Abigai

Fevereiro 13 2012

Há quase quatro anos deixei a minha casa, os meus pertences, as minha rotinas...
Há quase quatro anos deixei tudo sem olhar para trás...
Há quase quatro anos deixei a minha vida em suspenso para acompanhar-te, acarinhar-te e fazer-te alguma companhia.

 

Agora sinto-me perdida.
Agora já não tenho casa, já não tenho nada, e já não te tenho...
Vejo-te em cada canto, em cada esquina...
O silêncio que encontro ao chegar ensurdece-me, falta-me a televisão ligada, o barulho do exaustor...

 

Há quase quatro anos que a minha vida girava em torno das tuas necessidades, de ti...
Há quase quatro anos que deixei de pensar em mim, na minha vida...
Há quase quatro anos que deixei de fazer planos...

 

Agora preciso de reencontrar-me.
Preciso de encontrar o meu espaço, refazer as minha rotinas, retomar as rédeas...
Por isso preciso de refazer tudo, desfazer-me dos teus móveis, das tuas coisas...
Perdoa-me... não te quero apagar da minha memória, não me custa ver-te em tudo o que está ainda em casa, no lugar onde deixaste...
Não é por me doer ver tudo como sempre esteve... É para me reencontrar, para criar o meu espaço, sentir-me na minha casa...
Porque sempre que abro a porta e entro, continuo a entrar na tua casa, à espera de te ver...
Mas não estás lá... não estarás mais.

 

Sei que entendes...
Sei que estás comigo...
E sei que preciso de fazer algo por mim...

 

 

publicado por Abigai às 12:03

Fevereiro 12 2012

 

Existem palavras de amor, de ternura, de carinho...

Existem palavras bonitas, simples e expressivas...

 

Existem milhares de palavras.

 

  Mas não existem palavras para descrever tudo o que nos deixaste, o amor que nos deste, a educação...

  Não existem palavras para expressar o exemplo de vida que foste para nós.

 

  Para ti e por ti, sem mais palavras....

 

 

publicado por Abigai às 16:23

Fevereiro 02 2012

Carlos Almeida, autor de “Os Senhores da Vida e da Morte”, (...), deu uma entrevista ao Porta-Livros onde falou precisamente do seu livro, um romance muito intenso e doloroso onde a morte é a protagonista, exaltando, por consequência, o valor da vida. (...)

 

"O tema vida é dos que gosto muito de debater. Não do ponto de vista esotérico, ou pela discussão sócio-religiosa, mas sim pela simplicidade da sua riqueza, afinal a vida é a maior das riquezas que temos e tantas vezes a tratamos mal. Mas a vida sem a morte não pode existir, são duas verdades que vivem ligadas, entrelaçadas na nossa existência. Algo que sempre me fez uma real confusão, foi verificar que as pessoas teimam em dar o real valor à vida quando estão perante a morte. Desperdiçam a vida em coisas fúteis, vazias, sem vida, e depois, quando estão perante a morte, lembram-se que estão vivos. Mas no meio disto, vão desenvolvendo um enorme medo da morte, o que as faz estarem cada vez mais distantes da vida. (...) a morte é um complemento à vida e temos de aceitar isso, com o medo natural de se gostar tanto de viver que não se quer morrer cedo. Só assim teremos a capacidade de olhar a vida com o agrado que ela merece. Mas estamos sempre a tempo de aceitar a morte. E aqui entra outro ponto que me levou a escrever este livro, onde está afinal a vida, mesmo depois da morte? Ao longo da História da Humanidade, o Homem foi dando demasiada importância ao corpo, por isso se venera tanto um corpo na morte, e por isso existe a necessidade de existirem locais de “culto” como os cemitérios (para mim apenas locais para perpetuar a dor da perda). Mas seremos nós apenas corpos? Penso que somos muito mais do que isso. Somos uma essência, que vive para lá do corpo. Costumo dizer que existe uma diferença entre morrer e falecer. Morrer é estarmos sós por completo na essência dos sentimentos, mesmo que ainda exista um corpo vivo, mas falecer é estarmos bem vivos na essência dos sentimentos, mas infelizmente o corpo já não existe. E isto está retratado no belíssimo poema do Henry Scott Holland (...). Temos de aprender a encontrar as pessoas, depois da partida do corpo, na essência dos sentimentos, ou seja, eu hoje encontro aqueles que já não têm o seu corpo vivo perto do meu, nas mais variadas formas, no vento, no sol pela manhã, numa música que escutamos, num local onde estivemos, numa simples conversa que tivemos… e isso é a vida. E eles continuam todos vivos, tomaram foi outra forma, outro “corpo”. Uma confissão, eu praticamente evito ir a funerais… porque é que temos de fazer o dito luto numa celebração de enterro completo de alguém que amámos e ainda amamos? Temos é de guardar a sua existência viva e repleta de essência desse mesmo amor."
(...)

