Abigai

Fevereiro 05 2010

Pois é... hoje sinto-me angustiada.

O G. vai passar o fim-de-semana em casa de um colega da escola.

Porquê?

Por muita insistência da mãe do miúdo que quer muito que o G. passe lá a noite.

Bem tentei demover a mãe dizendo-lhe que o G. é muito difícil sobretudo ao fim-de-semana, mas a insistiu tanto que não consegui impedir.

O G. tem sido tão provocador, impulsivo e respondão.

Quanto mais se aproxima o fim-de-semana, mais me sinto angustiada.

Tenho alguma esperança de que, estando numa casa estranha, se comporte um pouco melhor. E se não for o caso? Como fico? Passo por não saber educá-lo!

Não gosto de dizer aos ventos que o G. é hiperactivo, geralmente tem uma conotação pejorativa, como que um desculpa para a má-educação.

Assim, essa mãe apenas pensa que o G. tem dificuldades de aprendizagem mas não sabe propriamente que é incontrolável.

Além disso, o G. tem muitas fobias, não vai à casa de banho fora de casa, recusa sempre tomar banho, demora horas à lavar os dentes, pois falar e escovar ao mesmo tempo não é muito prático, vestir-se sozinho é o cabo das tormentas e dormir raramente está nos seus planos!

 

Aposto que este fim-de-semana vai ser o mais longo de sempre!

publicado por Abigai às 11:38

Dezembro 09 2009

Como já aqui referi, tenho um filho hiperactivo.

O G. foi sempre e desde o nascimento, uma criança difícil.

Ainda recém-nascido, pouco dormia. A pedido do seu pediatra comecei a cronometrar o seu tempo de descanso de forma a ter uma ideia concreta do seu tempo de vigia. A conclusão foi aterradora. Contrariamente à maioria dos recém-nascidos que dormem em média entre dezasseis a dezoito horas por dia, o G. dormia apenas sete horas. Tinha sonos entre trinta a sessenta minutos durante o dia e de noite conseguia manter-se a dormir cerca de duas a três horas seguidas, acordando várias vezes para mamar ou simplesmente para ter companhia.

Foram tempos difíceis e cansativos. Já naquela altura era muito agitado, ansioso por conhecer o mundo e cedo começou a andar e correr pela casa sempre a procura de algo a fazer ou destruir, sem parar, sem descanso e sem rumo.

Aos 18 meses teve Meningite por Hemófilus B (bacteriana). É uma forma extremamente grave de meningite que afecta crianças mas para a qual existe vacinação - dita 100% eficaz - e aplicada a partir do 2º mês de vida, num total de 4 doses.

O G. tinha sido vacinado, faltava-lhe apenas a última dose.

Foram 3 semanas de angústia, 3 semanas de apreensão, 3 semanas de suplício.

Recuperou totalmente, mas foi uma lição de vida: quaisquer que sejam os problemas ou dificuldades que possa ter que atravessar, quaisquer que sejam as batalhas a travar, para mim, o importante e mais fundamental é ter a felicidade de o ter por perto e de ter a oportunidade de travar essas lutas, lado-a-lado com ele.

Por mais comentários que possa ouvir a respeito do seu comportamento, por mais exasperada que possa estar, nada se compara à felicidade e alegria de ser mãe, de ter um filho nos braços, de o acompanhar, até nos momentos mais difíceis.

Pelas dificuldades de aprendizagem que apresenta até ao momento - mas que podem contudo, com o tempo serem ultrapassadas - não parece, à priori, que venha a ter um futuro brilhante como doutor ou engenheiro, mas será isso assim tão importante?

Hoje em dia, parece-me que esquecemos frequentemente que as crianças têm que ter uma infância, correr, saltar, brincar, fazer asneiras... Queremo-las crescidas e responsáveis muito cedo, talvez por falta de tempo para dar-lhes atenção, talvez por causa da vida que actualmente os pais levam, etc..., mas são apenas crianças, também o fomos e também demos muitas dores de cabeça aos nossos pais, fizemos asneiras, desobedecemos, mas aqui estamos nós, crescidos e responsáveis.

