Abigai

Outubro 14 2010

Supostamente a escola é um local de aprendizagem e de educação.

Supostamente a escola é um local seguro para as nossas crianças.

Supostamente a escola tem o dever de ajudar os alunos com dificuldades de aprendizagem.

 

Supostamente porque na prática não é bem assim.

 

A primeira reunião com a directora de turma decorreu há uma semana. Iniciou às 18h30 e já passavam das 22h45 quando sai da escola!

Foi tudo uma grande desilusão para mim.

Tinha esta escola como uma boa escola com unidade de apoio a alunos com multideficiência e apoio especializado para a educação a alunos com perturbação do espectro do Autismo, o que me levava a pensar que o G. estava no estabelecimento certo e seria bem acompanhado.

No ano anterior visitava esta escola uma vez por semana, era atendido pela psicóloga educacional na unidade de apoio a alunos com dificuldades de aprendizagem e muito sinceramente, parecia-me tudo muito organizado, bem estruturado e sem qualquer sombras de dúvidas, ajudou muito o G.

Nunca me passou pela cabeça que esta escola, sede de agrupamento, pudesse ter tantos problemas.

Quando chove, mete água... Não tem auxiliares suficientes e são as crianças que acompanham os colegas com dificuldades ou deficientes.

Acho bem incutir algum sentido de responsabilidade e sensibilizar as crianças no sentido de ajudar e apoiar os menos favorecidos ou deficientes. Sem dúvida que é importante e pode ser fundamental para um futuro mais tolerante, mas não me parece que serem únicos responsáveis pela segurança e apoio a estes crianças seja o correcto. Não deveria haver algum auxiliar, algum funcionário que se preocupasse em saber se esta ou aquela criança que se perde porque tem por exemplo Síndrome de Asperger, está na sala correcta?

Só na turma dele são 3 crianças com Síndrome de Asperger.

 

Além disso, a segurança das crianças deixa muito a desejar.

A escola tem porteiro, supostamente não se entra de qualquer maneira. As crianças utilizam um cartão de acesso e de pagamento para evitar que tenham que andar com dinheiro, e para confirmar as autorizações de saída.

Fomos recebidos no dia da apresentação pela Polícia Segura.

Tudo levava a crer que havia segurança e que podíamos deixar as crianças na escola sem preocupações.

Mas não!

Há cerca de 15 dias, umas 5 ou 6 crianças da turma do G. foram ameaçadas por adolescentes aparentemente estranhos à escola, com navalhas. A polícia foi chamada, os miúdos não foram caços, ninguém sabe quem são, de onde vieram nem por onde entraram.

E, segundo conta o G., já não é a primeira vez. Denominam-se de Gang dos Palhaços, ou algo do género, e ameação os mais novos com navalhas e promessas de recortar-lhes o rosto.

O Conselho Directivo diz estar a investigar, a verdade é que nem os pais nem as crianças se sentem seguros.

A Polícia Segura, em vez de estar na escola, anda a rua a multar os pais que estacionam nas proximidades para acompanhar os filhos até ao portão.

Acham isso normal?

 

Estamos já a meio de Outubro, as aulas já iniciaram há um mês e a psicólogo educacional ainda não foi contratada. Afinal, é um agrupamento com ensino especial! Já não deveria estar em condições de atender os que precisam de ajuda?

O G. foi proposto para aulas de apoio a Português e a Matemática, disciplinas nucleares para as quais é imprescindível a aprovação para transitar para o ano seguinte. Até aí tudo muito bem e dei de imediato o meu acordo. Logo na segunda semana de aulas, o G. iniciou o apoio a Português e ficou encantado, sente-se muito apoiado pela professora, são apenas 3 alunos numa hora de estudo e sente-se a evoluir.

O grande problema é a matemática. A professora sabe mandar recados para casa a dizer que o G. tem que estudar mais os sólidos, consegue insistir tanto com ele nas aulas ao ponto de o deixar a chorar por não saber responder, etc., o que não consegue é encaixar aulas de apoio num horário em que o G. possa assistir! Pois é, marcaram as aulas de apoio de matemática num horário em que tem ciências da natureza e admiram-se de a encarregada de educação do G. que tanto necessita de apoio não ter autorizado a frequências das ditas aulas de apoio!