 

Publicada in blog "Porta-Livros" de Rui Azeredo.

in Carlos Almeida

 

publicado por Abigai às 14:11

Fevereiro 01 2012

 

 

 

À espera do inevitável... uma espera desesperante, angustiante...

Uma vida em suspenso, uma vida interrompida...

Uma respiração sufocada, lenta...

 

Simplesmente uma interminável espera...

 

 

publicado por Abigai às 12:21

Janeiro 31 2012

Atormentada pela decisão que tomei por ti e quando começava a acreditar que te encaminhavas para o melhor desfecho possível, voltamos à estaca zero, ao ponto de partida...

Neste momento angustiante, lembrei-me deste livro...

"Este livro é um livro de vida (...). É um livro para reflectir, pensar e mesmo confrontar. É um livro onde todos estamos ligados."

E confesso... como gostava de ver a vida e a morte com são encaradas neste livro de Carlos Almeida.

Na contracapa do livro está um poema de Henry Scott Holland, o mesmo com o qual concluí este romance e após o qual ainda podemos ler:

"Afinal a vida e a morte moram juntas, lado a lado, na península dos corpos. A vida e a morte são a maior das fronteiras de nós mesmos."

 

A morte nada é.

Eu apenas estou do outro lado

Eu sou eu, tu és tu.

Aquilo que éramos um para o outro

Continuamos a ser.

Chama-me com sempre me chamaste.

Fala-me como sempre me falaste.

Não mudes o tom da tua voz,

Nem faças um ar solene ou triste.

Continua a rir daquilo que juntos nos fazia rir.

Brinca, sorri, pensa em mim,

Reza por mim.

Que o meu nome seja pronunciado em casa

Com sempre foi;

Sem qualquer ênfase,

Sem qualquer sombra.

A vida significa o que sempre significou.

Ela é aquilo que sempre foi.

O 'fio' não foi cortado.

Porque é que eu, estando longe do teu olhar,

Estaria longe do teu pensamento?

Espero-te, não estou muito longe,

Somente do outro lado do caminho.

Como vês, tudo está bem.

Henry Scott Holland

 

Uma vida em suspenso, atormentada, angustiada, este sofrimento, o teu sofrimento.... agora mais sereno, inconsciente, silencioso...

 

publicado por Abigai às 12:35

Janeiro 28 2012

Há palavras de ternura, palavras de amor, de carinho.

Há palavras de consolo, palavras de alegria.

Há palavras de receio, de medo, palavras de temor.

Há palavras de rancor, de ódio, palavras de repulsa.

Há palavras de amizade, de empatia, de afecto, palavras que aliviam.

Há palavras de esperança, de fé, palavras de verdade.

Há palavras de sabedoria, sentidas e de sofrimento.

 

Há também palavras que rasgam, estilhaçam, quebram, doem, palavras que matam...

 

E agora fiquei assim... sem palavras....

 

publicado por Abigai às 09:49

Janeiro 27 2012

Sei que não é muito, mas é um começo.

