegas, obriga a mais trabalho e fazer cópias das palavras com erros ortográficos, só o vai ajudar a decorar como se escrevem, mas é muito difícil para uma criança de 9 anos, entender.

Apesar de concordar com o que a professora do ATL fez, vou ter uma conversa com ela, tentar fazer entender, também a ela, que tem que se explicar, que não pode permitir que ele interprete os trabalhos como castigos mas sim como um meio para atingir um fim, como algo que mais tarde irá agradecer, caso contrário, mais depressa irá desistir de tentar.

Triste, é chegar à noite, antes de dormir, já na cama, e ouvir um filho perguntar:

"Mamã, para ser trolha é preciso estudar muito?"

- É meu filho, é preciso estudar até ao 12º ano.

- E para ser lixeiro, também é preciso estudar?

- É meu filho, agora, até para não trabalhar, tens que estudar até ao 12º ano.

- Ao Mamã... mas eu não vou conseguir!

E desatar num pranto, porque se sente incapaz.

Triste é ver um filho sofrer e não saber mais como ajudá-lo a ultrapassar dificuldades que só ele pode enfrentar.

Não é que me importe que seja trolha ou lixeiro, todas as profissões são necessárias e dignas, desde que honestas, mas senti um aperto tão grande ao ouvir estas palavras...

Com 9 anos de idade já está a pensar numa profissão que ninguém quer, não por necessidade, mas por se achar incapaz de ser mais do que isso, por achar que não tem capacidade para estudar, por achar-se inferior.

Nenhuma criança deveria sofrer assim.

É de facto muito injusto.

 

publicado por Abigai às 12:00

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Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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