Já falei com a professora directora de turma, já exigi aulas de apoio a matemática. O G. está sinalizado, está proposto para aulas de apoio, tem esse direito e não vou prescindir dele. Se a prof. da turma não tem disponibilidade, que arranjem outro prof.! Sei e compreendo que a situação ideal é ter apoio com a prof. dele, mas por incompatibilidade de horário, têm que arranjar solução, não?

 

Haveria muito mais a dizer, mas parece-me que este post já vai longo...

O G. já se sente muito mais ambientado, tem me feito ver que eu preocupo-me demais, sem dúvida. De dia para dia parece mais crescido, já não tem problemas com nada. Tem que almoçar na escola à sexta-feira por causa das aulas de apoio a Português e, neste momento, tira a senha de forma autónoma, com o cartão de pagamento da escola, almoça, apresenta-se na sala de apoio a horas, usa relógio para não se atrasar, enfim, adaptou-se muito melhor do que eu pensava ser possível.

As dificuldades de aprendizagem têm-se acentuado muito, a matéria é mais complexa, sente-se perdido e incapaz.

A falta de apoio não vem ajudar à festa.

Mas tem demonstrado muita vontade, chega a casa senta-se, pega nos livros e estuda. Tem-me deixado de boca aberta!

Pena é ele não sentir o esforço a dar frutos!

 

 

publicado por Abigai às 17:44

Setembro 07 2010

Apesar do regresso às aulas ser apenas na próxima Segunda-feira, Quinta-feira terá lugar a apresentação na nova escola, novo ano e nova aventura escolar do G.

O G. parece preparado para esta nova etapa, está menos ansioso do que eu, muito bem disposto e acima de tudo muito falador e empenhado.

Este fim-de-semana dedicou-se a fazer cópias de um livro do filme Star Wars que devora logo ao pequeno almoço, diz ele que "é para treinar escrever... para estar pronto para a escola"! Mas claro, é sol de pouca dura e passado 5 minutos já nem sabemos onde anda!

 

Passou as férias sem medicação, está com as pilhas a 100, bem recarregadas e pronto para enfrentar tudo o que lhe aparecer pela frente.

Agora e desde que foi ao cinema com o pai ver o Panda Kung Fu, só pensa nisso e quer mesmo que encontre uma escola de Kung Fu, e "se não encontrares pode ser mesmo de karaté, mãe...".

Este - longo para nós, mas não para ele - periodo sem medicação passou-se bem... dependendo do ponto de vista, é claro.

Não posso dizer que fez asneiras, não. De facto, asneiras é coisa que pouco faz. Só não sabe parar! Levanta-se de madrugada, canta, grita, nunca obedece à primeira, anda sempre atrás de alguém ou alguma coisa, vai para um lado, vai para outro, chama, canta e volta a cantar, fala alto e nos momentos mais inconvenientes, não deixa falar, interrompe a torto e a direito, come... isso sim, come muito, está sempre esfomeado e mais do que tudo: fala, fala muito, e nem a dormir se cala.

Em suma, não se portou mal, simplesmente ficamos todos cansados implorando algum silêncio, alguma calmaria.

Lamentavelmente, não faltaram discussões, gritos e alguns castigos, quando se fala muito e não se ouve, quando não se obedece nem à terceira, quando não se sabe parar, é sempre complicado e, por mais que compreenda que não tem culpa, é minha obrigação incutir regras e bons comportamentos.

Além disso, houve algumas brigas, "grandes dramas" e sentimentos de rejeição com os primos franceses que passaram connosco as férias, mas nada que não se resolvesse. Acima de tudo dificuldades de comunicação devido ao entrave da língua, mas na verdade - e isso ainda não entendi muito bem como -, apesar de falarem linguagens diferentes, lá se foram entendendo e na hora da partida e pela primeira vez, vi o G. a chorar de saudades dos primos.

Mas agora, as férias terminaram.

 

Na tentativa de repor as regras e os hábitos dos dias de aulas, resolvi levá-lo já esta semana para o ATL, retomando assim a medicação.

Logo pela manhã, e como sempre falador, o tema principal era a medicação, deixando antever o regresso aos dramas matinais.