Sei que ainda nada está decidido, mas quero acreditar que existe um futuro.

 

Ontem já estavas mais reactiva, mais desperta.

Juraria que tentaste falar, acredito que querias falar, comunicar...

Que dizer? Que lamento?

Claro que lamento... Lamento ter sido necessário chegar a tanto, lamento não te ter perguntado se assim querias... E se tivesses recusado? O que teria acontecido? Não teria força suficiente para ir contra a tua vontade, mas também não seria capaz de nada fazer...

Sinto-me atormentada...

Não sei como irás encarar esta nova realidade.

 

Sei que sempre foste forte e corajosa, que sempre encaraste de frente todas as adversidades e desafios.

Acredito que serás capaz de enfrentar mais este, acredito que terás força e tenacidade.

E o que mais resta, senão acreditar?

 

publicado por Abigai às 10:09

Janeiro 25 2012

Como num simples e fraco abrir de olhos tudo muda...

Ontem abriste os olhos para mim... Um olhar disperso, é certo, um olhar vazio mas sem sinais de agonia, um simples olhar inexpressivo, mas um olhar...

Um simples olhar, uma euforia descontrolada...

Como um simples gesto ao qual geralmente não prestamos atenção, em determinadas situações, pode mudar tudo...

Um simples olhar, uma importância vital, uma esperança reforçada...

 

publicado por Abigai às 10:20

Janeiro 23 2012

 

Da minha infância, lembro-me de te ouvir cantar...
Cantavas para espantar os teus males, cantavas agora e depois, cantavas...
Lembro-me de fazer asneiras, de desobedecer... e de te ouvir cantar. Lembro-me que te perguntava se cantavas de bem ou de mal.
Lembro-me das roupas que fazias para mim, lembro-me de sentir-me vaidosa com as lindas fatiotas que costuravas, lembro-me até dos professores elogiarem as minhas vestimentas...
Lembro-me de te ver sempre igual, para mim nunca envelheceste... lembro-me que foste sempre andando.
Lembro-me da tua força, da tua coragem face às adversidades, da tua vontade e tenacidade.
Lembro-me que sempre estiveste ao meu lado, mesmo quando eu perdia a razão.
Lembro-me de tudo.
Lembro-me que sempre admirei a forma como enfrentaste os teus males, as tuas dores, a forma como lutaste contra este fraco destino de sofrimento e lembro-me de dizer com muita frequência que não tenho esta tua força. E sei que não tenho.
Hoje, perante este presente que nunca esperei, perante esta espera insustentável e desesperante, peço-te perdão.
Sinto-me egoísta por ter desejado uma cura que talvez não passe de mais um sacrifício para ti, de mais sofrimento...
Talvez nunca me perdoes, mas naquele momento, não fui capaz de fechar a página e dizer-te adeus, simplesmente não fui capaz, não naquele dia...

Por isso peço: perdoa-me...

 

publicado por Abigai às 11:20

Dezembro 23 2011

 

Exorcizado o fantasma da doença e uma vez aceite a perspectiva de um futuro doloroso e penoso, restam-me algumas considerações a fazer após uma semana em completa letargia e comiseração...
- por muito que pensemos estar preparados para qualquer eventualidade, por muito que pensemos saber e saber aceitar, na verdade, colocados perante a confirmação dos factos, percebemos que não estávamos nem estamos preparados para enfrentar a realidade...
- que por mais que tentemos esconder, disfarçar ou enganar, o estado emocional transparece muito para além da aparência, do aspecto físico ou visual, e por mais que tentemos, deixamos transparecer uma fragilidade que, recalcada, apenas conduz a mais perguntas ou explicações que nos deixam ainda mais desarmados...
- que sofrer por anticipação não minimiza o sofrimento, pelo contrário, amplifica-o...
- e sobretudo, que não há maior desafio do que enfrentar o desconhecido que acreditamos erradamente conhecer....

 

publicado por Abigai às 14:07

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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