Abigai

Maio 12 2010

A convite da Teresa, no passado sábado, o meu marido, o G. e eu, rumamos até S. João da Madeira para participar no seminário "Hiperactividade: Quando a Energia não acaba...".

Apesar de toda a informação sobre a Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA), de todas as pesquisas, dos contactos conseguidos através da internet e blogs que visito diariamente, nunca tinha participado nem assistido a nenhum evento deste tipo.

Quando a Teresa me convidou para testemunhar da minha experiência como mãe de uma criança com PHDA, senti um misto de excitação e pavor.

Sou de natureza reservada e muito tímida e falar em público não me entusiasma de forma alguma.

Contudo, aceitei de imediato, pois se quero ajudar o meu filho a ultrapassar as suas fobias, talvez não seja pior ultrapassar primeiro eu as minhas.

A verdade é que adorei ter aceite este desafio.

Foi uma experiência muito positiva.

Não estava minimamente preparada mas uma vez iniciada a minha intervenção, penso que fluiu naturalmente e não correu muito mal.

Fiquei satisfeita por perceber que afinal até nem é muito difícil!

Sinceramente, já nem sei muito bem do que falei, sei apenas que não falei do que tinha imaginado falar!

Não falei nas mais simples tarefas do dia-a-dia, aquelas de que ninguém fala por serem tão básicas e banais, mas que são tão difíceis de executar com crianças hiperactivas.

Tarefas como vestir, tomar banho, lavar os dentes, calçar, tomar o pequeno-almoço, etc, são batalhas diárias e, para sair delas vitoriosa, tenho que redobrar de paciência, estratagemas e imaginação.

Não falei nos dias de revolta, de desespero, de ansiedade.

Não falei dos dias em que o G. chega a casa com a auto-estima completamente em baixo, nas palavras duras de ouvir para uma mãe, tais como "se calhar sou burro..." ou "mais vale morrer...".

Não falei nos gritos, nos guinchos, nas horas a fio a falar, na falta de silêncio nem que fosse por um só dia...

Mas falei no filho meigo e amoroso que tenho a felicidade de ter e nos momentos de pura ternura que temos juntos.

Foi um evento muito proveitoso com a presença de professores, psicólogos, pediatras, nutricionistas, etc.

Não ouvi nada que já não soubesse mas foi tão bom relembrar e essencialmente confrmar que não estou errada e que sigo pelo caminho certo, embora ainda muito acidentado.

Foi bom verificar que ainda existem muitos professores empenhados em conhecer a problemáticas da PHDA para melhor ajudar e apoiar os seu alunos.

Adorei conhecer a Teresa com quem já partilhava há algum tempo algumas experiências embora sem a conhecer pessoalmente, adorei conhecer a Linda Serrão, presidente e fundadora da Associação Portuguesa da Criança Hiperactiva, ela própria hiperactiva.

Foi bom sentir que não estamos sós, e foi bom para o G. conhecer o Rafa, filho da Teresa, um miúdo da mesma idade e que, como ele, sofre.

Porque um hiperactivo sofre.

Sofre por não saber controlar-se, sofre por ser demasiado impulsivo, sofre por se sentir frequentemente rejeitado, sofre porque sabe que é diferente e é incapaz de controlar essa diferença, porque isso não depende da sua vontade.

Mas ser diferente também é ser especial e ser especial também é bom.

Em suma e para terminar, foi uma experiência fantástica, um refrescar da alma extremamente positivo.

Acredito que não tenha sido uma experiência única, e espero repetí-la em breve.

 

publicado por Abigai às 10:54

Olá

É sempre enriquecedor partilhar com os outros nossas mágoas, frustações, problemas. Sentimos que não estamos sós e que poderá existir partilha e todos perceberem melhor como reagir com a hiperactividade.
Falar em público...só custa a primeira vez, penso que terás outras oportunidades de o fazer e quando acontecer estares nervosa, pensa sempre que podes sempre ajudar alguém com as tuas palavras.
Fiquei contente por saber que ainda vão havendo professores preocupados e com vontade de aprender a lidar com este problema.

Beijos
Manu
Existe um Olhar a 20 de Maio de 2010 às 22:00

Sim, é verdade Manu, partilhar experiências é realmente muito bom, sobretudo quando as dificuldades sentidas são as mesmas e quando percebemos que afinal, o defeito não é nosso e aquelas pequenas dificuldades do dia-a-dia que mais parece mau feitio do filhote afinal acontece com todos.
E sim, foi bom verificar interesse por parte de professores.
Bjs,
Anabela
Abigai a 21 de Maio de 2010 às 08:41

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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