Primeiro o pequeno almoço que demorou uma eternidade - uma forma de atrasar a toma da medicação -, depois as conversas intermináveis - e eu sempre a ver quando é que se decidia a tomar a cápsula -, sempre com mais e mais a dizer, a fazer.... e o tempo a passar, até que não tive outra alternativa senão intervir com firmeza e autoridade para que tomasse o medicamento.

Assim fez e sem grande dificuldade. O problema é mesmo psicológico, tem sempre medo de não conseguir engolir e fica tão ansioso que até tem vómitos só de olhar para a cápsula!

Feito isto, saímos em direcção ao ATL e foi então que pelo caminho, vem a insegurança, o medo de falhar e de não ser aceite.

"Ao mãe... já não vou ao ATL há muito tempo, tenho vergonha...?"

"Ao mãe... e se os meus colegas já não gostarem de mim....?"

"Ao mãe... e se eu não conseguir passar de ano....?"

"Ao mãe..."

"Ao mãe..."

"Ao mãe..."

E por aí fora o caminho todo...

 

Lá fui respondendo do melhor que soube, tentando sempre reforçar a sua auto-estima, lembrando que o ano escolar ainda nem tinha começado, que os colegas da turma eram os mesmos, que todos gostavam muito dele, que a psicóloga educacional que o acompanha desde o ano passado vai estar lá, que desde que se esforçasse como sempre fez tudo iria correr bem, etc...

Ficou mais calmo e animado mas já sei que se avizinham tempos difíceis de muita insegurança e ansiedade.

Mas cada coisa a seu tempo...

Ainda nem começou...!

 

 

 

publicado por Abigai às 22:00

Agosto 26 2010

Pois... já lá vão mais de dois meses que não dou notícias, é verdade...

Não é que não tenha acontecido nada neste longo espaço de tempo, pelo contrário, mas realmente faltou-me alguma motivação.

 

Como já previa no passado mês de Janeiro e aqui referi, a empresa onde trabalhava fechou no início do passado mês de Junho.

Fechar não será bem o termo. Os quatro únicos funcionário, incluindo eu, rescindiram contrato com justa causa por falta de retribuição mensal.

Melhor dizendo, as portas da empresa fecharam por inexistência de pessoal mas a empresa, até à data, continua oficialmente a laborar, com quem não sei, como também não!

E, como o único sócio e gerente da empresa estava no Brasil, não houve quem recepcionasse as cartas de rescisão nem tão pouco quem assinasse as declarações de situação de desemprego.

Conclusão: apenas no final do mês de Julho recebi a primeira prestação do subsídio de desemprego a que tinha direito, mas, lamentavelmente, como a segurança social não paga retroactivos, fiquei a perder o valor referente a Junho... Como se não fosse suficiente estar mais de três meses sem receber ordenado!

Entre a Autoridade para as Condições do Trabalho, a Segurança Social, e o Centro de Emprego, muitas foram as deslocações e as burocracias até conseguir finalmente fazer parte das estatísticas.

 

Felizmente, os conhecimentos, a competência e 17 anos de experiência na minha área, ainda valem alguma coisa e não tive necessidade de procurar emprego ou enviar currículos. Ainda nem tinha dado entrada no Centro de Emprego e já tinha sido contactada por uma empresa da concorrência - porque no ramo das cozinhas equipadas todos se conhecem e tudo se sabe.

Contudo, e como estávamos num período de acalmia e de férias - quem se preocupa em remodelar ou fazer uma cozinha nesta altura do ano? -, não entrei de imediato nessa empresa e combinamos iniciar na próxima segunda-feira. Aproveitei este tempo de pausa para melhor ambientar-me com a empresa, o seu funcionamento e materiais.

Quer isto dizer que ainda usufruí de dois meses de desemprego e, embora já com trabalho garantido, tive que cumprir e comprovar que estava numa procura activa de emprego, caso contrário arriscava-me a ficar sem subsídio.

Compreendo que esta é a única forma que o Instituto do Emprego tem de "garantir" que não estão a usufruir do subsídio pessoas que não buscam emprego, mas confesso achar um pouco ridículo, pois qualquer um consegue comprovativos sem procura alguma!