Por vezes considero que sou de certa forma permissiva, é verdade, mas quando a vontade é de dar um correctivo porque fez asneiras, porque se "portou mal", penso naquelas 3 semanas, há cerca de 7 anos atrás, e agradeço as asneiras..., só não perdoo a falta de educação, muito diferente da hiperactividade, pois pode perfeitamente ser incontrolável mas educado.

Conheço casais que exigem muito dos filhos, outros que permitem tudo.

Acho que se deve encontrar um ponto de equilibrio, "perdoar" as cabeçadas que também ensinam a crescer sem esquecer a educação, ensinar o respeito, a modéstia, o empenho, mas acima de tudo, devemos deixá-los ser crianças, crescerem e serem felizes. 

 

publicado por Abigai às 11:06

Novembro 03 2009

A avaliar pelos resultados dos últimos testes, devo dizer que a situação do meu filho é preocupante.

As notas obtidas são de facto muito baixas, mas o esforço demonstrado foi impressionante.

Apesar das muitas dificuldades, é uma criança empenhada, interessada e esforçada.

Sabendo que a falta de resultados pode levar à desistência e ao abandono, tenho por hábito reforçar, valorizar e recompensar o seu empenho e fazer-lhe entender que as notas não são o mais importante.

Importante é nunca desistir, continuar a tentar, porque um dia conseguirá ser recompensado.

Mais do que contra o insucesso escolar, travo uma luta desmedida contra a baixa auto-estima.

Por mais que nos custe, a nós pais, a realidade é que não podemos ser todos doutores ou engenheiros e que todas as profissões são importantes, mas podemos e devemos ser todos felizes.

 

Depois existe o outro lado, o do sucesso.

O G. tem colegas com excelentes avaliações e que, ao contrário do que seria esperado, não marginalizam-no de forma alguma. Não atribuem qualquer importância ao facto de ter notas baixas, ignorando totalmente este facto e tratam-no muito bem.

No entanto, competem uns com os outros de uma forma a meu ver doentia.

Chegam ao ponto de "gozar" um colega simplesmente porque "apenas" tirou 90% no teste!

Será que estas crianças irão um dia saber lidar com o insucesso?

Serão adultos felizes?

Penso que devemos sempre valorizar o que um filho obtém ou consegue, que devemos levá-lo a querer sempre melhorar, mas será que quando atinge um ponto em que competir é levado ao extremo, em que o colega que habitualmente apresenta as melhores notas se torna no alvo a abater, devemos valorizar essas notas, ou será que devemos pôr travão nessa loucura?

Será que não temos o dever de ensinar aos nossos filho a compaixão, a camaradagem?

Mas o que haverá a fazer quando são as próprias mães, que numa entrega de avaliações, reclamam e se apoderam da palavra porque os filhos têm notas acima dos 90% quando poderiam ter mais e que não têm tacto suficiente nem contenção, na presença de outras mães que se contentariam com uns 50% dificilmente atingidos?

publicado por Abigai às 09:59

Outubro 24 2009

Confesso-me totalmente leiga no assunto.

Iniciar um blog?

Para quê?

Porquê?

O que dizer?

Tenho por hábito visitar alguns, por vezes fazer comentários, rir ou chorar com certas ideias ou comentários, sentir-me tocada ou chocada com algumas opiniões.

Mas daí a resolver escrever vai um grande passo.

Questiono-me se estarei à altura de alguns blog que visito, se terei conteúdo a apresentar ou temas a discutir.

Provavelmente o futuro o dirá...

 

Sou mãe de um menino, o Gabriel, de 9 anos com muitas dificuldades de aprendizagem, défice de atenção com hiperactividade e dislexia, sou uma pessoa de princípios e uma apaixonada por livros, o que de resto me trouxe aqui.

 

A convite do Clube de Leitura e para nele me registar, acabei por criar este blog. Conto participar no Clube de Leitura mais do que neste, talvez por ainda não ter encontrado um rumo para algo totalmente novo para mim.

 

Até breve

publicado por Abigai às 12:16
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Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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