Abigai

Novembro 03 2009

A avaliar pelos resultados dos últimos testes, devo dizer que a situação do meu filho é preocupante.

As notas obtidas são de facto muito baixas, mas o esforço demonstrado foi impressionante.

Apesar das muitas dificuldades, é uma criança empenhada, interessada e esforçada.

Sabendo que a falta de resultados pode levar à desistência e ao abandono, tenho por hábito reforçar, valorizar e recompensar o seu empenho e fazer-lhe entender que as notas não são o mais importante.

Importante é nunca desistir, continuar a tentar, porque um dia conseguirá ser recompensado.

Mais do que contra o insucesso escolar, travo uma luta desmedida contra a baixa auto-estima.

Por mais que nos custe, a nós pais, a realidade é que não podemos ser todos doutores ou engenheiros e que todas as profissões são importantes, mas podemos e devemos ser todos felizes.

 

Depois existe o outro lado, o do sucesso.

O G. tem colegas com excelentes avaliações e que, ao contrário do que seria esperado, não marginalizam-no de forma alguma. Não atribuem qualquer importância ao facto de ter notas baixas, ignorando totalmente este facto e tratam-no muito bem.

No entanto, competem uns com os outros de uma forma a meu ver doentia.

Chegam ao ponto de "gozar" um colega simplesmente porque "apenas" tirou 90% no teste!

Será que estas crianças irão um dia saber lidar com o insucesso?

Serão adultos felizes?

Penso que devemos sempre valorizar o que um filho obtém ou consegue, que devemos levá-lo a querer sempre melhorar, mas será que quando atinge um ponto em que competir é levado ao extremo, em que o colega que habitualmente apresenta as melhores notas se torna no alvo a abater, devemos valorizar essas notas, ou será que devemos pôr travão nessa loucura?

Será que não temos o dever de ensinar aos nossos filho a compaixão, a camaradagem?

Mas o que haverá a fazer quando são as próprias mães, que numa entrega de avaliações, reclamam e se apoderam da palavra porque os filhos têm notas acima dos 90% quando poderiam ter mais e que não têm tacto suficiente nem contenção, na presença de outras mães que se contentariam com uns 50% dificilmente atingidos?

publicado por Abigai às 09:59

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Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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