Hoje, fui finalmente a Centro de Emprego declarar que a partir do dia 30 de Agosto estarei empregada, finalmente porque na verdade, já não aguentava as apresentações quinzenais e os "carimbos"!!

 

De resto, aconteceram algumas coisas boas nestes dois meses.

Além de me sentir de certa forma lisonjeada com as ofertas de emprego que recebi - é sempre bom para o ego perceber que apesar de tudo somos bem cotados no mercado de trabalho -, estive com a Teresa, os seus rebentos e a Susana, na companhia do meu marido e do meu G., foi uma tarde maravilhosa e com muita partilha... É incrível como duas crianças podem ser tão iguais, as nossas aventuras e experiências são tão similares que até assusta! E isto só vem mais uma vez, comprovar que muitas das características que vejo no meu G. são realmente ligadas à Hiperactividade.

Quantas e quantas vezes me censurei, me culpei pela educação que estava a dar ao G., quantas vezes pensei estar a falhar como mãe e educadora, quando na realidade trata-se de uma perturbação de que nenhum de nós tem culpa.

Não é desculpa para não educar, mas ajuda muito a educar sem culpas e sem medos.

 

Muito mais haveria para contar, em dois meses muita coisa acontece, mas enfim... fica para uma próxima.

 

 

publicado por Abigai às 17:03

Maio 21 2010

Há dias perguntava-me uma mãe se o facto do filho hiperactivo mentir podia estar relacionado com a PHDA.

Naquela altura não tinha dados concretos, contudo, e tendo em conta as experiências vividas em casa, afirmei-me favorável a esta explicação.

Após alguma pesquisa, posso confirmar esta tendência.

 

Quanto mais se tenta contrariar este distúrbio, mais ele afecta. O melhor método é a tranquilidade e não pressionar estas crianças ou adultos. Pessoas com défice de atenção tendem a olhar para todo o lado, desligar-se, parecer aborrecidas, esquecer-se da conversa e interrompê-la com uma informação totalmente fora do assunto.

Conseguem ainda estar atentas a coisas estimulantes, interessantes ou assustadoras, isto porque recebem estimulação suficiente para permitir a concentração.

Daí gostarem de jogos de PlayStation e afins, conseguindo algum tempo de calma e sossego, embora nem sempre quietos e silenciosos!
       

Devido à necessidade de estímulo, este distúrbio leva as crianças e/ou adultos a agir sem pensar: dizem coisas inadequadas às pessoas, mentem, roubam, assumem comportamentos de inquietação, desassossego, cantam em situações menos próprias.
Um hiperactivo adulto pode ter dificuldade em manter um emprego, ainda que realmente o queira pois de repente diz o que pensa, antes de ter a oportunidade de processar o pensamento. Em vez de pensarem bem no problema, querem uma solução imediata e acabam por agir sem pensar. Devido à impulsividade e à falta de pensar antes de agir, dizem a primeira coisa que vem à mente e, em vez de pedir desculpas por terem dito uma coisa que magoou, muitas tentam justificar por que fizeram a observação que magoou, só piorando as coisas. Um comentário impulsivo pode estragar uma noite agradável, um fim de semana, ou mesmo um casamento.

A busca do conflito é frequente para o hiperativo.

Muitas pessoas que sofrem de PHDA inconscientemente procuram no conflito uma forma de estímulo. Não têm consciência de o fazer. Dançar, correr, gritar, e ficar cantarolando são formas de auto-estimulação.

Os pais de crianças com PHDA relatam frequentemente que os filhos são peritos em criar confusões ou discussões desnecessárias.

 

As reacções mais frequentes dos que lhes são próximos (pais, educadores, cônjuges, etc) são irritarem-se, gritando e dando sermões, no entanto, isso não ajuda a criança e/ou adulto pois favorece um comportamento desassossegado e inadequado.

Quando os pais param de oferecer estimulação negativa (gritos, surras, sermões, etc), diminui o comportamento negativo dessas crianças. A estratégia ideal é parar, falar com calma e voz suave, evitando assim aumentar os estímulos e permitir à criança sossegar.

Assim, os intervenientes na educação destas crianças devem controlar os seus impulsos para que a criança não se sinta sob pressão e consiga, por fim, agir calmamente.

 

Concordo sem dúvida, o único problema é que nem sempre estamos com paciência suficiente para conseguir controlar os nossos próprios impulsos, nem sempre conseguimos evitar gritar essencialmente no final de um dia agitado, barulhento e cansativo.

 

publicado por Abigai às 10:17

Abril 20 2010

Desde tenra infância que o G. apresenta características de hiperactividade. A nossa vida familiar era simplesmente alucinante.

Muito cedo preocupei-me com as suas capacidades de aprendizagem e frequentemente questionava a educadora que sempre procurava de alguma forma apaziguar os meus receios. Um dos aspectos que mais saltava à vista era a incapacidade do G. - ainda no jardim de infância -, de decorar canções infantis, para além de toda a sua instabilidade constante.

Na verdade, e no mais profundo do meu ser, eu tinha a convicção de que o G. sofria de hiperactividade. Comentava isso muitas vezes com o pai mas procurava constantemente alguma desculpa para negá-lo. Contrariamente às muitas mães que encontram no rótulo da hiperactividade uma desculpa para a má-educação, eu procurava justificar a hiperactividade do G. com o meu fracasso como educadora. Era para mim mais fácil encarar a minha imcompetência como mãe do que admitir e enfrentar esta problemática.

O pediatra do G. alertou-me algumas vezes para esta possibilidade e recomendou-me um psicólogo. Hoje sei que esta fase de negação arrastou-se demasiado tempo. Talvez teria evitado algum sofrimento ao G. se tivesse procurado apurar as causas de tanta agitação e oposição mais cedo. Adiei o diagnóstico o mais que pude porque, apesar da minha convicção, era menos penoso sentir culpabilidade.

Foi no final do segundo período do primeiro ano escolar que a professora de então alertou-me para a possibilidade do G. sofrer de hiperactividade. Nesse dia senti um peso enorme, caí em mim e percebi que tinha adiado demasiado o inevitável e com isso prejudicado o bem-estar do meu filho.

Com a cumplicidade da professora - que nos últimos dez anos tinha lecccionado no ensino especial e por isso muito sensibilizada -, colocamos uma câmara oculta na sala de aulas, direccionada para a mesa onde o G. deveria estar sentado.

Quando visionei a filmagem, ri desalmadamente para não chorar: as cenas captadas pela câmara eram hilariantes e incrivelmente preocupantes.

Sabendo eu que para haver um diagnóstico de hiperactividade seria necessário apresentar características em mais do que um contexto, esperava que na escola se comportasse melhor, que obedecesse, que estivesse atento e sossegado, esperava que a sua atitude perante a professora e a turma confirmasse as suspeitas da minha culpabilidade e incompetência como mãe. Ao invés disso, veio confirmar a mais profunda das minhas convicções: a hiperactividade com défice de atenção.

Desde então o caminho tem sido longo e tumultuoso, sem poder agarrar-me à minha culpa o desamparo é grande, com altos e baixos, com muito desespero à mistura, ver o sofrimento do meu filho é frequentemente insuportável.

A medicação é uma forte aliada na batalha que todos os dias travamos, a recusa diária do G. em aceitá-la traduz-se em manhãs stressantes, sufocantes e de profundo desespero.

Quem observar esporadicamente o G. dirá tratar-se de uma criança traquina e provavelmente mal-educada. Raramente comento que é hiperactivo pois a maioria das vezes não acreditam e deixo que pensem o que bem entenderem...

Ser hiperactivo não é apenas apresentar uma actividade física exacerbada.

Ser hiperactivo é um conjunto de factores que condicionam a vida de uma criança e da sua família.

Conviver diariamente com gritos, guinchos, um falar constante, rápido e incompreensível, com a resposta sempre na ponta da língua, com impulsos incontroláveis, com a fome constante, os gritos nocturnos, o choro compulsivo vindo do nada, com o sentimento de perseguição, com a baixa auto-estima e o fracasso, com a ansiedade e os estados de euforia, etc, simplesmente é penoso e difícil.

E não ter a quem atribuir responsabilidades é difícil de aceitar.

E como este post já vai longo, prometo continuar nos próximos dias...

 

publicado por Abigai às 09:22

Porque foi a primeira palavra do meu filho, e de nada querer dizer, diz-me muito...
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